Presidente Lula defende fim das bets, critica financiamento de clubes e propõe política cultural permanente durante evento no Rio de Janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, defendeu o fim das bets no Brasil e a regulamentação das plataformas digitais durante evento de campanha realizado na noite de quarta-feira (23/09/2026), na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro (RJ). Organizado por artistas e apoiadores do setor cultural, o encontro também foi marcado por declarações sobre o financiamento de clubes de futebol, a política cultural, a exploração de minerais estratégicos e as relações internacionais.

Ao abordar os efeitos das apostas esportivas sobre a população, Lula afirmou que pretende encerrar a operação das bets no país.

“Terei o imenso prazer de acabar com as bets e regulamentar as plataformas digitais”, declarou.

A manifestação ocorreu em meio à discussão sobre os impactos sociais das apostas e à participação dessas empresas no patrocínio de equipes esportivas.

O presidente também criticou o modelo de financiamento de clubes de futebol por empresas de apostas, argumentando que parte dos recursos utilizados teria origem em pessoas de baixa renda. Ao mencionar o endividamento e os problemas relacionados ao jogo compulsivo, afirmou que não se pode permitir que a ludopatia avance entre os brasileiros.

Lula relaciona bets a endividamento e financiamento de clubes de futebol

Durante o discurso, Lula mencionou a atuação de empresas de apostas no futebol brasileiro e recordou conquistas de clubes como Flamengo, São Paulo e Corinthians, além dos títulos da Seleção Brasileira, ao comentar a trajetória do esporte nacional.

“Agora chegam as ‘bets’, que não oferecem nenhum entretenimento para ninguém! Sabe, e ficam financiando os clubes com o quê? Com o dinheiro do pobre!”, declarou.

Em seguida, associou as apostas a problemas financeiros e de saúde enfrentados por parte dos usuários.

O presidente relatou ainda que participou de uma reunião com oito jogadores endividados em razão de bets, classificando o encontro como o mais triste de sua vida. Segundo Lula, a situação evidencia a necessidade de medidas para impedir que a dependência em apostas se amplie no país.

“Não podemos deixar a ludopatia tomar conta do povo brasileiro”, afirmou.

Em outro momento, defendeu que os clubes aprendam a operar sem recursos provenientes de práticas que classificou como lavagem de dinheiro.

As declarações foram feitas em um evento de campanha, sem apresentação, no trecho divulgado, de um cronograma específico para eventual encerramento das bets ou detalhamento de um novo modelo regulatório.

Críticas a Trump e defesa de posição brasileira na política internacional

Na sequência do discurso, Lula comentou a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O brasileiro estabeleceu uma comparação entre os discursos dos dois chefes de Estado, destacando diferenças na abordagem de temas internacionais.

Segundo Lula, Trump costuma enfatizar, em encontros multilaterais, a capacidade militar dos Estados Unidos, citando o tamanho do Exército, da Marinha e o poderio bélico norte-americano. O presidente brasileiro criticou o que descreveu como uma postura de ameaça associada à demonstração de força militar.

“Ele fala isso em toda reunião […] como se estivesse ameaçando”, declarou Lula, ao comentar as referências de Trump ao poderio militar dos Estados Unidos.

A manifestação ocorreu no contexto de discussões sobre relações internacionais, soberania nacional e o posicionamento do Brasil diante de transformações econômicas e geopolíticas.

Terras raras e minerais estratégicos entram no discurso sobre soberania nacional

Ao tratar da economia global e da transição tecnológica, Lula defendeu que o Brasil amplie o controle sobre a exploração e o processamento de terras raras e minerais estratégicos. Para o presidente, o país deve avançar na industrialização desses recursos e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas.

“Vamos fazer com que o Brasil se torne uma potência em minerais críticos. A gente não vai ficar vendendo as nossas riquezas. Chega”, afirmou.

Lula também citou o escritor uruguaio Eduardo Galeano ao criticar relações históricas de exploração econômica na América Latina. A referência foi utilizada para sustentar a defesa de uma política de desenvolvimento baseada na utilização nacional dos recursos minerais.

O presidente associou essa estratégia à necessidade de fortalecer a ciência, a tecnologia e a formação de profissionais brasileiros. Entre as propostas mencionadas, destacou o desenvolvimento de inteligência artificial brasileira em língua portuguesa.

Presidente defende continuidade de políticas culturais independentemente de governos

O setor cultural ocupou parte central do encontro realizado na Fundição Progresso. Diante de artistas e representantes da área, Lula defendeu a transformação da cultura em uma política de Estado, com programas e projetos que tenham continuidade entre diferentes governos.

Segundo o presidente, uma mudança dessa natureza exigiria a inclusão de diretrizes culturais na Constituição Federal. A intenção, conforme explicou, seria impedir que políticas públicas do setor fossem interrompidas ou alteradas a cada mudança de administração.

“Para que a gente transforme a Cultura totalmente perene, é preciso que a gente coloque na Constituição aquilo que a gente quer de cultura”, declarou.

A proposta apresentada por Lula relaciona a continuidade das políticas culturais à institucionalização de programas públicos e à definição de mecanismos que garantam sua manutenção ao longo do tempo.

Artistas e parlamentares participam de evento de campanha

Entre os participantes do encontro estavam os cantores Chico Buarque, Daniela Mercury, BK e Zeca Pagodinho, além das atrizes Marieta Severo e Malu Mader. Também participaram parlamentares e integrantes do governo federal ligados ao setor cultural.

A deputada Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, esteve presente, assim como a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Durante a atividade, Lula ouviu manifestações de artistas e respondeu a perguntas relacionadas à produção cultural e ao papel do Estado no financiamento e na preservação das expressões artísticas brasileiras.

O presidente também ressaltou a diversidade cultural do país e a presença de manifestações artísticas em municípios de diferentes portes e regiões. Como exemplo, mencionou cidades com cerca de 5 mil habitantes e comunidades periféricas, onde, segundo ele, a cultura se expressa por meio de iniciativas locais.

Ministérios e políticas públicas como instrumentos de alcance nacional

Lula defendeu ainda a importância dos ministérios na execução de políticas públicas e afirmou que essas estruturas apresentam custos reduzidos diante da capacidade de articulação e alcance territorial que oferecem ao governo.

Na avaliação apresentada durante o evento, os ministérios permitem levar ações e programas a diferentes segmentos da população, incluindo comunidades periféricas e localidades de menor porte.

A declaração integrou a defesa de uma estrutura governamental capaz de atender à diversidade cultural e social do Brasil, com políticas adaptadas às características de cada território.

As propostas apresentadas no encontro abrangem temas como regulação das apostas, cultura, desenvolvimento tecnológico, recursos minerais e relações internacionais. A execução dessas medidas dependeria de decisões administrativas, legislativas ou constitucionais, conforme a natureza de cada iniciativa.

*Com informações da Sputnik News.


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