O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), utilizou comício realizado em Jacobina, na noite de sábado (26/09/2026), para reforçar sua associação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e questionar a aproximação eleitoral entre eleitores de Lula e a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia. Segundo informações divulgadas sobre o evento, mais de 20 mil pessoas participaram da mobilização, número atribuído à organização e às informações da campanha. A realização do ato e a declaração de Jerônimo também foram noticiadas neste domingo (27).
Durante o discurso, Jerônimo afirmou que o apoio eleitoral ao presidente não seria compatível, em sua avaliação, com o voto em ACM Neto. O governador retomou uma declaração feita pelo então deputado federal ACM Neto em 2005, quando, durante pronunciamento político no Congresso, mencionou a possibilidade de dar uma “surra” em Lula. A referência ao episódio vem sendo utilizada por adversários de Neto na campanha estadual de 2026. Registros históricos reproduzem o discurso parlamentar atribuído ao então deputado.
“O voto de Lula é o nosso voto. O voto de Lula não combina com o outro lado. O ex-prefeito ACM Neto prometeu uma surra no Lula. Quem ameaça uma surra não merece estar na política”, declarou Jerônimo durante o comício.
A frase integra a estratégia discursiva do candidato petista de vincular sua candidatura à de Lula na reta final da campanha estadual.
Jerônimo retoma declaração antiga de ACM Neto sobre Lula
A fala mencionada por Jerônimo remonta ao período em que ACM Neto exercia mandato de deputado federal. Em pronunciamento de 2005, no contexto de críticas ao governo federal, Neto declarou que seria aliado do então senador Arthur Virgílio em uma eventual reação contra Lula e empregou a expressão “surra” ao se referir ao presidente. Anos depois, o próprio político reconheceu publicamente que havia errado no episódio, segundo registros históricos sobre sua trajetória política.
No comício de Jacobina, Jerônimo utilizou o episódio para contestar movimentos eleitorais que procuram separar o voto para presidente do voto para governador. Segundo o petista, setores da oposição estariam tentando aproveitar a popularidade de Lula na Bahia sem manter identidade política com o presidente. Essa interpretação constitui uma posição de campanha de Jerônimo Rodrigues, e não uma constatação independente sobre o comportamento do eleitorado.
O governador também classificou ACM Neto como candidato ligado ao campo político do bolsonarismo no estado.
Lula entra na estratégia da reta final da eleição baiana
A manifestação ocorreu a pouco mais de uma semana do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para domingo (04/10/2026). O Tribunal Superior Eleitoral informa que nessa data serão escolhidos presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais ou distritais.
Jerônimo também antecipou a presença de Lula na Bahia na reta final da campanha. Está prevista para terça-feira (29/09/2026) uma agenda eleitoral em Feira de Santana, ao lado do governador e de lideranças do grupo político governista. A programação em Feira foi divulgada nos últimos dias por diferentes fontes e já havia sido confirmada em reportagem do Jornal Grande Bahia.
“O Lulinha vai estar aqui terça-feira conosco. Ele vai voltar para fazer pela última vez o pedido. A Bahia precisa do Lula e o Lula precisa da Bahia”, afirmou Jerônimo.
A declaração reforça a tentativa da campanha estadual de associar diretamente as candidaturas de Lula e do governador nos dias anteriores à votação.
Feira de Santana recebe ato eleitoral na terça-feira
A programação anunciada para 29 de setembro coloca Feira de Santana no centro da agenda política da reta final. Informações divulgadas anteriormente indicam participação de Lula e Jerônimo, além de aliados como Jaques Wagner, Rui Costa e lideranças políticas da região.
A presença do presidente ocorre em momento de intensificação das agendas eleitorais dos candidatos ao Governo da Bahia. Conforme o calendário oficial, faltam poucos dias para o primeiro turno, previsto para 4 de outubro, período em que partidos e coligações ampliam atos de rua, entrevistas, debates e mobilizações territoriais.
A agenda de Lula em Feira também coincide com o debate da TV Bahia, previsto para a noite de terça-feira. O deputado Zé Neto (PT) declarou que os horários não seriam conflitantes, porque o compromisso eleitoral em Feira ocorreria durante a tarde, embora tenha ressaltado que ainda aguardava confirmação oficial sobre a participação de Jerônimo no debate.
Comício reúne prefeitos, parlamentares e lideranças regionais
Segundo as informações fornecidas pela campanha, o comício de Jacobina reuniu mais de 20 mil apoiadores e contou com a presença de 22 prefeitos da região, além de deputados, vereadores e outras lideranças. O número de participantes informado pelos organizadores não foi acompanhado, nas informações disponíveis, de estimativa independente.
Entre as participantes estava a prefeita de Jacobina, Valdice Castro, que declarou apoio à candidatura de Jerônimo. Conforme o material divulgado sobre o evento, a gestora havia integrado anteriormente o campo político de ACM Neto, o que foi explorado pela campanha governista como sinal de ampliação de alianças no município e na região.
Durante sua manifestação, Valdice pediu votos para o governador e citou mais de R$ 411 milhões em ações atribuídas ao Governo do Estado em Jacobina. Segundo as informações apresentadas no comício, os recursos abrangem intervenções em saúde, pavimentação, abastecimento de água e políticas de atendimento às mulheres. O montante foi divulgado pela gestão municipal e pela campanha e não veio acompanhado, no material disponível, de detalhamento orçamentário completo que permita conferir individualmente todas as ações citadas.
Saúde, atendimento às mulheres e infraestrutura entram no discurso local
Entre as intervenções relacionadas pela prefeita estão novas unidades de saúde, iniciativas de pavimentação e ampliação do acesso à água. Também foi citado o Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM), estrutura destinada ao atendimento especializado de mulheres.
A apresentação dos investimentos estaduais cumpriu papel central no discurso local da mobilização, associando a campanha eleitoral ao balanço administrativo do governo Jerônimo. Em atos dessa natureza, obras concluídas, investimentos em andamento e projetos anunciados costumam integrar a argumentação de candidatos que disputam a continuidade do mandato.
Ao mesmo tempo, a disputa entre Jerônimo e ACM Neto mantém como um de seus principais eixos a tentativa de definir como o eleitor baiano combinará os votos para presidente e governador. Enquanto a campanha petista procura aproximar eleitoralmente Jerônimo e Lula, adversários sustentam estratégias próprias e buscam ampliar o voto estadual para além das identidades partidárias nacionais.
Disputa pela associação com Lula ganha espaço na campanha
A discussão sobre o chamado voto cruzado — quando o eleitor escolhe candidatos de grupos políticos diferentes para presidente e governador — tornou-se parte da campanha baiana. A manifestação de Jerônimo em Jacobina procura estabelecer uma fronteira política entre sua candidatura e a de ACM Neto, utilizando a relação histórica de ambos com Lula como elemento de diferenciação.
A estratégia ocorre em um cenário no qual o apoio presidencial tem sido discutido ao longo da campanha. Levantamentos e manifestações de lideranças partidárias têm destacado o peso eleitoral de Lula na Bahia, enquanto ACM Neto procura conduzir sua candidatura estadual com posição presidencial própria. Uma pesquisa Quaest divulgada no fim de agosto, por exemplo, mostrava os dois principais candidatos dentro da margem de erro naquele momento, evidenciando uma disputa competitiva. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BA-06206/2026 e BR-08870/2026.
Até a votação de 4 de outubro de 2026, a tendência é que atos territoriais, apoios de prefeitos, agendas presidenciais e associações entre candidaturas nacionais e estaduais permaneçam presentes no debate eleitoral. O resultado, contudo, dependerá exclusivamente dos votos depositados nas urnas, e levantamentos realizados durante a campanha representam apenas fotografias do eleitorado no período em que foram produzidos.








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