O mercado formal de trabalho brasileiro encerrou julho com 58.568 novas vagas, enquanto a Bahia registrou saldo positivo de 4.664 postos, Salvador abriu 93 vagas e Feira de Santana apresentou saldo negativo de 431 empregos. Os números do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na sexta-feira (28/08/2026), revelam comportamentos distintos entre o cenário nacional, estadual e os dois principais centros urbanos baianos analisados. No país, foram contabilizadas 2.262.888 admissões, 2.204.320 desligamentos e um estoque de 48.082.866 vínculos formais.
Brasil, Bahia, Salvador e Feira de Santana: dados consolidados de julho
Os dados nacionais e os recortes do painel do Novo Caged para a Bahia, Salvador e Feira de Santana permitem observar simultaneamente o volume de movimentações, o resultado líquido do mês e a dimensão do mercado formal de cada território.
Na Bahia, a diferença entre as 90.087 contratações e os 85.423 desligamentos resultou na abertura líquida de 4.664 empregos. O estoque estadual alcançou 2.198.951 vínculos formais, conforme o painel referente à competência de julho de 2026.
Os dois municípios observados, entretanto, apresentaram situações distintas. Em Salvador, admissões e desligamentos permaneceram praticamente equilibrados: foram 25.556 entradas e 25.463 saídas, produzindo saldo positivo de apenas 93 vagas. O estoque da capital chegou a 681.587 empregos formais.
Feira de Santana registra mais desligamentos do que admissões
Em Feira de Santana, o movimento foi inverso ao observado no conjunto da Bahia. O município contabilizou 5.726 admissões e 6.157 desligamentos em julho, diferença que produziu saldo negativo de 431 empregos formais.
O estoque municipal informado pelo painel ficou em 151.346 vínculos. O resultado significa que, especificamente na competência de julho, as saídas do mercado formal superaram as contratações.
Os gráficos históricos apresentados no painel também evidenciam oscilações mensais no saldo de Feira de Santana desde 2020. Por isso, o resultado de julho representa uma fotografia mensal do mercado formal e deve ser acompanhado pelas competências seguintes para determinar sua duração e dimensão dentro da trajetória de 2026.
Mercado brasileiro mantém saldo positivo, mas ritmo varia entre setores
No Brasil, quatro dos cinco grandes grupamentos econômicos terminaram julho com geração líquida de empregos. Serviços apresentou o maior saldo, com 24.098 postos, impulsionado principalmente pelas atividades de Transporte, Armazenagem e Correio, responsáveis por 15.222 vagas.
A Construção abriu 12.691 postos, enquanto a Agropecuária registrou 12.523 e a Indústria, 11.315. O Comércio foi o único dos cinco grandes setores com saldo negativo, ao eliminar 2.056 vagas no mês.
O comportamento setorial mostra que o resultado positivo nacional não ocorreu de maneira uniforme. Serviços responderam pela maior parcela da expansão líquida, enquanto o comércio terminou o período com número de desligamentos superior ao de contratações.
Emprego cresce em 22 das 27 unidades da Federação
No recorte territorial, 22 das 27 unidades da Federação apresentaram saldo positivo em julho. Em números absolutos, São Paulo liderou, com 17.814 novos empregos, seguido por Mato Grosso, com 5.766, e Minas Gerais, com 5.199.
Na análise proporcional, os maiores crescimentos foram registrados no Amazonas, com 0,63%, em Mato Grosso, com 0,59%, e no Piauí, com 0,52%.
Do total de postos gerados no mês, 95,1% foram classificados como empregos típicos e 4,9% como não típicos. Nesse segundo grupo aparecem principalmente trabalhadores intermitentes, com saldo de 4.344, e pessoas físicas vinculadas ao Cadastro de Atividades Econômicas da Pessoa Física (CAEPF), com 1.911 postos.
Jovens concentram saldo positivo de empregos
Os dados por perfil populacional apontam saldo de 38.085 vagas entre homens e 20.483 entre mulheres durante julho.
A diferença mais expressiva aparece no recorte etário. A população de até 24 anos apresentou saldo positivo de 89.425 postos, enquanto o conjunto de pessoas com mais de 25 anos registrou saldo negativo de 30.857 vagas.
Por escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo tiveram saldo de 50.675 empregos, seguidos daqueles com ensino médio incompleto, com 12.027.
Pardos e pretos apresentam saldo positivo no recorte informado
Na classificação por raça ou cor apresentada pelo Novo Caged, trabalhadores pardos registraram saldo de 64.881 vagas, enquanto trabalhadores pretos tiveram resultado positivo de 10.694 postos.
Também foram registrados saldos positivos entre amarelos, com 481, e indígenas, com 63. Entre trabalhadores brancos, o resultado líquido foi negativo em 7.216 postos.
Os diferentes resultados devem ser compreendidos como saldos das movimentações registradas no emprego formal durante o período, isto é, a diferença entre admissões e desligamentos nos respectivos grupos.
Salário real médio de admissão chega a R$ 2.419,23
O salário médio real de admissão alcançou R$ 2.419,23 em julho, diante de R$ 2.404,10 em junho. A diferença foi de R$ 15,13, equivalente a crescimento de 0,6%.
Na comparação com julho de 2025, houve acréscimo real de R$ 48,38, ou 2,04%.
Entre os vínculos classificados como típicos, o salário real médio de entrada foi de R$ 2.456,27, valor 1,5% superior à média geral. Para trabalhadores enquadrados em vínculos não típicos, a remuneração média chegou a R$ 2.142,12, ficando 11,5% abaixo da média.
Brasil acumula 972,2 mil vagas formais em 2026
Entre janeiro e julho, o mercado brasileiro acumulou saldo positivo de 972.203 empregos formais, correspondente a crescimento de 2,06%.
Considerando os 12 meses entre agosto de 2025 e julho de 2026, o saldo foi de 880.717 empregos com carteira assinada, expansão de 1,87%.
A diferença entre os dois indicadores decorre dos períodos de comparação: o primeiro considera exclusivamente as competências transcorridas de 2026, enquanto o segundo acompanha uma janela móvel de 12 meses.
Serviços lideram geração de empregos no acumulado do ano
Também no acumulado de janeiro a julho, quatro dos cinco grandes grupamentos econômicos permaneceram com resultado positivo. Serviços lideraram com 591.519 novos postos, equivalentes a crescimento de 2,58%.
Dentro desse segmento, as atividades de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas responderam por 211.823 empregos.
A Construção acumulou 180.449 novas vagas, crescimento de 6,12%, com 71.711 postos relacionados às obras de infraestrutura. A Indústria registrou saldo de 154.052 empregos, alta de 1,7%, enquanto a Agropecuária adicionou 54.106 postos.
Comércio é o único grande setor negativo no acumulado
O Comércio foi o único dos cinco grandes grupamentos com resultado negativo também no acumulado do ano, ao registrar redução líquida de 7.896 empregos entre janeiro e julho.
Entre as unidades da Federação, os maiores saldos absolutos acumulados foram registrados em São Paulo, com 267.107 empregos, Minas Gerais, com 113.981, e Paraná, com 68.243.
Em termos relativos, Amapá, com 4,79%, Mato Grosso, com 3,96%, e Piauí, com 3,74%, apresentaram as maiores variações no período.
Diferenças locais exigem acompanhamento das próximas competências
O recorte de julho mostra que o saldo positivo de 58.568 empregos no Brasil e de 4.664 na Bahia não se reproduziu com a mesma intensidade nos dois municípios baianos examinados.
Em Salvador, a diferença de apenas 93 postos entre admissões e desligamentos demonstra um mercado próximo do equilíbrio no mês. Em Feira de Santana, a diferença foi negativa, com 431 desligamentos líquidos, apesar da manutenção de um estoque superior a 151 mil vínculos formais.
A leitura conjunta evidencia uma característica fundamental das estatísticas do mercado de trabalho: números agregados positivos podem coexistir com estabilidade ou retração em determinados territórios. O resultado nacional, portanto, não elimina diferenças regionais, municipais e setoriais.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Agosto de 2025 a julho de 2026 — O Brasil acumula saldo de 880.717 empregos formais nos últimos 12 meses, equivalente a crescimento de 1,87%.
- Janeiro a julho de 2026 — O mercado formal brasileiro registra saldo acumulado de 972.203 vagas, com expansão de 2,06%. Serviços lideram a geração de postos, com 591.519 empregos.
- Julho de 2026 — O Brasil registra 2.262.888 admissões, 2.204.320 desligamentos e saldo positivo de 58.568 empregos. O estoque nacional chega a 48.082.866 vínculos formais.
- Julho de 2026 — Bahia — O estado contabiliza 90.087 admissões, 85.423 desligamentos e saldo de 4.664 empregos, com estoque de 2.198.951 vínculos.
- Julho de 2026 — Salvador — A capital registra 25.556 admissões, 25.463 desligamentos, saldo positivo de 93 postos e estoque de 681.587 empregos formais.
- Julho de 2026 — Feira de Santana — O município contabiliza 5.726 admissões e 6.157 desligamentos, encerrando a competência com saldo negativo de 431 postos e estoque de 151.346 empregos formais.
- 28/08/2026 — O Ministério do Trabalho e Emprego apresenta os resultados do Novo Caged referentes à competência de julho de 2026.
Os indicadores de julho revelam duas dimensões simultâneas do mercado de trabalho. No plano agregado, Brasil e Bahia continuaram criando empregos formais. No plano municipal, contudo, os resultados foram significativamente diferentes: Salvador permaneceu praticamente estável e Feira de Santana registrou contração. A divergência demonstra a necessidade de evitar que o desempenho nacional ou estadual seja automaticamente projetado sobre economias locais.
O desempenho setorial também merece acompanhamento. Serviços continuaram como principal fonte de novas vagas tanto no mês quanto no acumulado de 2026, enquanto o Comércio foi o único dos cinco grandes grupamentos a apresentar resultado negativo em julho e no acumulado do ano. Essa composição ajuda a identificar em quais áreas se concentra a capacidade recente de absorção de trabalhadores pelo mercado formal.
Outro aspecto relevante está no perfil das contratações. O saldo fortemente positivo entre pessoas de até 24 anos, contrastando com resultado negativo entre trabalhadores acima dessa idade, assim como as diferenças observadas por escolaridade e raça ou cor, indicam que o saldo agregado de empregos distribui-se de forma desigual entre segmentos da população. A continuidade desses movimentos nas próximas competências será necessária para determinar se representam tendência ou oscilação mensal.
O acompanhamento das próximas divulgações do Ministério do Trabalho e Emprego será particularmente relevante para Bahia, Salvador e Feira de Santana. A questão central será verificar se o saldo estadual continuará positivo, se Salvador retomará maior geração líquida de postos e se o resultado negativo de Feira de Santana em julho será revertido ou persistirá. Esses indicadores têm consequências diretas para políticas de emprego, qualificação profissional, desenvolvimento econômico e acompanhamento da atividade produtiva pelos governos estadual e municipais.








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