Neste domingo (20/09/2026), três dias após a divulgação da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia aparece com um novo recorde nominal no valor da produção agrícola: R$ 55,5 bilhões, crescimento de 16,9% sobre os R$ 47,4 bilhões registrados em 2024. O avanço, equivalente a cerca de R$ 8,0 bilhões, foi liderado pela soja, enquanto café canephora e algodão também tiveram contribuições expressivas. O estado manteve o 7º maior valor agrícola do Brasil, respondeu por 6,0% do total nacional e consolidou São Desidério e Formosa do Rio Preto, no Oeste baiano, entre os cinco municípios de maior valor da produção do país.
Bahia alcança segundo crescimento nominal consecutivo
Entre 2024 e 2025, o valor da produção agrícola baiana passou de R$ 47,440 bilhões para R$ 55,466 bilhões. Foi o segundo aumento nominal anual consecutivo e o maior valor registrado pelo levantamento desde o início do Plano Real, em 1994. O gráfico histórico apresentado na página 2 do comunicado do IBGE mostra a trajetória de expansão do indicador ao longo desse período.
O movimento ocorreu em um ano de recuperação da agricultura brasileira. O valor das principais culturas do país atingiu R$ 927,2 bilhões, alta nominal de 18,4%, depois de dois anos de retração. Houve crescimento em 25 das 27 unidades da Federação. Mato Grosso permaneceu na liderança, com R$ 165,6 bilhões, seguido por São Paulo, com R$ 124,0 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões. A Bahia permaneceu em sétimo lugar, embora sua participação tenha recuado ligeiramente de 6,1% para 6,0%.
No cenário nacional, o IBGE relacionou a recuperação de 2025 à safra recorde de grãos e ao aumento da produtividade de culturas como soja e milho, depois de um 2024 marcado por problemas climáticos em importantes regiões produtoras. A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas, crescimento de 18,2%.
Soja responde pela maior parcela do avanço baiano
A soja foi a principal responsável pelo aumento absoluto do valor agrícola da Bahia. O indicador passou de aproximadamente R$ 14,4 bilhões em 2024 para R$ 16,5 bilhões em 2025, acréscimo de R$ 2,1 bilhões, ou 14,7%. Sozinha, a oleaginosa respondeu por 29,8% de todo o valor da agricultura estadual.
O crescimento ocorreu também em volume físico. A produção baiana de soja chegou a 8,603 milhões de toneladas, aumento de 934,8 mil toneladas, ou 12,2%, em um ano. A Bahia permaneceu como o 7º maior produtor nacional em quantidade, com 5,2% da safra brasileira, mas caiu da sexta para a sétima posição em valor, ultrapassada por Minas Gerais.
O desempenho estadual acompanhou uma recuperação mais ampla da soja brasileira. Nacionalmente, o IBGE associou o resultado de 2025 a ganhos de produtividade, expansão de área e alguma recuperação dos preços em relação ao ano anterior. Durante o ciclo produtivo baiano, levantamentos da SEI também apontaram condições climáticas mais favoráveis e aumento da produtividade das lavouras.
Grãos atingem 13 milhões de toneladas e concentram metade do valor agrícola
O conjunto formado por cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu 13,0 milhões de toneladas na Bahia em 2025, avanço de 12,8% sobre as 11,6 milhões de toneladas de 2024. O volume é recorde na série apresentada pela PAM. O valor desses produtos alcançou R$ 28,1 bilhões, crescimento de 16,9%, e passou a representar 50,7% de toda a produção agrícola estadual.
Apesar da expansão, a Bahia caiu do sexto para o 7º maior valor de produção de grãos do Brasil, respondendo por 5,3% dos R$ 528 bilhões produzidos nacionalmente nesse grupo. Em 2024, a participação baiana havia sido de 5,6%. A diferença mostra que o estado cresceu em termos absolutos, mas outras unidades da Federação avançaram mais rapidamente.
Entre as maiores altas absolutas de todas as culturas baianas aparecem, além da soja, o café canephora, cujo valor aumentou aproximadamente R$ 1,9 bilhão, ou 85,0%, e o algodão herbáceo, com acréscimo de R$ 1,4 bilhão, ou 21,9%. Na direção oposta, os maiores recuos foram registrados pelo cacau, com redução de R$ 721,0 milhões (-11,1%); pela manga, com perda de R$ 600,7 milhões (-29,4%); e pela uva, que caiu R$ 415,8 milhões (-44,0%).
Algodão ultrapassa cacau e assume segunda posição
O algodão herbáceo passou de R$ 6,4 bilhões para R$ 7,9 bilhões em valor da produção entre 2024 e 2025, crescimento de 21,9%. Com isso, ultrapassou o cacau e tornou-se o segundo produto de maior valor da agricultura baiana, respondendo por 14,2% do total estadual.
A quantidade produzida avançou de 1,486 milhão para 1,831 milhão de toneladas, crescimento de 23,2%. A Bahia permaneceu como o segundo maior produtor brasileiro de algodão, tanto em quantidade, com 17,4% da produção nacional, quanto em valor, com 20,6%, atrás somente de Mato Grosso.
Consideradas em conjunto, soja e algodão responderam por aproximadamente 44% do valor agrícola baiano em 2025. A concentração ajuda a explicar o peso crescente das commodities na dinâmica estadual, mas também torna parte significativa do resultado sensível às oscilações de produtividade, clima, custos e preços desses mercados.
São Desidério e Formosa do Rio Preto colocam Oeste baiano no topo nacional
O crescimento das commodities reforçou a concentração territorial do valor agrícola no Oeste da Bahia. São Desidério permaneceu como o município com o segundo maior valor da produção agrícola do Brasil, atrás apenas de Sapezal, em Mato Grosso. O município baiano passou de R$ 6,6 bilhões para R$ 8,2 bilhões, crescimento de 23,8% e acréscimo de cerca de R$ 1,6 bilhão.
São Desidério permaneceu como o maior produtor brasileiro de soja e o terceiro maior de algodão herbáceo. A produção municipal de soja chegou a 2,361 milhões de toneladas, enquanto a de algodão alcançou 700,5 mil toneladas. Somente a soja gerou R$ 4,5 bilhões, e o algodão, aproximadamente R$ 3,1 bilhões.
Formosa do Rio Preto, por sua vez, avançou do sexto para o quinto maior valor agrícola municipal do país, alcançando R$ 5,9 bilhões, alta de 20,5%. A produção de soja chegou a 2,241 milhões de toneladas, com valor de R$ 4,4 bilhões, enquanto o algodão alcançou 282 mil toneladas e cerca de R$ 1,2 bilhão.
Seis municípios baianos aparecem entre os 50 maiores valores do país
Além de São Desidério e Formosa do Rio Preto, aparecem entre os 50 maiores valores agrícolas municipais do Brasil as cidades de Barreiras (27º), Correntina (31º), Luís Eduardo Magalhães (33º) e Riachão das Neves (50º). A Bahia ficou empatada com Mato Grosso do Sul como o segundo estado com mais municípios nesse grupo, ambos com seis; Mato Grosso concentrou 25 posições.
Somados, apenas São Desidério e Formosa do Rio Preto produziram aproximadamente R$ 14,1 bilhões em valor agrícola. Considerando o total estadual de R$ 55,5 bilhões, os dois municípios responderam, por cálculo a partir dos valores divulgados pelo IBGE, por cerca de um quarto da produção agrícola baiana em valor.
O ranking interno também mudou. Mucugê subiu da 11ª para a nona posição e entrou no grupo dos dez municípios baianos de maior valor agrícola. Juazeiro caiu da sexta para a oitava posição, ultrapassado por Riachão das Neves e Jaborandi.
Fruticultura alcança R$ 8,2 bilhões e banana supera manga
A fruticultura baiana alcançou R$ 8,2 bilhões em 2025, crescimento nominal de 8,7%, ou cerca de R$ 654,8 milhões, segundo a PAM. A Bahia respondeu por 8,6% do valor nacional do segmento, ocupando a quarta posição, atrás de São Paulo, Pará e Minas Gerais.
A principal mudança ocorreu entre as culturas. A banana superou a manga e tornou-se a fruta de maior valor de produção da Bahia. Foram produzidas 912 mil toneladas, crescimento de 6,9%, responsáveis por R$ 2,137 bilhões, alta de 18,6%.
A Bahia terminou 2025 como a segunda maior produtora nacional de banana, atrás de São Paulo. Bom Jesus da Lapa produziu 170 mil toneladas, alta de 27,7%, e assumiu a liderança brasileira em valor da fruta, com R$ 539,8 milhões, crescimento de 108%. O município também passou para a segunda posição estadual em valor total da fruticultura, com R$ 566,1 milhões.
Manga perde valor, mas Bahia e Juazeiro preservam liderança
O quadro da manga foi diferente. A produção baiana recuou 23,6%, para 646.822 toneladas, enquanto o valor caiu 29,4%, atingindo R$ 1,442 bilhão. Mesmo assim, a Bahia permaneceu como o maior produtor nacional em volume e valor.
Juazeiro continuou na liderança brasileira da cultura, com 309 mil toneladas de manga, embora tenha registrado queda de 26,0% na quantidade e de 32,2% no valor, que ficou em R$ 703,4 milhões. Em Casa Nova, a redução foi ainda mais acentuada: a produção caiu 45,5%, para 107 mil toneladas, e o valor recuou 53,5%, para R$ 242,9 milhões.
Esses números mostram que o crescimento global da agricultura baiana não foi homogêneo. O avanço das commodities e de determinadas frutas coexistiu com perdas relevantes em culturas tradicionais, especialmente manga, uva e cacau, reforçando a necessidade de separar o desempenho agregado das realidades específicas de cada cadeia produtiva.
Maracujá, graviola e morango ampliam diversidade da produção
O maracujá apresentou expansão expressiva. A Bahia produziu 350.767 toneladas em 2025, alta de 32,8%, e o valor chegou a R$ 856,2 milhões, crescimento de 38,0%. Ituaçu tornou-se o maior produtor brasileiro, com 54 mil toneladas, além de alcançar o maior valor municipal da cultura, R$ 140,6 milhões. Livramento de Nossa Senhora e Tanhaçu completaram as três primeiras posições nacionais em volume.
A PAM passou em 2025 a investigar novos produtos agrícolas. Entre os 14 novos itens inseridos nacionalmente, 11 tiveram produção registrada na Bahia: abóbora, acerola, alface, cenoura, chuchu, graviola, inhame, milho verde, morango, pimentão e repolho. A graviola apresentou o maior destaque entre eles.
A Bahia concentrou 79,1% de toda a produção brasileira de graviola, com 136.785 toneladas, e 81,0% do valor nacional, equivalente a R$ 579,5 milhões. Quatro dos cinco maiores municípios produtores estavam no estado: Wenceslau Guimarães, Presidente Tancredo Neves, Laje e Valença.
Bahia aparece como segunda maior produtora de morango
Outro dado revelado pela ampliação da pesquisa é o peso da Bahia na produção de morango. O estado produziu 28.599 toneladas, ficando atrás somente de Minas Gerais e respondendo por 9,6% da produção nacional. O valor chegou a aproximadamente R$ 364,4 milhões.
Barra da Estiva, Mucugê e Ituaçu aparecem entre os principais polos estaduais. Barra da Estiva produziu 10 mil toneladas, enquanto Mucugê registrou 7 mil e Ituaçu, 5 mil. O valor da produção em Barra da Estiva foi de R$ 150 milhões.
A inclusão de novas culturas exige, contudo, cautela na leitura da taxa agregada de crescimento. Nacionalmente, a PAM 2025 incorporou produtos que anteriormente não integravam o cálculo, e o próprio IBGE destacou que essa ampliação alterou os resultados de grupos como a fruticultura.
Mucugê reassume liderança nacional no valor da batata-inglesa
Na horticultura já acompanhada anteriormente, Mucugê recuperou destaque nacional na produção de batata-inglesa. O município colheu 229.367 toneladas, segunda maior produção do Brasil, atrás apenas de Perdizes, em Minas Gerais.
Mesmo com redução de 5,0% no valor frente a 2024, Mucugê voltou a liderar nacionalmente o valor gerado pelo tubérculo, com R$ 543,0 milhões. A Bahia, como um todo, produziu 437.305 toneladas e registrou aproximadamente R$ 1,051 bilhão em valor, ocupando a quinta posição em quantidade e a terceira em valor entre os estados.
Ibicoara também apareceu entre os principais polos brasileiros, com R$ 314,6 milhões em valor de produção de batata-inglesa.
Recorde de R$ 55,5 bilhões é nominal e não representa lucro dos produtores
A interpretação dos R$ 55,5 bilhões exige uma distinção metodológica. Na PAM, o valor da produção corresponde à quantidade produzida multiplicada pelo preço médio ponderado recebido pelo produtor. O indicador, portanto, não equivale ao lucro das propriedades, ao PIB do agronegócio, à receita das exportações nem à renda líquida dos produtores.
Também se trata de um recorde nominal. Isso significa que os valores históricos não foram apresentados, nesse indicador, descontando a inflação acumulada. Consequentemente, o fato de 2025 registrar o maior montante monetário desde o início do Real não permite, isoladamente, concluir que tenha ocorrido o maior valor real da série em poder de compra. O próprio comunicado caracteriza expressamente o crescimento como nominal.
A PAM é anual e reúne informações municipais sobre área, produção, rendimento e preços agrícolas. No material encaminhado pela Superintendência Estadual do IBGE na Bahia, o instituto informa que a edição de 2025 investiga 71 produtos, utilizando também fontes secundárias, como associações de produtores, órgãos públicos e entidades vinculadas à agricultura. Na Bahia, 56 produtos tiveram registro: 30 aumentaram de valor, um permaneceu estável, 14 recuaram e 11 passaram a ser investigados naquele ano.
Mudança na cesta da PAM exige cautela na comparação com 2024
A ampliação do universo pesquisado constitui um ponto metodológico relevante. A tabela apresentada na página 4 do comunicado atribui valores em 2025 a culturas que não possuíam base comparativa na edição anterior. Somados os 11 novos produtos registrados na Bahia, o valor supera R$ 2 bilhões, segundo cálculo realizado a partir da própria tabela do IBGE.
Esse montante corresponde a aproximadamente um quarto do aumento bruto de cerca de R$ 8 bilhões observado no valor total entre 2024 e 2025. O cálculo não substitui a taxa oficial de 16,9%, nem constitui uma variação comparável recalculada pelo IBGE, mas demonstra que parte da expansão monetária registrada em 2025 decorre também da ampliação da cobertura estatística.
Por isso, uma comparação rigorosamente homogênea entre os dois anos exigiria separar o efeito da produção e dos preços do efeito provocado pela mudança da cesta de produtos investigados. Essa ressalva é especialmente importante na fruticultura e horticultura, onde graviola, morango e outras culturas passaram a ser mensuradas somente na edição de 2025.
Perspectiva para 2026 mantém grãos em nível elevado
Os dados mais recentes disponíveis para 2026 indicam continuidade do elevado nível de produção física. A página de acompanhamento de safras da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), atualizada em 15/09/2026, mantém para agosto a indicação de uma safra recorde de grãos puxada por soja, milho e algodão.
Em levantamento anterior, referente a maio, a estimativa baseada no LSPA/IBGE era de 13,3 milhões de toneladas de grãos em 2026, crescimento de 3,2% sobre a safra de 2025, com soja projetada em 8,93 milhões de toneladas. A projeção considerava expansão de área e rendimento médio.
Esse cenário, porém, não permite antecipar o valor da produção agrícola de 2026. Mesmo que o volume cresça, o resultado monetário continuará dependendo dos preços recebidos pelos produtores. A PAM referente a 2026 será necessária para verificar se a expansão física se converterá em novo aumento de valor.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 1994 — Início do período de referência utilizado pelo comunicado para comparar os valores nominais da agricultura baiana sob vigência do Real; o resultado de 2025 é apresentado como o maior desse intervalo.
- 2023 a 2024 — A produção baiana de grãos sofre retração; em 2024, o volume fica em 11,6 milhões de toneladas, estabelecendo uma base menor para a recuperação posterior.
- 2024 — O valor da agricultura baiana alcança aproximadamente R$ 47,4 bilhões; a Bahia responde por 6,1% do valor agrícola brasileiro.
- 2025 — O valor agrícola estadual sobe para R$ 55,5 bilhões, alta nominal de 16,9%; a produção de grãos chega a 13,0 milhões de toneladas e a soja alcança R$ 16,5 bilhões.
- 2025 — São Desidério permanece com o segundo maior valor agrícola municipal do Brasil, em R$ 8,2 bilhões, e Formosa do Rio Preto sobe para a quinta posição, com R$ 5,9 bilhões.
- 2025 — A banana supera a manga em valor na fruticultura baiana; Bom Jesus da Lapa assume a liderança nacional em valor da produção de banana, enquanto Juazeiro preserva a liderança brasileira na manga apesar das quedas.
- 2025 — A PAM amplia sua cobertura; 11 novos produtos passam a ter produção registrada na Bahia, com destaque para graviola e morango.
- 15/09/2026 — A SEI atualiza o acompanhamento da safra e mantém a perspectiva de produção recorde de grãos em 2026, com soja, milho e algodão entre os destaques.
- 17/09/2026 — O IBGE divulga a PAM 2025, consolidando os resultados agrícolas municipais da Bahia e do Brasil.
O resultado de 2025 confirma simultaneamente expansão e concentração. A agricultura baiana alcançou seu maior valor nominal, mas mais da metade desse valor veio dos grãos, quase 30% apenas da soja e cerca de 44% da combinação entre soja e algodão. Territorialmente, São Desidério e Formosa do Rio Preto responderam, juntos, por aproximadamente um quarto do valor estadual. Esses números evidenciam a importância econômica do Oeste baiano e, ao mesmo tempo, a exposição do resultado agregado às condições de poucas cadeias altamente integradas aos mercados de commodities.
Há, porém, uma segunda Bahia agrícola nos dados. A liderança nacional em manga, maracujá e graviola, o avanço da banana em Bom Jesus da Lapa, a produção de morango na Chapada Diamantina e a batata-inglesa de Mucugê demonstram uma estrutura produtiva mais diversificada do que o peso das commodities, isoladamente, poderia sugerir. Essa diversificação não elimina contrastes: manga, uva e cacau perderam valor em 2025, enquanto soja, café canephora e algodão avançaram.
A leitura do crescimento de 16,9% também requer duas ressalvas. A primeira é econômica: o indicador é nominal e não mede rentabilidade, porque não desconta inflação nem custos de produção. A segunda é estatística: a PAM 2025 ampliou sua cesta de produtos, e as novas culturas registradas na Bahia somaram mais de R$ 2 bilhões. A taxa oficial permanece válida conforme a metodologia divulgada pelo IBGE, mas análises interanuais sobre desempenho das mesmas culturas precisam controlar a mudança de cobertura antes de atribuir todo o acréscimo exclusivamente a maior produção, produtividade ou preços.
No curto prazo, a questão central será verificar se a elevada produção física projetada para 2026 preservará valor e renda diante do comportamento dos preços e dos custos. No médio e longo prazo, deverão ser acompanhados a produtividade, a infraestrutura logística do Oeste, a diversificação regional, a vulnerabilidade climática e a evolução das culturas que perderam valor em 2025. Caberá ao IBGE, à SEI, à Conab, aos órgãos agrícolas estaduais e federais e às entidades produtivas fornecer dados que permitam distinguir crescimento de volume, efeito de preços, alteração metodológica e rentabilidade efetiva do setor.








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