O deputado estadual Robinson Almeida (PT), candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), questionou a proposta denominada “Pix Saúde”, apresentada pelo candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil). O parlamentar relacionou o programa ao período em que Neto administrou Salvador e afirmou que o ex-prefeito deve explicar por que uma estratégia semelhante não foi adotada durante seus dois mandatos na capital. A candidatura de Robinson está registrada para a disputa de deputado estadual em 2026.
“Se essa é a solução para a saúde, por que ele não aplicou quando governou a capital?”, questionou Robinson. O deputado argumenta que a trajetória administrativa de ACM Neto entre 2013 e 2020 deve integrar o debate sobre a viabilidade do programa apresentado agora para todo o estado.
O Pix Saúde consta do programa de governo de ACM Neto e prevê que o Estado contrate consultas, exames, tratamentos e cirurgias em hospitais privados ou filantrópicos credenciados quando a rede pública não conseguir realizar o atendimento dentro de determinado prazo. O plano prevê implantação gradual, teto anual de recursos definido na Lei Orçamentária e divulgação periódica de contratos e pagamentos. A proposta não significa transferência de dinheiro diretamente aos pacientes.
Robinson relaciona proposta à gestão de ACM Neto em Salvador
Ao criticar o programa, Robinson Almeida afirmou que a discussão precisa considerar os indicadores da saúde municipal ao término da administração de ACM Neto. Segundo o parlamentar, problemas relacionados à cobertura da atenção básica permaneceram na capital durante o período.
“ACM Neto teve oito anos para enfrentar os problemas da saúde de Salvador. Se a solução agora é colocar mais dinheiro público na rede privada, por que não fez isso quando era prefeito? A população precisa saber por que os problemas da atenção básica permaneceram durante a sua gestão”, declarou.
Dados da própria Secretaria Municipal da Saúde de Salvador mostram que houve expansão da rede durante aquele período, mas a cobertura permaneceu parcial. O Plano Municipal de Saúde registra que, em 2020, último ano da gestão de ACM Neto, a cobertura estimada da Atenção Primária à Saúde (APS) chegou a 56,36%, enquanto a cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) alcançou 40,24%. Em 2014, esses indicadores eram, respectivamente, de 35,60% e 24,88%.
Indicadores mostram expansão da rede, mas cobertura permaneceu incompleta
Os percentuais não significam que os moradores situados fora da cobertura estimada tenham ficado necessariamente sem qualquer atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cobertura populacional estimada e número de pessoas efetivamente atendidas são indicadores distintos. Os dados, entretanto, mostram a extensão territorial e populacional alcançada pelas estruturas de Atenção Primária naquele momento.
Salvador também inaugurou, em 2018, durante o segundo mandato de ACM Neto, o Hospital Municipal de Salvador. Informações oficiais da Prefeitura registram investimentos municipais na conclusão da unidade naquele ano. A abertura representou a implantação do primeiro hospital pertencente à rede municipal da capital.
Robinson sustenta que a Atenção Primária deve ocupar posição central na organização do sistema porque concentra ações de prevenção, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação, pré-natal, diagnóstico inicial e encaminhamento para outros níveis de assistência. Na avaliação do deputado, ampliar postos, profissionais, medicamentos e prevenção pode reduzir parte da demanda direcionada aos hospitais.
Robinson defende ampliação da estrutura pública estadual
Ao apresentar sua posição, Robinson Almeida contrapôs o Pix Saúde à política de expansão da infraestrutura estadual promovida nas administrações de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, todos do PT.
“Dos 56 hospitais existentes na Bahia, atualmente, 30 foram construídos por Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo. Nos últimos 3,5 anos foram 15 novos, sem contar as Policlínicas Regionais. Ou seja, é esse trabalho que vai avançar, com Jerônimo e Lula e o fortalecimento do SUS”, afirmou.
Os números devem ser considerados como parte da argumentação do deputado, porque documentos públicos utilizam critérios diferentes para contabilizar a rede. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o Governo da Bahia informou que havia 94 unidades hospitalares administradas pelo Estado e declarou que 12 hospitais novos haviam sido incorporados entre 2023 e 2025. Declarações políticas mais recentes mencionam 56 hospitais estaduais e 15 construções ou grandes ampliações no governo Jerônimo. As diferenças indicam universos e critérios de classificação distintos e impedem uma comparação direta sem definição metodológica.
Atenção básica entra no centro da disputa eleitoral
Robinson também associou a proposta de ACM Neto à atual situação da Atenção Primária em Salvador.
“Quem deixou Salvador com cobertura insuficiente de atenção básica não pode agora apresentar uma solução para a Bahia sem explicar o próprio legado. A cidade precisa de postos funcionando, médicos, medicamentos e prevenção. É isso que reduz a pressão sobre os hospitais”, afirmou.
O deputado acrescentou críticas à administração municipal atual, comandada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), aliado e sucessor político de ACM Neto. “ACM Neto não cuidou disso, seu sucessor também não, e agora quer criar um factoide eleitoral”, declarou. A caracterização de “factoide eleitoral” corresponde à avaliação política de Robinson e não a uma conclusão factual sobre o programa.








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