O Nordeste deverá superar, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/2026. A estimativa representa crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior e contrasta com a previsão de queda de 2,5% na produção brasileira, projetada em 3,98 milhões de toneladas. Os dados constam de estudo elaborado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste.
O desempenho regional deverá ser liderado pela Bahia e pelo Piauí. A Bahia tem produção estimada em 862,2 mil toneladas, enquanto o Piauí poderá alcançar 87,6 mil toneladas, alta de 38,4% em relação à safra anterior. Com esses resultados, os dois estados deverão ocupar, respectivamente, a segunda e a terceira posições entre os maiores produtores de algodão do Brasil.
O levantamento também aponta aumento da produtividade regional. O Nordeste deverá atingir média de 2.027 quilos de algodão por hectare, acima da estimativa nacional de 1.969 quilos por hectare. O resultado amplia a participação da região na cotonicultura brasileira e mantém uma sequência de crescimento observada desde a safra 2022/2023.
Bahia e Piauí sustentam avanço da produção
Segundo Jackson Dantas Coêlho, economista do Etene e autor do estudo, as perspectivas para a cadeia da cotonicultura regional permanecem relacionadas às condições de produção e ao comportamento da economia. A análise considera a possibilidade de estabilidade ou crescimento da atividade na safra 2026/2027.
Entre os fatores que podem influenciar o consumo interno estão a evolução do emprego, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e o comportamento da inflação. O cenário também é condicionado pelo nível elevado dos juros e pela instabilidade geopolítica internacional.
Para o economista, as projeções indicam possibilidade de aumento de 2,1% no consumo interno de algodão em 2026/2027. No comércio exterior, a manutenção de uma produção nacional elevada contribui para a posição brasileira no mercado internacional da fibra.
Exportações nordestinas crescem em 2026
O avanço da cotonicultura regional também aparece nos dados de comércio exterior. Entre janeiro e junho de 2026, as exportações nordestinas de algodão registraram crescimento de 11,5% em valor e 17,6% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.
A China voltou a ser o principal destino do algodão produzido na região, concentrando 24% das exportações nordestinas tanto em valor quanto em volume. Na sequência aparecem Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia entre os principais compradores.
Bahia, Maranhão e Piauí concentraram as vendas externas do Nordeste no período. A Bahia manteve a liderança regional e elevou sua participação de 85% para 88% das exportações nordestinas de algodão, reforçando o peso do estado no comércio exterior da commodity.
Brasil mantém liderança nas exportações
O estudo do Etene destaca que o Brasil permanece como o maior exportador mundial de algodão e o terceiro maior produtor. No mercado internacional, a demanda segue concentrada principalmente em países asiáticos, enquanto fatores econômicos e externos interferem nas condições de comercialização.
Entre os elementos monitorados estão as oscilações dos preços do petróleo, as tensões geopolíticas e as condições climáticas. Esses fatores podem alterar custos, preços e fluxos comerciais ao longo dos ciclos de produção e comercialização.
A previsão de crescimento do Nordeste ocorre, portanto, em um mercado sujeito a variáveis nacionais e internacionais. A evolução das exportações regionais no primeiro semestre de 2026 indica aumento das vendas externas, enquanto a produção estimada para a safra 2025/2026 amplia a participação nordestina no cenário nacional.
Custos e disputa por áreas são desafios
Apesar das projeções de crescimento, o levantamento aponta desafios para a atividade. Entre eles estão o aumento dos custos de produção e a concorrência por áreas agrícolas com culturas como soja e milho.
A expansão da produção regional ocorre em um contexto de sucessivos recordes registrados desde a safra 2022/2023. Bahia e Piauí aparecem como os principais responsáveis pelo avanço projetado, enquanto outros estados também participam da produção e das exportações nordestinas.
A combinação entre aumento da produção, produtividade acima da média nacional e crescimento das exportações coloca o Nordeste em uma posição de maior participação na cotonicultura brasileira. A projeção de superar 1 milhão de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/2026 representa um marco para a produção regional, segundo o estudo do Etene.








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