Justiça decreta prisão preventiva de seis torcedores investigados por homicídio antes de Ba-Vi em Salvador

A Justiça de Salvador decretou a prisão preventiva de seis homens detidos em flagrante no domingo (23/08/2026), em investigação sobre um homicídio e tentativas de homicídio ocorridos horas antes do último Ba-Vi, realizado no Estádio Manoel Barradas, o Barradão, pelo Campeonato Brasileiro. A decisão foi proferida pelo Juízo da 1ª Vara das Garantias de Salvador após as audiências de custódia realizadas nesta terça-feira (25/08/2026).

Os custodiados são investigados, conforme a decisão judicial, pela suposta prática de homicídio doloso qualificado e tentativas de homicídio doloso qualificado, além de condutas relacionadas ao emprego de artefato explosivo, porte de arma branca fora de casa e promoção ou incitação de violência em área próxima a evento esportivo.

O episódio ocorreu por volta das 12h10, na Avenida 29 de Março, nas proximidades da Ladeira de Cajazeiras VIII, em Salvador, horas antes da partida entre Bahia e Vitória. Segundo os autos, a prisão preventiva foi determinada como medida excepcional para garantir a ordem pública e a instrução criminal.

Seis homens foram detidos próximos ao local do homicídio

De acordo com as informações constantes da decisão, os seis homens foram localizados pela Polícia Militar a aproximadamente 300 metros do local onde ocorreu o homicídio de José Alexandre Souza Borges, integrante da torcida organizada Bamor, ligada ao Esporte Clube Bahia.

Os suspeitos estavam, segundo o processo, em meio a um grupo estimado em cerca de 80 integrantes da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), ligada ao Esporte Clube Vitória. Conforme registrado nos autos, os seis apresentavam manchas aparentemente de sangue em roupas, calçados e/ou partes do corpo.

A decisão registra que os custodiados não apresentaram, naquele momento, justificativa considerada idônea para a presença das manchas. A circunstância será objeto de investigação e de análise pericial para determinar eventual relação com os crimes investigados.

Investigação inclui reconhecimento e análise genética

Um dos seis custodiados foi reconhecido por duas vítimas sobreviventes, conforme consta da decisão judicial. O homem também responde a outro processo criminal pela suposta prática de crime doloso contra a vida e cumpre pena decorrente de condenação por tráfico de drogas.

Ainda de acordo com os autos, não constam antecedentes criminais em relação aos outros cinco custodiados. A situação individual de cada investigado deverá ser analisada no decorrer da investigação e do processo judicial.

O juiz Horácio Moraes Pinheiro autorizou a coleta de material biológico dos seis custodiados para obtenção de perfis genéticos. O objetivo é permitir posterior confronto pericial com material hemático encontrado nas armas brancas e nas vestimentas apreendidas.

Material genético será confrontado com vestígios de sangue

A coleta autorizada pela Justiça busca contribuir para a individualização das condutas atribuídas aos investigados. O confronto entre os perfis genéticos e os vestígios encontrados deverá ser realizado por meio de análise pericial.

A medida ocorre no contexto de uma investigação que busca estabelecer a participação individual dos envolvidos no homicídio e nas tentativas de homicídio. A existência de vestígios biológicos, por si só, não estabelece a responsabilidade criminal dos custodiados, que ainda serão submetidos às demais etapas da investigação e do processo.

A decisão também envolve apurações sobre armas brancas, artefato explosivo e possível violência relacionada ao evento esportivo, conforme os fatos descritos nos autos.

Processo será encaminhado ao Tribunal do Júri

Com a decisão das audiências de custódia, os autos serão remetidos a uma das Varas do Tribunal do Júri de Salvador, que ficará responsável pela condução do processo e pelas próximas decisões judiciais relacionadas ao caso.

Entre as medidas que ainda deverão ser analisadas está o pedido de quebra do sigilo de dados telemáticos e telefônicos dos celulares apreendidos. A providência poderá integrar a investigação sobre a dinâmica dos acontecimentos e a eventual participação dos envolvidos.

O caso ocorreu antes do último Ba-Vi disputado no Barradão pelo Campeonato Brasileiro e envolve integrantes de torcidas organizadas dos dois clubes. A investigação continuará com a produção de provas destinadas a esclarecer a dinâmica do homicídio, das tentativas de homicídio e das demais condutas apontadas na decisão judicial.

A prisão preventiva, neste estágio, não representa condenação dos investigados. A responsabilidade criminal de cada um deverá ser definida no curso do processo, a partir das provas produzidas e submetidas à apreciação da Justiça.


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