Irmã de ACM Neto é sócia do ‘Rei do Lixo’ em avião, diz coluna de O Globo; empresário foi indicado à cúpula do União Brasil

A irmã do ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), Renata Magalhães, é sócia do empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, na propriedade de um avião, segundo coluna da jornalista Malu Gaspar, publicada nesta terça-feira (18/08/2026) pelo jornal O Globo. A publicação também atribui a ACM Neto a indicação de Moura para a cúpula nacional do União Brasil e insere a relação entre os dois no contexto da Operação Overclean, investigação da Polícia Federal na qual o empresário foi indiciado. O caso ganha dimensão política e empresarial porque a MM Limpeza Urbana, ligada a Moura, mantém contratos com a Prefeitura de Salvador e recebeu R$ 47,8 milhões do município entre janeiro e agosto de 2026, enquanto pagamentos realizados pelo Banco Master em 2024 alcançaram tanto a empresa do empresário quanto uma companhia de ACM Neto e sua esposa.

Coluna aponta sociedade entre Renata Magalhães e José Marcos Moura

O principal elemento apresentado pela coluna de Malu Gaspar é a existência de uma relação societária entre Renata Magalhães, irmã de ACM Neto, e José Marcos Moura na propriedade de uma aeronave.

Ao abordar a proximidade entre Moura e o ex-prefeito de Salvador, a publicação afirma que “a irmã do político, que é candidato ao governo da Bahia nas eleições de outubro, é inclusive sócia do empresário em um avião”.

A informação sobre a sociedade na aeronave não surge isoladamente. Reportagens anteriores já registravam a participação conjunta de Moura e Renata Magalhães na propriedade de um avião, vínculo que passou a receber maior atenção pública após o avanço das investigações da Operação Overclean.

José Marcos Moura chegou à direção nacional do União Brasil por indicação de ACM Neto

Segundo a coluna, José Marcos Moura integrou o diretório e a executiva nacionais do União Brasil e chegou formalmente à direção partidária por indicação de ACM Neto, que ocupa posição de liderança nacional na legenda.

A presença do empresário na estrutura política não teria se limitado à participação formal nos órgãos dirigentes. A publicação atribui a Moura atuação na construção de chapas eleitorais na Bahia durante as eleições de 2022 e 2024.

Esse elemento aproxima a trajetória empresarial de Moura da organização política do União Brasil no estado e coloca sua relação com ACM Neto em dois planos distintos: o empresarial e o partidário.

A indicação de Moura para instâncias nacionais da legenda por ACM Neto também havia sido relatada anteriormente por veículos de imprensa ao tratarem das conexões políticas do empresário investigado.

Polícia Federal indiciou empresário na Operação Overclean

José Marcos Moura foi indiciado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean por suspeitas relacionadas a corrupção, fraude em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme as informações apresentadas.

O indiciamento representa uma etapa da investigação policial e não equivale a condenação judicial. As responsabilidades criminais dependem do andamento das apurações, da atuação dos órgãos de persecução penal e das decisões do Poder Judiciário.

A Operação Overclean integra um conjunto de apurações envolvendo contratos públicos e suspeitas de irregularidades. Registros oficiais da Controladoria-Geral da União incluem a operação entre as ações especiais realizadas em 10 de dezembro de 2024.

Investigação relacionou ACM Neto a tentativa de destravar negócios, segundo relato

Outro ponto sensível apresentado no conteúdo diz respeito à atuação atribuída a Moura em suas relações com agentes políticos.

Segundo as informações apresentadas sobre a investigação da Polícia Federal, Moura teria identificado ACM Neto como um elo capaz de auxiliar na solução de questões relacionadas aos seus negócios.

A referência é relevante porque insere a proximidade entre os dois em contexto distinto de uma simples relação pessoal ou partidária. Trata-se, entretanto, de elemento atribuído à investigação e que precisa ser tratado dentro dos limites próprios de uma apuração policial, sem antecipação de responsabilidade criminal ou administrativa de qualquer pessoa mencionada.

Reportagens anteriores também registraram que a PF analisou referências a um “amigo” ou a um “zero um antigo” em diálogos associados às investigações e que os investigadores levantaram a hipótese de identificação dessas expressões com ACM Neto.

MM Limpeza Urbana mantém contratos com Prefeitura de Salvador

A dimensão empresarial do caso alcança diretamente a administração da capital baiana.

A MM Limpeza Urbana, empresa ligada a José Marcos Moura, mantém contratos com a Prefeitura de Salvador desde a administração de ACM Neto.

Entre janeiro e agosto de 2026, a companhia recebeu R$ 47,8 milhões do município, segundo os valores apresentados. Os contratos permaneceram em execução após o encerramento do mandato do ex-prefeito.

Dados já publicados pelo Jornal Grande Bahia registram os R$ 47,8 milhões pagos à MM Limpeza Urbana pela Prefeitura de Salvador nos primeiros oito meses de 2026.

A continuidade contratual ganha relevância pública diante do indiciamento de Moura porque coloca sob atenção a relação entre uma empresa vinculada a investigado pela Polícia Federal e uma das maiores administrações municipais da Bahia.

A existência de contratos e pagamentos públicos, entretanto, não estabelece, por si mesma, irregularidade na prestação dos serviços nem demonstra conexão automática entre os recursos municipais e os crimes investigados pela Operação Overclean.

Banco Master aparece nas relações financeiras envolvendo a MM Limpeza Urbana

Outro eixo apresentado envolve o Banco Master.

Em 2024, a instituição financeira pagou R$ 1,43 milhão à MM Limpeza Urbana. O valor insere a empresa ligada ao “Rei do Lixo” em um conjunto de relações comerciais que ultrapassa os contratos de limpeza urbana mantidos com administrações públicas.

O pagamento do Banco Master à empresa de Moura já havia sido objeto de reportagem do Jornal Grande Bahia, que registrou aproximadamente R$ 1,4 milhão transferido à companhia.

No mesmo ano, segundo as informações apresentadas, o Banco Master realizou pagamentos de R$ 5,4 milhões a uma empresa pertencente a ACM Neto e sua esposa.

Os dois fluxos financeiros — R$ 1,43 milhão para a MM Limpeza Urbana e R$ 5,4 milhões para uma empresa de ACM Neto e sua esposa — acrescentam uma frente empresarial ao conjunto de relações descritas entre pessoas e companhias mencionadas no contexto político e investigativo.

A coincidência temporal dos pagamentos constitui informação de interesse jornalístico, mas não autoriza concluir, sem documentação adicional, que as operações possuem relação entre si ou que resultaram de uma mesma negociação.

Relações políticas, empresariais e familiares ampliam repercussão da Overclean

O conjunto das informações articula diferentes níveis de relacionamento em torno de José Marcos Moura.

No plano político, o empresário é apresentado como integrante da direção nacional do União Brasil por indicação de ACM Neto e participante da organização de chapas eleitorais na Bahia.

No plano familiar e patrimonial, Renata Magalhães, irmã do ex-prefeito, aparece como sócia de Moura na propriedade de uma aeronave.

No plano empresarial, a MM Limpeza Urbana mantém contratos com a Prefeitura de Salvador e recebeu R$ 47,8 milhões entre janeiro e agosto de 2026.

No setor financeiro privado, a companhia recebeu R$ 1,43 milhão do Banco Master em 2024, enquanto outra empresa, pertencente a ACM Neto e sua esposa, recebeu R$ 5,4 milhões da mesma instituição naquele ano.

A combinação desses elementos aumenta a repercussão política da Operação Overclean, principalmente porque ACM Neto disputa novamente o Governo da Bahia nas eleições de 2026 e ocupa posição relevante dentro do União Brasil.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • Eleições de 2022 — Segundo a coluna de Malu Gaspar, José Marcos Moura participou da construção de chapas políticas na Bahia. A atuação reforça sua inserção na estrutura político-partidária associada ao União Brasil.
  • Eleições de 2024 — Moura voltou a participar, segundo a publicação, da articulação de chapas eleitorais no estado, mantendo atuação política paralela às atividades empresariais.
  • 2024 — O Banco Master pagou R$ 1,43 milhão à MM Limpeza Urbana, empresa ligada a Moura. No mesmo período, realizou pagamentos de R$ 5,4 milhões a uma empresa de ACM Neto e sua esposa.
  • 10/12/2024 — A Operação Overclean aparece nos registros oficiais da Controladoria-Geral da União entre as operações especiais realizadas naquele ano.
  • Operação Overclean — período do indiciamento não especificado no conteúdo — A Polícia Federal indiciou José Marcos Moura por suspeitas de corrupção, fraude em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Janeiro a agosto de 2026 — A MM Limpeza Urbana recebeu R$ 47,8 milhões da Prefeitura de Salvador pela execução de contratos municipais.
  • 18/08/2026 — Coluna de Malu Gaspar, em O Globo, volta a colocar no centro do debate a proximidade entre Moura e ACM Neto, a sociedade do empresário com Renata Magalhães em uma aeronave e a indicação de Moura para a direção nacional do União Brasil.

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