A ENGIE Brasil concluiu um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltado ao aumento da eficiência dos aerogeradores do Conjunto Eólico Campo Largo, Sento Sé e Umburanas, na Bahia, por meio da identificação e correção de desalinhamentos entre as turbinas e a direção do vento. Nesta quarta-feira (16/09/2026), os resultados disponíveis indicam investimento de aproximadamente R$ 700 mil, ganho de cerca de 9% na geração anual de uma das turbinas corrigidas e expectativa de aumento de aproximadamente 2,3% na produção anual de todo o parque, desempenho que a empresa estima ser equivalente à incorporação de praticamente três novos aerogeradores sem expansão física do empreendimento. O projeto, iniciado em dezembro de 2025, foi executado em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no âmbito do programa de PD&I da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O trabalho combina dados operacionais das próprias turbinas, um algoritmo desenvolvido pela companhia e medições realizadas com tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging). O objetivo é detectar desvios na orientação dos aerogeradores em relação ao vento e estimar as perdas de produção provocadas pelo problema.
O material fornecido indica sexta-feira (18/09/2026) para o workshop oficial de encerramento do projeto. Como essa data é posterior a 16/09/2026, o evento é tratado nesta reportagem como programado, e não como já realizado.
Algoritmo identifica desalinhamento das turbinas em relação ao vento
A eficiência de um aerogerador depende, entre outros fatores, de sua capacidade de permanecer adequadamente orientado em relação à direção do vento. As turbinas realizam movimentos contínuos para ajustar seu posicionamento e aproveitar melhor o recurso eólico.
Quando ocorre um desvio no sistema de orientação, conhecido como yaw, o equipamento deixa de apontar corretamente para o vento recebido. A consequência pode ser uma redução da geração de eletricidade e aumento do desgaste mecânico dos componentes.
O projeto realizado em Campo Largo aprimorou e validou uma metodologia destinada a identificar esse tipo de problema a partir dos dados operacionais produzidos pelos próprios aerogeradores. O algoritmo da ENGIE foi utilizado para localizar automaticamente desvios e indicar quais turbinas necessitavam de ajustes.
LiDAR permitiu validar medições em ambiente operacional
Para verificar a precisão dos resultados produzidos pelo algoritmo, a equipe utilizou a tecnologia LiDAR, sistema de sensoriamento remoto baseado na emissão de pulsos de laser para medir distâncias e mapear objetos ou fenômenos com elevada precisão.
No projeto, a tecnologia possibilitou realizar medições diretas da direção e da velocidade do vento, criando uma referência para confrontar as estimativas geradas a partir dos dados operacionais das turbinas.
Segundo as informações apresentadas pela ENGIE, a iniciativa foi considerada pioneira no Brasil por comparar diferentes tecnologias LiDAR em um ambiente operacional real. A metodologia buscou superar abordagens restritas a simulações ou experimentos laboratoriais, submetendo os instrumentos às condições concretas de funcionamento de um parque eólico.
Correção de desvio de 17 graus elevou geração anual de turbina em cerca de 9%
Um dos resultados mais relevantes ocorreu em um aerogerador no qual foi identificado um desalinhamento de 17 graus. Após a correção, a produção anual da unidade apresentou ganho de aproximadamente 9%, conforme os dados do projeto.
A gerente do projeto, Camylla Amorim, afirmou que os resultados permitiram não apenas validar o algoritmo, mas também dimensionar o impacto energético provocado pela correção.
“Além de validar o algoritmo desenvolvido pela ENGIE, conseguimos quantificar os benefícios da correção dos desalinhamentos. Em um dos aerogeradores avaliados, que apresentava um desvio de 17 graus, a correção resultou em um ganho de aproximadamente 9% na geração anual da turbina. Os resultados mostram como o uso inteligente dos dados pode contribuir diretamente para aumentar a eficiência operacional dos ativos”, explicou.
A identificação antecipada desse tipo de desvio também tem implicações para a manutenção. Como o desalinhamento pode elevar o desgaste mecânico, sua detecção e correção permitem atuar sobre uma fonte de perda de produção ao mesmo tempo em que podem reduzir pressões operacionais sobre componentes dos equipamentos.
ENGIE projeta aumento de 2,3% na geração anual de todo o parque
A partir dos resultados obtidos, a ENGIE iniciou ajustes nos demais aerogeradores nos quais o algoritmo identificou desvios. A expectativa apresentada pela companhia é de alcançar aproximadamente 2,3% de ganho na geração anual de todo o parque.
Segundo a estimativa da empresa, esse aumento de produção seria equivalente à incorporação de praticamente três novos aerogeradores, mas sem necessidade de ampliar fisicamente o conjunto eólico.
A comparação evidencia a diferença entre o resultado já medido em uma turbina e a projeção para o empreendimento como um todo: os 9% correspondem ao ganho observado no aerogerador que apresentava desvio de 17 graus, enquanto os 2,3% representam uma expectativa para a geração anual total após a implementação dos ajustes nos demais equipamentos identificados pelo sistema.
O gerente de Gestão da Performance e Inovação da ENGIE, Mario Wilson Cusatis, afirmou que o projeto permitiu combinar dados operacionais, técnicas de medição e análise para melhorar o desempenho dos ativos.
“Este projeto confirma que a combinação entre dados operacionais, tecnologias avançadas de medição e conhecimento analítico pode gerar resultados expressivos para a geração renovável. Além dos ganhos energéticos, desenvolvemos competências técnicas, procedimentos e conhecimentos que poderão ser replicados em outros empreendimentos da companhia”, afirmou.
Parceria entre ENGIE e UFSM integra programa de inovação da Aneel
O projeto teve início em dezembro de 2025 e recebeu investimento da ordem de R$ 700 mil. A execução ocorreu em parceria entre a ENGIE e a Universidade Federal de Santa Maria, dentro do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Aneel.
O diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da ENGIE Brasil, Guilherme Slovinski Ferrari, relacionou a iniciativa à busca de eficiência e à cooperação entre empresas e universidades.
“A iniciativa reforça o papel estratégico da inovação para a competitividade do setor elétrico. A inovação é um dos principais motores para aumentar a eficiência e a sustentabilidade da geração renovável. Projetos de PD&I como este demonstram como a colaboração entre empresas e universidades pode transformar conhecimento científico em soluções práticas, capazes de gerar valor para os negócios e para toda a sociedade”, declarou.
Além da aplicação operacional, o projeto resultou na formação de recursos humanos especializados. Segundo as informações fornecidas, há pesquisas de mestrado em andamento relacionadas ao trabalho e resultados técnicos foram apresentados em workshops internacionais.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Dezembro de 2025 — Início do projeto: a ENGIE inicia o projeto de PD&I, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com investimento aproximado de R$ 700 mil e foco na identificação de desalinhamentos de aerogeradores.
- Durante a execução do projeto — Testes em Campo Largo: algoritmo desenvolvido pela ENGIE é aplicado no Conjunto Eólico Campo Largo, na Bahia, para identificar automaticamente desvios entre a orientação das turbinas e a direção do vento.
- Durante a fase de validação — Uso de LiDAR: diferentes tecnologias LiDAR são utilizadas em ambiente operacional real para medir direção e velocidade do vento e confrontar os resultados produzidos pelo algoritmo.
- Durante a avaliação dos aerogeradores — Desvio de 17 graus: uma das turbinas apresenta desalinhamento de 17 graus; após a correção, o equipamento registra ganho aproximado de 9% na geração anual.
- Setembro de 2026 — Ajustes em outras turbinas: a ENGIE inicia correções nos demais aerogeradores nos quais o algoritmo apontou desvios e projeta ganho de aproximadamente 2,3% na geração anual de todo o parque, equivalente, segundo a companhia, à produção de praticamente três novos aerogeradores.
- 18/09/2026 — Encerramento programado: o material fornecido indica a realização do workshop oficial de encerramento do projeto para sexta-feira (18/09/2026), destinado à apresentação dos resultados e conhecimentos desenvolvidos.








Deixe um comentário