A candidatura de Wagner Alves, marido da prefeita Sheila Lemos, a deputado estadual abriu uma disputa por espaços dentro do campo político que apoia ACM Neto em Vitória da Conquista, provocou rearranjos entre lideranças locais e passou a alimentar avaliações sobre possíveis reflexos na eleição para o Governo da Bahia. Nesta quarta-feira (26/08/2026), o radialista Deusdete Dias, durante entrevista ao programa Giro Baiana, da rádio Baiana 89,3 FM, afirmou que a prefeita teria “esfacelado” o grupo ao priorizar a candidatura do marido. A cronologia política, contudo, mostra um quadro mais complexo: existem divergências concretas e projetos eleitorais concorrentes, mas a candidatura de Wagner é pública desde agosto de 2025, foi lançada formalmente com a presença de ACM Neto em 22/05/2026, e os registros mais recentes demonstram que a aliança entre Neto e Sheila permanece publicamente ativa.
A disputa ganhou relevância porque envolve algumas das principais lideranças da base municipal. O vice-prefeito Aloisio Alan deixou de apoiar Wagner para defender a candidatura da própria esposa, a vereadora Lara Fernandes; Diogo Azevedo, vereador mais votado em 2024, deixou o União Brasil e ingressou no PSDB em meio a uma ruptura política com o núcleo da prefeita; e o deputado estadual Tiago Correia, tradicionalmente votado no município, reconheceu que a entrada de Wagner reduziria sua expectativa eleitoral em Vitória da Conquista. Ao mesmo tempo, ACM Neto esteve publicamente ao lado de Sheila, Wagner, Alan e outras lideranças locais em diferentes momentos de 2026, circunstância que impede tratar, até agora, a fragmentação das candidaturas proporcionais como rompimento consumado da aliança majoritária.
Deusdete Dias diz que candidatura de Wagner Alves fragmentou grupo político
Durante a entrevista desta quarta-feira, Deusdete Dias atribuiu diretamente à decisão de Sheila Lemos de apoiar o marido a divisão observada entre lideranças que integravam sua base política.
“Ela, de última hora, sem conversar com ninguém, sem ter o diálogo com ninguém empurrou de goela abaixo o seu marido para ser candidato. Ela rompeu com o grupo. O grupo se esfacelou na cidade”, afirmou.
O radialista citou como evidências da crise o afastamento do vereador mais votado da cidade, divergências com o vice-prefeito Aloisio Alan e com a vereadora Lara Fernandes, além de insatisfação atribuída ao líder do governo municipal na Câmara, Edivaldo Ferreira Júnior.
“O próprio líder da prefeita na Câmara de Vereadora, o vereador Edvaldo Ferreira, está muito zangado e fala até em entregar o cargo de liderança, e nós sabemos que o candidato ao governo do estado ACM Neto está muito zangado com essa situação na cidade”, declarou Dias.
Cronologia relativiza afirmação de que candidatura surgiu “de última hora”
A caracterização da candidatura de Wagner Alves como uma decisão tomada “de última hora” não corresponde à sequência pública de acontecimentos registrada desde o ano passado.
Em 4 de agosto de 2025, Sheila Lemos já declarava publicamente que articulações estavam em andamento para lançar Wagner nas eleições de 2026, então com possibilidades consideradas para a Assembleia Legislativa ou a Câmara dos Deputados. A confirmação da pré-candidatura ganhou repercussão pública no início daquele mês.
Poucos dias depois, em 8 de agosto de 2025, Wagner apresentou o projeto como uma construção coletiva. À época, afirmou que a iniciativa seria do “grupo político” e defendeu uma candidatura vinculada diretamente a Vitória da Conquista. Sheila aparecia desde aquele momento como sua principal apoiadora.
Quando a campanha eleitoral de 2026 entrou em sua fase decisiva, o projeto já havia atravessado aproximadamente um ano de exposição pública. A controvérsia, portanto, está menos na inexistência de conhecimento prévio da candidatura e mais nos efeitos que a consolidação do nome de Wagner produziu sobre aliados que também dependem do eleitorado conquistense.
Tiago Correia admitiu impacto eleitoral, mas reconheceu legitimidade da candidatura
Um dos primeiros sinais objetivos de tensão surgiu envolvendo o deputado estadual Tiago Correia (PSDB), aliado do mesmo campo político e com base eleitoral em Vitória da Conquista.
Em 20/01/2026, Correia afirmou ter sido surpreendido pela pré-candidatura de Wagner. O parlamentar havia recebido quase 11 mil votos no município nas eleições anteriores e reconheceu que a entrada de um candidato diretamente ligado à prefeita diminuiria sua expectativa de votação local. A estratégia, segundo declarou, seria compensar a eventual redução com votos em outros municípios.
A posição do deputado, contudo, não foi de contestação ao direito de Wagner disputar a eleição. Correia classificou o projeto como legítimo e, em manifestações posteriores, continuou tratando Sheila como integrante de seu campo político. Em entrevista anterior sobre o tema, argumentou que uma cidade da dimensão de Vitória da Conquista comporta diversos deputados e que o surgimento de um nome mais próximo da prefeita naturalmente dividiria apoios, sem necessariamente extinguir a parceria política.
Em 23/02/2026, Sheila procurou afastar publicamente a hipótese de crise com Tiago Correia. Segundo a prefeita, a decisão de construir uma candidatura local havia sido precedida por pesquisa que indicaria demanda de eleitores de centro-direita por um representante diretamente vinculado ao município.
Ela afirmou ainda que havia conversado com Tiago Correia, o deputado federal Adolfo Viana e ACM Neto e que teria sido estabelecido um entendimento de respeito às respectivas bases eleitorais. Na ocasião, declarou não acreditar que a disputa produziria problemas entre os integrantes do grupo.
ACM Neto participou do lançamento de Wagner Alves em maio
Outro elemento relevante para dimensionar a afirmação de que ACM Neto teria se irritado com a candidatura está no ato político realizado em 22/05/2026, em Vitória da Conquista.
Naquela data, a pré-candidatura de Wagner Alves à Assembleia Legislativa foi apresentada formalmente em evento realizado na Casa Rafiki. ACM Neto participou do lançamento ao lado de Sheila Lemos e de lideranças políticas da região. A cobertura do evento registrou manifestações favoráveis do candidato ao Governo da Bahia ao projeto de Wagner.
A presença de Neto é particularmente relevante porque ocorreu cerca de três meses antes da entrevista de Deusdete Dias e quando a intenção de Wagner disputar uma cadeira estadual já estava plenamente estabelecida.
Em 22/07/2026, dois meses depois, a Convenção Estadual do União Brasil, no Centro de Convenções de Salvador, oficializou tanto a candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia quanto a de Wagner Alves a deputado estadual. Wagner participou do encontro ao lado da prefeita.
Lara Fernandes e Aloisio Alan passaram a disputar o mesmo eleitorado
A fragmentação mais evidente dentro da administração municipal ocorreu com a formação de outro projeto para a Assembleia Legislativa.
A vereadora Lara Fernandes (Republicanos) já discutia sua pré-candidatura desde 2025. Em entrevista concedida em 08/01/2026, ela afirmou que a iniciativa partira de sua própria trajetória política e declarou que Sheila Lemos não havia se oposto à possibilidade de sua candidatura. Naquele momento, a vereadora tratava a coexistência das diferentes pretensões eleitorais como algo administrável.
A mudança ocorreu no início de abril de 2026. O vice-prefeito Aloisio Alan, marido de Lara, que anteriormente havia demonstrado apoio ao projeto de Wagner, anunciou que passaria a apoiar a candidatura da esposa à Assembleia Legislativa.
O movimento criou uma concorrência eleitoral dentro do próprio núcleo que administra Vitória da Conquista: de um lado, Sheila Lemos apoia o marido; de outro, seu vice apoia a própria esposa.
Apesar da divisão, Aloisio Alan e Sheila procuraram, naquele momento, separar a escolha dos candidatos proporcionais da relação administrativa mantida na Prefeitura. As declarações públicas não sustentavam, então, a existência de um rompimento institucional entre prefeita e vice.
A disputa hoje está formalizada. Wagner Santos Alves Dias, pelo União Brasil, concorre a deputado estadual com o número 44100; Lara de Castro Araújo Fernandes, pelo Republicanos, disputa o mesmo cargo com o número 10022. Os registros mais recentes disponíveis indicam candidaturas deferidas.
Essa concorrência tende a disputar lideranças, cabos eleitorais e votos de segmentos que, na eleição municipal de 2024, estiveram associados à mesma chapa formada por Sheila e Alan. Isso constitui fragmentação eleitoral objetiva; não significa automaticamente, entretanto, que essas forças tenham deixado de apoiar o mesmo candidato a governador.
Diogo Azevedo protagonizou a ruptura mais profunda
O caso politicamente mais consistente de afastamento envolve Diogo Azevedo, eleito vereador em 2024 pelo União Brasil com 6.017 votos e apontado nas informações eleitorais locais como o parlamentar mais votado daquele pleito municipal.
Ao longo de 2026, Diogo deixou o União Brasil e migrou para o PSDB, passando a construir candidatura a deputado federal e aproximando-se politicamente de Tiago Correia. Em 30/05/2026, a imprensa local registrou o agravamento da relação com a prefeita e a exoneração de aliados ligados ao vereador de cargos da administração municipal.
Sheila Lemos contestou a interpretação de que as exonerações representassem perseguição política. Em 03/06/2026, negou publicamente uma ruptura motivada pela candidatura de Diogo ou uma retaliação contra o vereador e Tiago Correia.
O conflito adquiriu posteriormente uma dimensão eleitoral e judicial. Em 13/08/2026, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia cassou o mandato de Diogo Azevedo. O vereador anunciou que recorreria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atribuiu o processo a perseguição política. A acusação é posição do próprio parlamentar e não equivale a conclusão judicial sobre as motivações do processo.
Paralelamente, Diogo concorre em 2026 a deputado federal pelo PSDB, com o número 4550, ampliando o número de candidaturas surgidas entre lideranças que anteriormente estavam associadas ao grupo municipal.
É nesse caso que a expressão “rompimento” encontra maior sustentação política objetiva: houve mudança partidária, formação de projeto eleitoral próprio, perda de espaços na administração municipal e confronto público entre versões sobre os motivos do afastamento.
Edivaldo Ferreira fez cobranças públicas, mas permanece sem confirmação de saída da liderança
Edivaldo Ferreira Júnior (PSDB) foi escolhido oficialmente por Sheila Lemos como líder do governo na Câmara Municipal em 31/01/2025. A indicação lhe atribuiu a função de articular a relação entre o Executivo e os vereadores.
Durante 2026, ele continuou exercendo formalmente a função. Em 04/02/2026, a própria Câmara Municipal o identificava como líder do governo; o mesmo ocorreu em registros oficiais posteriores, inclusive em 29/04/2026, quando defendeu uma proposta de reorganização administrativa encaminhada pelo Executivo.
Em 17/06/2026, entretanto, Edivaldo fez uma cobrança pública aos secretários municipais. O vereador reclamou da dificuldade enfrentada por parlamentares para obter respostas de integrantes da administração e pediu mais diálogo entre secretarias e Câmara.
A manifestação demonstra existência de insatisfação administrativa, mas não comprova, isoladamente, rompimento político. Ainda no início de agosto de 2026, Edivaldo continuava sendo apresentado publicamente como líder do governo municipal.
Assim, a afirmação de Deusdete Dias de que o vereador estaria cogitando entregar a liderança depende de manifestação direta de Edivaldo Ferreira, da Câmara ou da Prefeitura para ser estabelecida como decisão política. Até os registros públicos mais recentes anteriores à entrevista, ele permanecia no posto.
Ausência de ACM Neto no São João alimentou especulações sobre distanciamento
Deusdete Dias também mencionou a ausência de ACM Neto nas festividades de São João de Vitória da Conquista como sinal de descontentamento.
A ausência ocorreu e ganhou repercussão política no final de junho de 2026. Em 26/06/2026, reportagem sobre o Arraiá da Conquista relacionou a ausência de Neto e de outras lideranças estaduais do União Brasil a especulações sobre eventual isolamento político de Sheila. Na mesma ocasião, Aloisio Alan participou de ambiente político distinto ao lado de Lara Fernandes, enquanto a prefeita circulava com Wagner Alves.
Neto, naquele período, cumpriu agendas juninas em outros municípios baianos, incluindo Senhor do Bonfim, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus.
Reunião de julho enfraqueceu narrativa de rompimento entre Neto e Sheila
Poucos dias depois das especulações surgidas durante o São João, novos movimentos públicos indicaram manutenção da relação política entre ACM Neto e Sheila Lemos.
Em 06/07/2026, Neto participou de reunião política com Sheila, João Roma e Wagner Alves para tratar das eleições. Na ocasião, declarou que a prefeita e Wagner participariam da convenção estadual marcada para 22 de julho.
Nos dias seguintes, Neto também fez referência pública à importância de Sheila na campanha estadual, classificando-a como liderança regional e destacando sua participação na convenção.
A reunião teve precisamente o efeito político de enfrentar rumores de afastamento. Cobertura publicada em 07/07/2026 registrou que o encontro buscava dissipar a percepção de distanciamento e reafirmava a presença da prefeita na estratégia estadual do grupo.
Convenção de 22 de julho oficializou Neto e Wagner
Na quarta-feira, 22/07/2026, a convenção do União Brasil e partidos aliados realizada no Centro de Convenções de Salvador confirmou ACM Neto como candidato ao Governo da Bahia e Wagner Alves como candidato a deputado estadual.
Deusdete Dias afirmou que, durante o evento, Neto não teria citado Vitória da Conquista nem mencionado Sheila Lemos.
A referência específica à ausência dos nomes no discurso necessita ser distinguida das relações políticas registradas em torno da própria convenção. Dias apresenta a ausência como sinal de desgaste, mas não foi localizada manifestação de Neto atribuindo eventual omissão a qualquer divergência com a prefeita.
Além disso, antes do encontro, Neto havia anunciado publicamente que Sheila estaria presente e ressaltado sua importância como liderança regional. Wagner participou da convenção ao lado da prefeita.
Em 11 de agosto, ACM Neto voltou a Vitória da Conquista ao lado de Sheila e Alan
O acontecimento mais recente anterior à entrevista de Deusdete Dias ocorreu em 11/08/2026.
Naquela terça-feira, ACM Neto esteve em Vitória da Conquista para cumprir agenda com representantes do setor produtivo e lideranças políticas locais. Estavam presentes, entre outros, Sheila Lemos, o vice-prefeito Aloisio Alan, integrantes da chapa majoritária e aliados do município.
A presença conjunta é significativa porque ocorreu apenas 15 dias antes das declarações do radialista e depois das disputas envolvendo as candidaturas de Wagner, Lara, Diogo e Tiago já estarem publicamente estabelecidas.
Durante a passagem pelo município, ACM Neto voltou a associar sua candidatura à administração de Sheila. Ao falar da relação com Vitória da Conquista, declarou que “a prefeita e a cidade terão um governador parceiro, amigo, presente” caso seja eleito.
Sheila reafirmou apoio a ACM Neto quatro dias antes da entrevista
A manutenção da aliança voltou a ser evidenciada no sábado (22/08/2026), durante o Festival de Inverno Bahia, em Vitória da Conquista.
Sheila participou das atividades políticas ao lado de Wagner Alves e reafirmou publicamente a escolha de suas duas principais candidaturas para a eleição estadual: “Meus candidatos ACM Neto e Wagner Alves.”
A declaração ocorreu apenas quatro dias antes da entrevista de Deusdete Dias.
Sheila entrou no segundo mandato com expressivo capital eleitoral
A relevância da disputa interna também decorre do peso eleitoral da prefeita no município.
Sheila assumiu definitivamente a Prefeitura em 22/03/2021, após a morte do prefeito Herzem Gusmão, de quem era vice. Em 2024, disputou a eleição municipal e conquistou um mandato próprio em primeiro turno.
Na eleição de 06/10/2024, a chapa formada por Sheila e Aloisio Alan recebeu 116.488 votos, garantindo a vitória no primeiro turno. Os dois foram diplomados pela Justiça Eleitoral em 17/12/2024 e tomaram posse em 01/01/2025.
Esse resultado demonstra a capacidade eleitoral da aliança que chegou ao comando municipal. Justamente por isso, a divisão entre Sheila, Alan e vereadores em torno de diferentes candidaturas legislativas pode assumir importância para a distribuição dos votos em 2026.
Vitória da Conquista foi um dos territórios favoráveis a ACM Neto em 2022
O risco político mencionado por Deusdete ganha dimensão adicional quando observado o resultado da eleição estadual anterior.
No segundo turno de 30/10/2022, ACM Neto recebeu 119.665 votos em Vitória da Conquista, equivalentes a 59,05% dos votos válidos, enquanto Jerônimo Rodrigues obteve 82.995 votos, ou 40,95%. Os dados eleitorais mostram que Neto venceu no município mesmo tendo sido derrotado no conjunto da Bahia.
A diferença foi de 36.670 votos em favor de Neto no município.
O desempenho transforma Vitória da Conquista em território eleitoral relevante para sua tentativa de chegar ao Governo da Bahia em 2026. Uma eventual redução da capacidade de mobilização das lideranças locais, portanto, pode ter valor estratégico para a campanha.
Wagner já está oficialmente na disputa e recebe apoio político e financeiro de Sheila
Encerrado o período das convenções e dos registros, Wagner não é mais apenas um pré-candidato. Wagner Santos Alves Dias, advogado, concorre pelo União Brasil à Assembleia Legislativa, sob o número 44100, e aparece com candidatura deferida nas informações eleitorais mais recentes.
A campanha também demonstra concretamente o envolvimento da prefeita. Dados de prestação de contas compilados a partir do sistema eleitoral registraram R$ 55 mil em receitas de campanha até o período consultado, dos quais R$ 20 mil foram destinados por Ana Sheila Lemos Andrade em 17/08/2026.
O aporte corresponde a mais de um terço do valor registrado naquele estágio inicial da campanha e confirma materialmente aquilo que Sheila já vinha anunciando desde 2025: a candidatura do marido é uma de suas prioridades eleitorais.
Eleições serão realizadas em 4 de outubro
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 04/10/2026, quando os eleitores escolherão presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais ou distritais. Eventual segundo turno para presidente e governos estaduais ocorrerá em 25/10/2026.
Assim, a reorganização política de Vitória da Conquista ocorre a menos de seis semanas da votação.
Nesse intervalo, será possível observar se as candidaturas concorrentes continuarão separando apenas os votos para deputado ou se as divergências passarão a atingir também a campanha majoritária de ACM Neto.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 30/10/2022 — Eleição para governador: ACM Neto vence o segundo turno em Vitória da Conquista com 119.665 votos (59,05%), contra 82.995 (40,95%) de Jerônimo Rodrigues. O resultado consolida o município como importante base eleitoral de Neto.
- 06/10/2024 — Eleição municipal: Sheila Lemos é reeleita em primeiro turno, tendo Aloisio Alan como vice. Publicação institucional sobre a diplomação registra 116.488 votos.
- 17/12/2024 — Diplomação: Sheila, Aloisio Alan e os vereadores eleitos recebem os diplomas da Justiça Eleitoral.
- 01/01/2025 — Segundo mandato: Sheila Lemos e Aloisio Alan tomam posse à frente da Prefeitura de Vitória da Conquista.
- 31/01/2025 — Liderança do governo: Edivaldo Ferreira Júnior é indicado líder da administração municipal na Câmara de Vereadores.
- Agosto de 2025 — Projeto Wagner Alves: Sheila confirma publicamente as articulações para lançar o marido nas eleições de 2026. Em 08/08/2025, Wagner apresenta a pré-candidatura como projeto político vinculado a Vitória da Conquista.
- 08/01/2026 — Projeto Lara Fernandes: a vereadora explica sua pré-candidatura à Assembleia e afirma que Sheila não havia se oposto à iniciativa.
- 20/01/2026 — Tiago Correia: o deputado estadual afirma ter sido surpreendido pela candidatura de Wagner e admite que poderá perder votos no município, embora considere legítimo o projeto.
- 23/02/2026 — Sheila afasta crise: a prefeita afirma ter conversado com Tiago Correia, Adolfo Viana e ACM Neto e diz existir entendimento para respeito às diferentes bases eleitorais.
- Início de abril de 2026 — Aloisio Alan muda apoio: o vice-prefeito deixa de apoiar Wagner e passa a defender a candidatura da esposa, Lara Fernandes, à Assembleia Legislativa.
- 22/05/2026 — Lançamento de Wagner: a pré-candidatura é lançada oficialmente em Vitória da Conquista, com participação de ACM Neto e Sheila Lemos.
- Final de maio de 2026 — Diogo Azevedo: a relação entre o vereador e o núcleo da prefeita se deteriora após sua mudança partidária e construção de candidatura a deputado federal; aliados ligados a ele deixam cargos municipais.
- 03/06/2026 — Contraditório de Sheila: a prefeita nega perseguição política ou retaliação contra Diogo e Tiago Correia.
- 17/06/2026 — Cobrança de Edivaldo: o líder do governo na Câmara faz críticas à falta de diálogo de secretários municipais com vereadores.
- Junho de 2026 — São João: ACM Neto não participa do Arraiá da Conquista, enquanto cumpre agendas juninas em outros municípios baianos. A ausência alimenta especulações sobre distanciamento político.
- 06/07/2026 — Reunião política: ACM Neto se reúne com Sheila, Wagner e João Roma e anuncia a participação da prefeita e do candidato a deputado na convenção estadual.
- 22/07/2026 — Convenção partidária: União Brasil e aliados oficializam ACM Neto para o Governo da Bahia e Wagner Alves para deputado estadual. Wagner comparece ao lado de Sheila.
- 11/08/2026 — Neto retorna a Vitória da Conquista: o candidato cumpre agenda no município acompanhado por Sheila, Aloisio Alan e outras lideranças e reafirma parceria política com a prefeita.
- 13/08/2026 — Caso Diogo Azevedo: o TRE-BA cassa o mandato do vereador, que anuncia recurso ao TSE e atribui o processo a perseguição política.
- 17/08/2026 — Financiamento da campanha: prestação de contas registra doação de R$ 20 mil de Sheila para a campanha de Wagner Alves.
- 22/08/2026 — Apoio reafirmado: durante o Festival de Inverno Bahia, Sheila reafirma publicamente que seus candidatos são ACM Neto e Wagner Alves.
- 26/08/2026 — Entrevista de Deusdete Dias: o radialista afirma que a candidatura de Wagner “esfacelou” o grupo político, atribui descontentamento a ACM Neto e prevê reflexos na votação para governador em Vitória da Conquista.
- 04/10/2026 — Primeiro turno: data definida pelo TSE para a votação de governador, deputados e demais cargos das Eleições Gerais de 2026.
Os acontecimentos documentados sustentam a existência de uma fragmentação da base municipal em torno das candidaturas proporcionais, mas não permitem concluir que o grupo de ACM Neto tenha sido integralmente desfeito em Vitória da Conquista. Existem fissuras objetivas: Tiago Correia perdeu a exclusividade do apoio da prefeita; Aloisio Alan passou a apoiar Lara Fernandes; Diogo Azevedo deixou o União Brasil e construiu projeto próprio; e diferentes lideranças passaram a disputar o mesmo eleitorado. Essa dispersão pode reduzir a capacidade de coordenação territorial de uma campanha, especialmente em um município onde Neto obteve 59,05% dos votos no segundo turno de 2022.
A cronologia, porém, relativiza pontos centrais da avaliação de Deusdete Dias. A candidatura de Wagner não surgiu “de última hora”: tornou-se pública em agosto de 2025, foi discutida abertamente durante meses e recebeu a participação direta de ACM Neto no lançamento realizado em 22/05/2026. Da mesma forma, não há confirmação pública da afirmação de que Neto esteja “muito zangado” com Sheila. Pelo contrário, entre julho e agosto o candidato reuniu-se com a prefeita, valorizou sua liderança regional, retornou a Vitória da Conquista ao lado dela e continuou sendo apresentado por Sheila como seu candidato ao Governo da Bahia.
A variável política relevante, portanto, não é apenas saber se houve “rompimento”, mas medir quanto da estrutura que elegeu Sheila e sustentou Neto no município continuará mobilizada em torno da candidatura majoritária. É perfeitamente possível que Wagner, Lara, Tiago e Diogo dividam votos proporcionais enquanto parte significativa de seus respectivos apoiadores permaneça reunida em torno de Neto. Também é possível que conflitos pessoais, partidários ou administrativos reduzam a coordenação e transfiram votos para adversários. Nenhuma das duas hipóteses está demonstrada antecipadamente.
O teste concreto ocorrerá até 04/10/2026. A evolução das agendas de ACM Neto no município, as manifestações públicas de Sheila Lemos, Aloisio Alan, Lara Fernandes, Tiago Correia, Diogo Azevedo e Edivaldo Ferreira, as decisões judiciais pendentes e a capacidade das diferentes candidaturas de organizar estruturas próprias permitirão dimensionar se Vitória da Conquista atravessa apenas uma pluralização eleitoral dentro do mesmo campo político ou uma ruptura capaz de alterar o desempenho de Neto em uma de suas principais bases urbanas na Bahia.








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