Neste sábado (26/09/2026), às 19h, o Coreto da Praça da Matriz, em Feira de Santana, volta a receber bandas de música em uma edição especial do Projeto Retreta – Nosso Palco é a Praça, dedicada aos 193 anos da emancipação político-administrativa do município. A programação reunirá a Sociedade Filarmônica 25 de Março, fundada em 25/03/1868, e a Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, de São Félix, sob regência do maestro Antônio Neves, além da exposição “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias” e de repertório que percorre diferentes períodos da tradição musical baiana. O encontro retoma uma prática historicamente associada às praças e coretos e ocorre oito dias depois da celebração oficial do aniversário de Feira de Santana.
Coreto volta a exercer função histórica de palco das bandas
A escolha do Coreto da Praça da Matriz integra o próprio significado cultural da apresentação. Construída em 1916, a estrutura possui elementos pré-fabricados em ferro fundido e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Registros do Memorial da Feira mostram o coreto instalado naquele ano diante da Igreja Matriz, em uma área que durante décadas concentrou manifestações religiosas, circulação urbana e acontecimentos públicos.
Antes da expansão do rádio, da televisão, das casas de espetáculo e posteriormente das plataformas digitais, as bandas de música figuravam entre os principais agentes de difusão musical das cidades brasileiras. Nas retretas, músicos ocupavam os coretos enquanto moradores se reuniam nas praças, transformando a execução instrumental simultaneamente em atividade artística e prática de convivência.
Em Feira de Santana, essa tradição esteve relacionada a festas religiosas, solenidades cívicas, procissões, inaugurações e celebrações públicas. Reportagens anteriores do Jornal Grande Bahia (JGB) documentaram que o Projeto Retreta foi concebido justamente para recuperar essa conexão entre banda, coreto, praça e comunidade.
Filarmônica 25 de Março atravessa 158 anos da história feirense
Fundada em 25 de março de 1868, durante o Brasil Imperial, a Sociedade Filarmônica 25 de Março completou 158 anos em 2026. A instituição surgiu apenas 35 anos depois da instalação político-administrativa do município e tornou-se presença recorrente em acontecimentos religiosos, cívicos e culturais de Feira de Santana.
A pesquisa histórica publicada pelo JGB em julho de 2026 mostra que a trajetória da entidade passou por procissões, retretas, bailes, apresentações públicas, concursos de bandas, períodos de declínio e posterior reorganização institucional. A criação da Escola de Música Maestro Estevam Moura, em 2014, constituiu uma das etapas centrais do processo contemporâneo de renovação do corpo musical, seguida pelo retorno da banda às atividades públicas em 2015.
A instituição também preserva centenas de obras e partituras associadas à produção musical de Feira de Santana e da Bahia. Entre os compositores relacionados ao acervo e às apresentações da filarmônica estão Estevam Moura, Tertuliano Santos, Amando Nobre, João Manoel Dantas e outros autores que registraram musicalmente personagens, acontecimentos e formas de sociabilidade da cidade.
Repertório conecta compositores históricos e centenário de Moacir Santos
Para a apresentação deste sábado, o programa divulgado reúne obras relacionadas a Estevam Moura, Tertuliano Santos, Tranquilino Bastos e Antonio França, estabelecendo uma ligação entre o concerto contemporâneo e diferentes momentos da história das bandas de música.
A seleção inclui ainda “Coisa nº 1”, vinculada à obra de Moacir Santos (1926–2006), cujo centenário de nascimento é celebrado em 2026. A composição integra o álbum “Coisas”, lançado em 1965, e amplia o percurso musical da noite para além do repertório estritamente feirense. A reportagem publicada pelo JGB em 24 de setembro registra Moacir Santos e Clóvis Mello nos créditos da composição.
A escolha tem relação também com a própria formação de Moacir Santos, que teve contato com bandas no interior de Pernambuco antes de construir trajetória como instrumentista, compositor, maestro e arranjador. No Projeto Retreta, a obra funciona como ligação entre a tradição das corporações musicais do interior e transformações posteriores da música instrumental brasileira.
União Sanfelixta chega a Feira após reconhecimento como patrimônio cultural
A convidada desta edição, Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, vem de São Félix, no Recôncavo Baiano, e chega a Feira de Santana pouco depois de obter reconhecimento institucional em seu município.
A Lei Municipal nº 556, de 26/08/2026, reconheceu formalmente a Sociedade Filarmônica União Sanfelixta como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de São Félix. A norma consta do sistema oficial de legislação municipal.
A participação da instituição reforça uma das características do Retreta: o intercâmbio entre bandas de diferentes municípios. Desde a estreia, o projeto já promoveu encontros da 25 de Março com filarmônicas de Irará, Cachoeira, Maragogipe e São Gonçalo dos Campos, além da apresentação agora programada com a corporação musical de São Félix.
Projeto Retreta começou em dezembro de 2025
O Projeto Retreta – Nosso Palco é a Praça estreou em 17/12/2025, no Coreto da Praça da Matriz, com a Filarmônica 25 de Março e participação da Filarmônica 25 de Dezembro, de Irará. Desde a primeira edição, a programação combinou concerto público e documentação histórica por meio da exposição fotográfica “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”.
A programação inicialmente anunciada previa dez apresentações, com recuperação e revisão de partituras históricas e circulação do repertório mantido pela instituição. O propósito declarado era recolocar no espaço público obras que haviam deixado de integrar regularmente a experiência musical das novas gerações.
A trajetória do projeto no primeiro semestre de 2026, entretanto, exige uma correção cronológica em relação a algumas publicações posteriores. A segunda apresentação estava originalmente marcada para 28/02/2026, no Coreto da Matriz, mas foi adiada devido às chuvas e realizada efetivamente em 07/03/2026, com participação da Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana.
Aniversário da 25 de Março e chegada à zona rural marcaram primeiro semestre
Em 25/03/2026, o projeto realizou nova apresentação no Coreto da Matriz para celebrar os 158 anos da Sociedade Filarmônica 25 de Março, com participação da Filarmônica Terpsícore Popular, de Maragogipe. O encontro reforçou a estratégia de aproximar corporações musicais históricas de diferentes municípios baianos.
A etapa seguinte ocorreu em 25/04/2026, quando o Retreta deixou temporariamente o centro urbano e chegou a Bonfim de Feira. A quarta edição reuniu a 25 de Março e a Sociedade Filarmônica Lira Musical Sangonçalense, ampliando a circulação do projeto para a zona rural do município.
A edição de setembro representa, portanto, a retomada do projeto após o intervalo entre os semestres e também o retorno ao Coreto da Praça da Matriz, onde a programação começou em dezembro de 2025.
Exposição transforma fotografias em documentos da memória urbana
Além da apresentação das duas bandas, o público poderá visitar a exposição “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”, concebida como parte permanente da proposta cultural do Projeto Retreta.
A mostra reúne fotografias relacionadas à trajetória de Feira de Santana e estabelece uma relação entre memória visual e patrimônio sonoro. Enquanto as partituras preservam repertórios e práticas musicais, os registros fotográficos permitem observar músicos, espaços urbanos, cerimônias, formas de vestir e transformações da paisagem da cidade.
Essa combinação amplia a função do evento: o concerto deixa de ser apenas execução musical e passa a operar também como forma de circulação de documentos históricos e de reocupação simbólica de um espaço centenário.
Feira celebra 193 anos de emancipação, mas cidade foi elevada a essa categoria em 1873
A edição especial ocorre depois de Feira de Santana completar 193 anos de emancipação político-administrativa em 18/09/2026. O calendário oficial da Prefeitura reconhece a data como Dia da Cidade e registra o período entre 1833 e 2026 como o 193º ano da autonomia político-administrativa municipal.
Do ponto de vista histórico, entretanto, há uma distinção necessária. A instalação da Vila e de sua estrutura político-administrativa ocorreu em 18/09/1833, consolidando o desmembramento de Cachoeira. A elevação formal da sede municipal à categoria de cidade ocorreu somente em 16/06/1873, pela Lei Provincial nº 1.320, quando recebeu a denominação de Comercial Cidade de Feira de Santana.
Assim, a homenagem de 2026 deve ser compreendida precisamente como celebração dos 193 anos de emancipação político-administrativa de Feira de Santana, ainda que o uso institucional contemporâneo também consagre 18 de setembro como aniversário ou Dia da Cidade.
Lei Rouanet financia execução do Projeto Retreta
O Projeto Retreta é uma produção da Sociedade Filarmônica 25 de Março, viabilizada pelo mecanismo federal de incentivo previsto na Lei Rouanet, com patrocínio informado da Rede Menor Preço, DPC Distribuidora e Bartofil e apoio institucional da Fundação Senhor dos Passos.
Documento publicado no Diário Oficial da União em 06/08/2025, por meio da Portaria Sefic/MinC nº 547, de 05/08/2025, identifica o Pronac 243764 – Retreta, apresentado pela Sociedade Filarmônica 25 de Março. O ato registra R$ 695.724,48 como valor total atualizado e autoriza a captação de recursos mediante doações ou patrocínios nos termos da legislação federal.
Esse valor corresponde ao montante autorizado no mecanismo de incentivo e não permite, isoladamente, concluir quanto foi efetivamente captado, recebido ou gasto. A apuração desses números depende dos registros atualizados de captação, execução e posterior prestação de contas do projeto.
Serviço
Evento: Projeto Retreta – edição em homenagem aos 193 anos de emancipação político-administrativa de Feira de Santana
Data: 26/09/2026 — sábado
Horário: 19h
Local: Coreto da Praça da Matriz — Feira de Santana (BA)
Filarmônica anfitriã: Sociedade Filarmônica 25 de Março
Filarmônica convidada: Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, de São Félix
Regência: maestro Antônio Neves
Exposição: “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 18/09/1833 — Emancipação político-administrativa: instalação da Vila e da estrutura municipal autônoma de Feira de Santana, após desmembramento de Cachoeira. O marco sustenta a comemoração dos 193 anos em 2026.
- 25/03/1868 — Fundação da Sociedade Filarmônica 25 de Março: entidade inicia trajetória vinculada à formação musical e às atividades religiosas, cívicas e culturais de Feira de Santana.
- 16/06/1873 — Elevação à categoria de cidade: a Lei Provincial nº 1.320 concede à sede municipal o status de cidade, sob a denominação de Comercial Cidade de Feira de Santana.
- 1916 — Construção do Coreto da Praça da Matriz: estrutura é instalada em frente à Igreja Matriz e passa a integrar um dos espaços históricos da sociabilidade feirense.
- 2014 — Criação da Escola de Música Maestro Estevam Moura: iniciativa integra o processo contemporâneo de reorganização e formação de novos músicos da Filarmônica 25 de Março.
- 17/12/2025 — Estreia do Projeto Retreta: Filarmônica 25 de Março e Filarmônica 25 de Dezembro, de Irará, inauguram o projeto no Coreto da Matriz.
- 28/02/2026 — Apresentação é adiada: a segunda edição, prevista para esta data, não ocorre devido às chuvas registradas em Feira de Santana.
- 07/03/2026 — Segunda apresentação efetiva: 25 de Março recebe a Minerva Cachoeirana no Coreto da Praça da Matriz.
- 25/03/2026 — Filarmônica comemora 158 anos: edição do Retreta reúne a 25 de Março e a Terpsícore Popular, de Maragogipe.
- 25/04/2026 — Retreta chega a Bonfim de Feira: quarta apresentação leva a programação à zona rural e recebe a Lira Musical Sangonçalense.
- 26/08/2026 — União Sanfelixta é reconhecida como patrimônio: Lei Municipal nº 556 reconhece a sociedade musical como Patrimônio Cultural Imaterial de São Félix.
- 18/09/2026 — Feira completa 193 anos de emancipação: o município celebra o marco político-administrativo de 1833.
- 26/09/2026 — Retreta celebra o aniversário municipal: 25 de Março e União Sanfelixta têm encontro marcado para as 19h no Coreto da Praça da Matriz.








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