Roma Jewelry Week 2026 recebe “Il Dialogo delle Arti”, mostra que une joalheria de Percossi Papi e pintura de Emiliano Alfonsi nas Corsie Sistine

Na terça-feira (22/09/2026), o ateliê Percossi Papi divulgou ao Jornal Grande Bahia (JGB) a realização de “Il Dialogo delle Arti”, projeto expositivo desenvolvido em colaboração com o pintor Emiliano Alfonsi para aproximar ourivesaria e pintura a partir de uma pesquisa comum sobre memória, símbolos e tradição artística italiana. A mostra será apresentada nas Corsie Sistine do complexo Santo Spirito in Sassia, em Roma, no contexto da Roma Jewelry Week 2026 e do projeto AUREA ROMA, sob curadoria de Monica Cecchini. O núcleo narrativo parte da trajetória de Benvenuto Tisi, conhecido como Garofalo, reinterpretada por Alfonsi em L’Alfabeto del Fiore e transposta pelo ateliê para joias, objetos de arte, miniaturas e elementos simbólicos.

A programação específica divulgada pelo ateliê prevê abertura na quinta-feira (08/10/2026), das 17h30 às 21h, com lugares reservados, seguida de visitação entre 9 e 11 de outubro, das 10h às 20h30, com entrada livre. A página principal da Roma Jewelry Week confirma que sua 6ª edição ocorrerá de 8 a 11 de outubro de 2026, nas Corsie Sistine.

Pintura e ourivesaria formam eixo da exposição

A proposta de “Il Dialogo delle Arti” não consiste apenas em reunir objetos de naturezas distintas no mesmo espaço. Conforme o material enviado ao JGB, pintura e ourivesaria são tratadas como linguagens autônomas capazes de produzir leituras diferentes de uma mesma memória. A referência central é Garofalo e o percurso artístico construído pelo pintor entre sua formação, seus deslocamentos por centros culturais italianos e o retorno ao ambiente ferrarese.

Na apresentação oficial da mostra, o Percossi Papi descreve o itinerário de Garofalo como um percurso ao mesmo tempo geográfico e humano. Ferrara representa as origens; outras cidades e ambientes artísticos introduzem novos mestres, técnicas e referências; o retorno assinala a incorporação dessas experiências em uma linguagem própria. Nesse desenho curatorial, o percurso histórico funciona como base para a relação contemporânea entre pintura e ourivesaria.

A exposição toma como peça articuladora “L’Alfabeto del Fiore”, de Emiliano Alfonsi. Em torno dela, as criações do atelier Percossi Papi acompanham etapas, imagens e símbolos relacionados à trajetória do artista renascentista. O projeto inclui ainda uma performance ao vivo, na qual uma miniaturista deverá reproduzir uma imagem extraída da obra de Alfonsi para posterior incorporação a uma peça única de joalheria do ateliê.

“L’Alfabeto del Fiore” antecedeu a apresentação em Roma

A obra de Alfonsi utilizada como eixo da iniciativa romana já havia fundamentado uma exposição realizada em 2026 no MuViG — Museo Virtuale del Garofalo, em Canaro, na região italiana do Vêneto. Intitulada “L’Alfabeto del Fiore: Metamorfosi del Garofalo nella pittura di Emiliano Alfonsi”, a mostra permaneceu aberta de 26 de abril a 2 de junho de 2026.

Segundo o museu, o projeto foi construído em torno de uma obra inédita e site-specific, concebida especialmente para seus espaços e voltada à biografia de Garofalo. O conjunto incluía ainda mais de 15 pinturas sobre madeira, relacionando procedimentos associados à tradição pictórica, como têmpera sobre painel e folha de ouro, a uma abordagem contemporânea da memória e do simbolismo. A montagem foi desenvolvida por Alfonsi e Michael Miazzi.

A passagem desse trabalho pelo MuViG constitui um antecedente direto para compreender a apresentação em Roma: o núcleo originalmente relacionado à pintura e à vida de Garofalo ganha uma segunda camada interpretativa quando encontra a produção do Percossi Papi, transferindo imagens e símbolos para objetos, miniaturas e joias.

Quem foi Benvenuto Tisi, o Garofalo

Benvenuto Tisi, conhecido como Garofalo, foi um dos pintores vinculados à escola de Ferrara no início do século XVI. A National Gallery de Londres situa seu nascimento por volta de 1481 e sua morte em 1559, classificando-o entre os principais artistas atuantes em Ferrara naquele período. Sua produção abrangeu pequenas pinturas de temática religiosa, retábulos, cenas mitológicas e afrescos.

O Museu de Ferrara registra que o artista passou pela oficina de Domenico Panetti, trabalhou com Boccaccio Boccaccino em Cremona e percorreu diferentes ambientes artísticos da Itália antes de se estabelecer definitivamente em Ferrara. A instituição aponta influências relacionadas, entre outros, a Giorgione, Ticiano e Rafael, sem reduzir sua produção a uma única matriz estilística.

O acervo da Galleria degli Uffizi, em Florença, conserva diversas obras atribuídas ao artista, entre elas uma Anunciação datada de cerca de 1535, além de pinturas religiosas realizadas durante diferentes fases de sua trajetória.

Percossi Papi conecta técnicas históricas e produção contemporânea

O atelier Percossi Papi, instalado nas proximidades do Panteão, em Roma, desenvolve sua produção desde o final dos anos 1960. O próprio ateliê informa atuação naquele endereço desde 1968, com trabalho marcado pelo uso de esmaltação cloisonné, materiais tradicionais, pedras, pérolas e procedimentos artesanais associados à produção de joias e objetos de arte.

Fundador do atelier, Diego Percossi Papi, nascido em Roma em 1946, estudou arquitetura depois da formação clássica e iniciou de maneira autodidata atividades relacionadas à escultura e à ourivesaria. A Fondazione Cologni dei Mestieri d’Arte registra que ele recebeu em 2016 o reconhecimento de Maestro d’Arte e Mestiere. O trabalho familiar passou posteriormente a incorporar a participação dos filhos Valeria e Giuliano Percossi Papi.

Essa trajetória ajuda a explicar a escolha de uma exposição baseada na relação entre história, objeto artístico e técnicas manuais. O próprio ateliê apresenta sua produção como resultado da associação entre referências históricas, cultura clássica, arquitetura romana e procedimentos artesanais, elementos que reaparecem na concepção de “Il Dialogo delle Arti”.

AUREA ROMA integra diferentes disciplinas artísticas

O documento encaminhado ao JGB informa que a exposição integra o projeto AUREA ROMA, conduzido no âmbito da Roma Jewelry Week sob curadoria de Monica Cecchini, e relaciona a iniciativa ao tema “La Corona dell’Ingegno”.

Cecchini é identificada pela organização da Roma Jewelry Week como idealizadora e diretora artística do projeto geral e presidente da associação cultural Incinque Open Art Monti, promotora da programação. A estrutura da RJW também reúne especialistas ligados à história da joalheria, artes aplicadas, design e produção cultural.

Em comunicação institucional da própria Roma Jewelry Week, AUREA ROMA é apresentado como projeto destinado a aproximar mestres ourives ou designers de joias de criadores oriundos de outras linguagens — entre elas pintura, escultura, arquitetura, música, literatura e artes performáticas — tendo como perspectiva a elaboração de obras decorrentes desse intercâmbio criativo.

Roma Jewelry Week chega à sexta edição

A Roma Jewelry Week se define como uma programação dedicada à promoção da joalheria contemporânea, joalheria autoral, joalheria artística e às tradições históricas da ourivesaria romana. Para 2026, o site oficial anuncia a sexta edição, de 8 a 11 de outubro, tendo as Corsie Sistine entre seus espaços centrais.

A estrutura do evento não se limita a uma única exposição. A organização informa a realização de mostras, projetos individuais, atividades em ateliês e espaços selecionados, além de circuitos relacionados à produção de joias em diferentes áreas de Roma. A página de participação registra ainda que a sexta edição do Premio Incinque Jewels utilizará as Corsie Sistine no período de 6 a 11 de outubro de 2026.

Dentro dessa programação, “Il Dialogo delle Arti” ocupa uma posição específica: utiliza a joalheria como suporte para uma narrativa desenvolvida inicialmente pela pintura, incorporando também miniatura e objetos artísticos.

Corsie Sistine acrescentam dimensão histórica ao projeto

As Corsie Sistine integram o complexo de Santo Spirito in Sassia, em Roma. Segundo o polo museológico responsável pelo conjunto, as estruturas foram reformuladas entre 1471 e 1478, durante o pontificado de Sisto IV della Rovere, a partir de projetos atribuídos a Baccio Pontelli e ao escultor Andrea Bregno.

O edifício tem aproximadamente 120 metros de comprimento por 13 metros de largura e reúne as grandes alas Baglivi e Lancisi, conectadas por uma estrutura octogonal. O interior conserva um ciclo de afrescos relacionado à história do antigo hospital e de seus fundadores, além de um cibório identificado pelo museu como a única obra romana de Andrea Palladio.

A escolha desse espaço estabelece, portanto, uma relação direta entre o discurso da mostra e uma arquitetura originada no próprio período renascentista. Trata-se de uma conexão documentalmente verificável entre o ambiente expositivo e o contexto histórico utilizado como referência pelo projeto.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 1481, aproximadamente — nascimento de Benvenuto Tisi, o Garofalo; o artista posteriormente se consolida entre os nomes da escola pictórica de Ferrara.
  • 1471–1478 — durante o pontificado de Sisto IV, ocorre a reconstrução que dá origem às atuais Corsie Sistine, futuro espaço da exposição.
  • 1559 — morte de Garofalo, depois de uma trajetória vinculada principalmente a Ferrara e à produção religiosa renascentista.
  • 1968 — Diego Percossi Papi consolida seu atelier próximo ao Panteão, em Roma, desenvolvendo produção ligada à ourivesaria, esmaltação e objetos artísticos.
  • 2016 — Diego Percossi Papi recebe o reconhecimento Maestro d’Arte e Mestiere, concedido no âmbito da Fondazione Cologni.
  • 26/04 a 02/06/2026 — o MuViG, em Canaro, recebe L’Alfabeto del Fiore: Metamorfosi del Garofalo nella pittura di Emiliano Alfonsi, antecedente direto do núcleo pictórico utilizado no projeto romano.
  • 03/09/2026 — o Percossi Papi publica em seu site a apresentação de “Il Dialogo delle Arti”, relacionando o projeto à Roma Jewelry Week 2026.
  • 22/09/2026 — material de divulgação da exposição é encaminhado ao Jornal Grande Bahia, apresentando Percossi Papi e Emiliano Alfonsi como autores do projeto e associando a mostra ao AUREA ROMA.
  • 08/10/2026 — abertura prevista nas Corsie Sistine, das 17h30 às 21h, mediante convite ou reserva.
  • 09 a 11/10/2026 — período anunciado de entrada livre, das 10h às 20h30, para a exposição. A Roma Jewelry Week encerra sua sexta edição em 11 de outubro.

Os fatos confirmados mostram que “Il Dialogo delle Arti” não surge como projeto isolado. A exposição articula três trajetórias documentáveis: a pesquisa pictórica de Emiliano Alfonsi sobre Garofalo apresentada anteriormente no MuViG; a tradição artesanal e histórica do Percossi Papi; e a estratégia da Roma Jewelry Week de aproximar joalheria de outras linguagens artísticas. A ambientação nas Corsie Sistine acrescenta uma relação histórica concreta com o período renascentista utilizado como referência narrativa.

Do ponto de vista interpretativo, a principal característica do projeto está na circulação de uma mesma imagem entre suportes diferentes. Pintura, miniatura, metal, esmaltação e joalheria deixam de funcionar apenas como categorias técnicas e tornam-se etapas de tradução visual. A performance prevista — levando um fragmento pictórico de Alfonsi à miniatura e depois a uma joia — materializa essa proposta e oferece um elemento verificável para acompanhar após a abertura.

Percossi Papi e Emiliano Alfonsi apresentarão em Roma, entre 8 e 11 de outubro de 2026, uma exposição dedicada ao encontro entre pintura e ourivesaria, construída a partir da memória artística de Garofalo e inserida na sexta Roma Jewelry Week. A relevância cultural está na relação entre patrimônio histórico, técnicas artesanais e produção contemporânea; os próximos elementos verificáveis dependerão da execução da programação, das obras efetivamente apresentadas e das informações posteriores divulgadas pelos artistas, pela organização da Roma Jewelry Week e pelo complexo Santo Spirito in Sassia.


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