Brasília, quarta-feira (07/10/2026) — O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, anunciou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e afirmou que mobilizará na Bahia prefeitos, parlamentares eleitos e lideranças que integraram sua campanha ao Governo do Estado. A declaração ocorre três dias depois de Neto ser derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa estadual e um dia após a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), formalizar apoio ao candidato do PL. A movimentação coloca o principal grupo de oposição ao Governo da Bahia na campanha presidencial em um estado no qual Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 66,17% dos votos válidos no primeiro turno, contra 28,53% de Flávio Bolsonaro.
Ao lado de Flávio Bolsonaro, em Brasília, Neto afirmou que a decisão partidária encerrou as indefinições mantidas durante a primeira etapa da campanha presidencial. “Todos nós do União Brasil fechamos questão em torno do apoio à candidatura de Flávio à Presidência. Falo também aqui em nome do quarto maior colégio eleitoral do Brasil, que é a Bahia”, declarou.
A referência ao peso eleitoral baiano encontra respaldo nos dados oficiais da Justiça Eleitoral. A Bahia possui 11.321.005 eleitores aptos, equivalentes a 7,13% do eleitorado brasileiro, e ocupa a quarta posição nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A manifestação de Neto, contudo, constitui uma representação política de seu grupo e de seu partido, e não uma representação institucional do conjunto do eleitorado baiano, cuja orientação no primeiro turno foi majoritariamente favorável a Lula.
ACM Neto promete colocar sua base política na campanha de Flávio Bolsonaro
O ex-prefeito de Salvador afirmou que a atuação no segundo turno não ficará restrita a uma declaração formal. Segundo ele, dirigentes municipais, candidatos e parlamentares ligados à sua candidatura estadual deverão participar da campanha presidencial do PL na Bahia.
“Eu disse a ele que nós faremos todo o empenho na Bahia, eu e todo o meu grupo político, os prefeitos que me acompanharam, os deputados federais eleitos, os candidatos que disputaram o primeiro turno. Todos nós estaremos motivados, mobilizados e trabalhando a partir de hoje pela campanha de Flávio Bolsonaro para presidente”, afirmou.
A decisão amplia a estrutura política colocada formalmente à disposição do candidato presidencial no estado. Durante a eleição baiana, Neto liderou uma coligação estadual que reunia forças políticas de centro e direita, enquanto o próprio PL integrava sua aliança. A relação entre as duas candidaturas já havia produzido gestos eleitorais antes do primeiro turno: em 02/10/2026, Flávio Bolsonaro divulgou manifestações de apoio a ACM Neto, além de pedir votos para candidaturas ao Senado ligadas ao mesmo campo político na Bahia.
Apoio marca mudança em relação ao primeiro turno presidencial
A adesão formal a Flávio Bolsonaro representa uma mudança na posição adotada por ACM Neto durante a primeira etapa da eleição presidencial. Em 18/07/2026, durante agenda em Feira de Santana, o então pré-candidato ao Governo da Bahia havia declarado preferência pela candidatura de Ronaldo Caiado, posteriormente lançada pelo PSD.
Na convenção estadual realizada em 22/07, Neto afirmou que as legendas integrantes de sua aliança na Bahia teriam liberdade para apoiar diferentes candidatos à Presidência. Ele próprio manteve sua opção por Caiado e, ainda em agosto, rejeitou a interpretação de que incentivasse um eventual voto combinado entre sua candidatura estadual e a candidatura presidencial de Lula.
A posição permaneceu até o dia da votação. Em 04/10/2026, após comparecer às urnas em Salvador, ACM Neto confirmou que havia votado em Ronaldo Caiado para presidente, cumprindo o posicionamento anunciado durante a campanha. Caiado terminou o primeiro turno nacional com 2,18% dos votos válidos; na Bahia, recebeu 122.705 votos, ou 1,43%.
Derrota na Bahia antecedeu reorganização da oposição
A eleição estadual foi definida no próprio primeiro turno. Com 100% das urnas apuradas, Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador com 4.626.509 votos, equivalentes a 55,80% dos válidos. ACM Neto recebeu 3.625.227 votos, ou 43,72%, encerrando sua segunda tentativa consecutiva de chegar ao Palácio de Ondina.
O resultado representou a segunda derrota de Neto para Jerônimo em quatro anos. Em 2022, os dois haviam disputado o segundo turno; em 2026, o governador petista ampliou sua votação o suficiente para resolver a eleição na primeira etapa. Com a reeleição, o PT mantém o Governo da Bahia, ocupado pelo partido desde 2007.
Encerrada a disputa estadual, a eleição presidencial passou a concentrar a atuação imediata dos dois principais campos políticos baianos. Jerônimo Rodrigues reafirmou apoio a Lula, enquanto Neto sinalizou, logo após o resultado das urnas, que discutiria em Brasília a posição nacional do União Brasil. A definição ocorreu na reorganização das alianças partidárias aberta pelo segundo turno.
União Brasil e PP formalizam aliança nacional com Flávio
A manifestação de ACM Neto ocorre depois de a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, decidir apoiar Flávio Bolsonaro. Segundo relatos publicados após a reunião das cúpulas partidárias, a decisão foi tomada por aclamação e acompanhada de fechamento de questão em torno da candidatura do PL.
Durante o primeiro turno, a federação evitou assumir uma candidatura presidencial única, cenário que permitiu comportamentos distintos de seus dirigentes e candidatos estaduais. A nova posição procura unificar o campo partidário na disputa direta entre Flávio Bolsonaro e Lula.
O movimento integra uma recomposição nacional mais ampla. Depois das urnas de 4 de outubro, Flávio passou a receber adesões de setores partidários e lideranças que haviam seguido outros caminhos no primeiro turno, entre eles o próprio Ronaldo Caiado. O PSD, entretanto, adotou neutralidade nacional e liberou seus integrantes para escolher entre os dois finalistas.
Flávio liderou nacionalmente, mas Lula abriu vantagem superior a 3,2 milhões na Bahia
A estratégia de ACM Neto terá como principal desafio o comportamento eleitoral verificado no próprio estado. No resultado nacional definitivo do primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula obteve 53.879.538, correspondentes a 45,16%. A vantagem do candidato do PL foi de 2.224.965 votos.
Na Bahia, entretanto, a relação foi inversa. Lula alcançou 5.664.771 votos, ou 66,17%, e Flávio somou 2.442.585 votos, equivalentes a 28,53%. A diferença em favor do petista superou 3,2 milhões de votos, fazendo do estado uma das principais bases para compensar a vantagem conquistada pelo candidato do PL em outras regiões do país.
Os resultados também indicam que os votos para governador e presidente não se transferiram mecanicamente entre candidaturas de um mesmo campo. ACM Neto obteve 43,72% para governador, percentual aproximadamente 15 pontos superior aos 28,53% alcançados por Flávio Bolsonaro no estado. Lula, por sua vez, registrou 66,17% na disputa presidencial, acima dos 55,80% obtidos por Jerônimo Rodrigues. Os números revelam comportamento diferenciado do eleitorado conforme o cargo disputado.
Neto associa apoio à defesa de mudança no Governo Federal
Ao justificar sua decisão, ACM Neto relacionou o alinhamento à oposição ao atual Governo Federal e afirmou esperar a vitória de Flávio Bolsonaro na votação de 25 de outubro.
“Precisamos mudar o nosso país. Esse compromisso em mudar o Brasil é o que faz com que a gente esteja aqui, empenhado, confiante, e, se Deus quiser, vamos à vitória no dia 25 de outubro”, declarou.
A fala estabelece uma conexão entre a reorganização da oposição baiana depois da derrota estadual e a disputa nacional. Neto deixa de manter a separação entre sua estratégia política na Bahia e o confronto presidencial e passa a integrar formalmente a campanha do candidato do PL.
Segundo turno ocorre em 25 de outubro
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno depois que nenhum candidato alcançou maioria absoluta dos votos válidos em 04/10/2026. A nova votação será realizada no domingo, 25/10, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
O calendário eleitoral estabelece ainda a retomada da propaganda gratuita no rádio e na televisão entre 9 e 23 de outubro, período em que os dois candidatos terão uma campanha nacional concentrada na conquista dos eleitores das candidaturas eliminadas, na redução da abstenção e na consolidação das alianças negociadas após o primeiro turno.
A margem nacional entre os finalistas é pequena quando comparada aos contingentes ainda potencialmente disputáveis. Além dos mais de 9,3 milhões de votos dados aos demais candidatos, o primeiro turno registrou 33.469.244 abstenções, ou 21,08% do eleitorado, além de cerca de 6 milhões de votos brancos e nulos.
Bahia torna-se território estratégico para as duas campanhas
Para Lula, preservar a vantagem baiana significa manter uma das maiores reservas absolutas de votos de sua candidatura. O presidente terminou o primeiro turno atrás de Flávio nacionalmente, mas a diferença de mais de 3,2 milhões conquistada somente na Bahia foi superior à vantagem nacional de aproximadamente 2,22 milhões obtida pelo candidato do PL.
Para Flávio Bolsonaro, a entrada direta de ACM Neto na campanha abre a possibilidade de ampliar sua votação entre segmentos que apoiaram o ex-prefeito para governador, mas escolheram Lula, Caiado ou outros candidatos para presidente. A comparação dos resultados mostra que existe matematicamente um espaço eleitoral entre os 43,72% recebidos por Neto e os 28,53% obtidos pelo candidato do PL; transformar essa diferença em voto presidencial, contudo, depende da decisão individual dos eleitores e não pode ser presumido a partir de alianças partidárias.
Essa separação entre voto estadual e presidencial constitui um dos elementos centrais da disputa baiana no segundo turno. A força territorial, municipal e parlamentar da oposição pode oferecer estrutura de campanha a Flávio, mas os números do primeiro turno mostram que organização partidária e transferência eleitoral são fenômenos distintos.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 18/07/2026 — Feira de Santana: ACM Neto declara preferência por Ronaldo Caiado na eleição presidencial enquanto articula sua candidatura ao Governo da Bahia.
- 22/07/2026 — Salvador: durante a convenção que oficializa sua candidatura a governador, Neto defende liberdade para que os partidos de sua coligação apoiem diferentes presidenciáveis.
- 19/08/2026 — Salvador: Neto reafirma apoio a Caiado e nega incentivar voto combinado entre sua candidatura e Lula.
- 02/10/2026 — Reta final do primeiro turno: Flávio Bolsonaro divulga pedido de votos para ACM Neto e candidatos ao Senado ligados à aliança estadual.
- 04/10/2026 — Primeiro turno: ACM Neto confirma voto em Ronaldo Caiado. No mesmo dia, Jerônimo Rodrigues é reeleito governador da Bahia com 55,80%, enquanto Neto recebe 43,72%.
- 04 e 05/10/2026 — Apuração presidencial: Flávio Bolsonaro termina em primeiro nacionalmente, com 47,03%, e Lula registra 45,16%; ambos avançam para o segundo turno.
- 05/10/2026 — Resultado baiano consolidado: Lula registra 66,17% dos votos válidos na Bahia, diante de 28,53% de Flávio Bolsonaro.
- 06/10/2026 — Brasília: a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, formaliza apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
- 07/10/2026 — Brasília: ACM Neto anuncia publicamente adesão a Flávio e promete mobilizar prefeitos, parlamentares eleitos, candidatos e demais integrantes de seu grupo político na Bahia.
- 09/10/2026 — Campanha eleitoral: começa, conforme o calendário do TSE, a propaganda gratuita no rádio e na televisão para o segundo turno.
- 25/10/2026 — Segundo turno: eleitores voltam às urnas para definir a Presidência da República.








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