Cooperfeira apresenta uso de drones com defensivos na pecuária e aponta custo de cerca de R$ 120 por hectare

A Cooperativa Pecuária de Feira de Santana (Cooperfeira) apresentou a produtores rurais o uso de drones na aplicação de defensivos agrícolas em pastagens, durante mais uma edição do Café com o Produtor. A tecnologia começa a ser incorporada à pecuária regional como ferramenta para o manejo das pastagens e controle de plantas daninhas, com necessidade de planejamento específico para as características das propriedades.

O encontro contou com a participação de Gilmário e Maíra Oliveira, que trabalham com pulverização por drones. Durante a apresentação, eles detalharam possibilidades de utilização dos equipamentos e os cuidados necessários nas operações realizadas em áreas destinadas à pecuária, onde árvores, animais, cercas e outros elementos tornam o trabalho diferente daquele executado em grandes áreas agrícolas.

Entre os principais pontos discutidos está a preservação das árvores existentes nas pastagens. Em regiões de clima quente, a vegetação fornece áreas de sombra ao rebanho e, por isso, precisa ser considerada durante o planejamento da pulverização. A operação exige mapeamento prévio da propriedade, definição da área-alvo e preparação do operador para reduzir o risco de que o defensivo alcance plantas que não devem receber o produto.

Sensores e mapeamento ampliam controle sobre pulverização

O avanço dos sensores, sistemas de navegação e recursos de mapeamento tem ampliado as possibilidades de utilização dos drones nas propriedades rurais. A programação dos voos permite delimitar as áreas que receberão a pulverização e estabelecer previamente parâmetros relacionados à operação.

Entre esses parâmetros está o volume de produto aplicado por hectare. A definição antecipada possibilita maior controle sobre a distribuição durante o voo e oferece ao produtor informações para organizar o manejo da pastagem e calcular os insumos empregados em cada área.

Outro aspecto apresentado no Café com o Produtor foi a redução do volume de água utilizado na aplicação. Segundo os profissionais participantes do encontro, a pulverização com drones também permite controlar com maior precisão a quantidade de defensivo empregada, elemento que interfere no planejamento dos custos e na organização das atividades da propriedade.

Serviço de pulverização custa cerca de R$ 120 por hectare

O preço da operação não é fixo e depende das características do terreno, dimensão da área e dificuldades encontradas durante o trabalho. Como referência, durante a apresentação foi informado um custo de aproximadamente R$ 120 por hectare, considerando exclusivamente o serviço de aplicação.

A adoção do equipamento, entretanto, exige atenção às regras aplicáveis à pulverização aérea. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) mantém regulamentação específica para aeronaves remotamente pilotadas destinadas à aplicação de agrotóxicos, fertilizantes e outros produtos agrícolas. A Portaria MAPA nº 298, de 22 de setembro de 2021, estabelece requisitos para esse tipo de operação.

De acordo com orientações do próprio Ministério, produtores ou prestadores de serviços que operem drones de pulverização devem observar os procedimentos de registro perante o MAPA, além das exigências aplicáveis de outros órgãos reguladores, entre eles Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e órgãos estaduais competentes.

Drones também podem auxiliar no monitoramento do rebanho

A aplicação de defensivos constitui apenas uma das possibilidades apresentadas para o uso da tecnologia na pecuária. Os drones também podem ser empregados na contagem de animais e no monitoramento das propriedades, ampliando sua função para além das operações diretamente relacionadas às pastagens.

Esses recursos podem auxiliar o produtor na observação de áreas extensas e na coleta de informações sobre a propriedade. A incorporação dessas ferramentas, no entanto, depende das necessidades de cada estabelecimento rural, dos custos envolvidos, da qualificação dos operadores e da evolução dos próprios equipamentos.

Ao incluir a pulverização por drones na programação do Café com o Produtor, a Cooperfeira mantém uma agenda voltada à discussão de tecnologias, manejo e gestão da atividade pecuária. O encontro aproxima produtores de ferramentas que vêm sendo incorporadas à produção rural e permite discutir, simultaneamente, custos, condições de operação, segurança e possibilidades de aplicação no campo.

Cooperfeira amplia agenda técnica do Café com o Produtor

O Café com o Produtor já vem sendo utilizado pela Cooperfeira como espaço para a discussão de temas relacionados à atividade pecuária em Feira de Santana e região. Entre os assuntos abordados em encontros anteriores estão manejo de pastagens, uso correto de herbicidas, rastreabilidade bovina, gestão do rebanho e exigências regulatórias.

A incorporação dos drones a essa agenda acompanha um movimento de digitalização das atividades agropecuárias. No caso da pecuária, as aplicações podem envolver desde intervenções diretamente relacionadas ao manejo das pastagens até sistemas de acompanhamento dos animais e levantamento das condições das propriedades.

Para os produtores, a avaliação sobre a adoção da pulverização com drones passa pela comparação entre custo operacional, características da propriedade, quantidade de hectares atendidos e exigências técnicas e regulatórias. A referência de aproximadamente R$ 120 por hectare apresentada durante o encontro corresponde somente ao serviço de aplicação e pode variar conforme as condições encontradas em cada área.


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