Deputado Robinson Almeida cobra responsabilização do prefeito Bruno Reis após PGE levar ao MPF caso de 944 ônibus parados no 2º turno em Salvador

O deputado estadual Robinson Almeida (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), cobrou, nesta quinta-feira (29/10/2026), a responsabilização do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, pelas circunstâncias que envolveram a redução da oferta de ônibus no segundo turno das Eleições 2026, realizado no domingo (25/10/2026).

A manifestação ocorre após a Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) apresentar, na quarta-feira (28/10/2026), uma notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF) para que sejam investigadas possíveis irregularidades na prestação do transporte coletivo de Salvador durante a votação. A representação cita o prefeito, o secretário municipal de Mobilidade e sócios das empresas concessionárias.

O procedimento foi baseado em fiscalização do Procon-BA, que contabilizou 944 ônibus estacionados em nove garagens das concessionárias durante o período eleitoral. A apresentação de uma notícia-crime, entretanto, não representa comprovação de crime nem estabelece responsabilidade dos citados. Essas questões dependerão das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.

Robinson Almeida cobra investigação e responsabilização

Para Robinson Almeida, as circunstâncias envolvendo a operação do transporte municipal precisam ser esclarecidas para determinar quem tomou as decisões que resultaram na redução da disponibilidade de ônibus e se houve intenção de dificultar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.

“Impedir ou restringir o transporte público em um dia de eleição é uma agressão grave ao direito de voto e à democracia. É preciso investigar quem ordenou, executou e se beneficiou dessa medida”, afirmou o deputado.

O parlamentar acrescentou que Bruno Reis e Pablo Souza devem responder caso suas responsabilidades sejam comprovadas. Robinson também defendeu que a investigação identifique a participação de agentes públicos e privados e esclareça se houve práticas destinadas a dificultar o comparecimento dos eleitores às urnas.

Procon registra 944 ônibus em nove garagens de Salvador

A fiscalização realizada no domingo (25/10/2026) contabilizou 944 ônibus em nove garagens das concessionárias responsáveis pelo sistema municipal. Os registros produzidos pelo Procon-BA integram a documentação encaminhada aos órgãos responsáveis pela apuração do episódio.

Segundo informações oficiais do Governo da Bahia, o Procon-BA também encaminhou relatório técnico à Polícia Federal, ao Ministério Público Eleitoral, ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e à Polícia Civil para apuração das possíveis irregularidades. A documentação reúne autos de fiscalização, registros fotográficos e reclamações relacionadas ao serviço de transporte.

A notícia-crime encaminhada pela PGE solicita que sejam apuradas eventuais responsabilidades do prefeito Bruno Reis, do secretário Pablo Souza e de representantes das empresas concessionárias. O foco do procedimento é esclarecer as circunstâncias que levaram à redução da disponibilidade do transporte coletivo durante o período de votação.

Prefeitura apresentou versão diferente sobre redução da frota

A administração municipal apresentou uma explicação diferente para os problemas registrados no domingo. Bruno Reis afirmou que atrasos na saída dos ônibus foram provocados pela retirada de propaganda eleitoral que teria sido colocada nos veículos e declarou que a operação foi normalizada ainda pela manhã.

O prefeito também sustentou que a presença de ônibus dentro das garagens não significa, isoladamente, que todos os veículos deveriam estar em circulação, porque o sistema possui frota reserva, veículos substituídos e coletivos eventualmente indisponíveis para operação. A versão apresentada pela Prefeitura integra o contraditório sobre o episódio.

A divergência entre os números registrados pela fiscalização e as informações fornecidas pelo Município tornou-se um dos pontos a serem examinados pelas autoridades. A apuração deverá estabelecer quantos ônibus deveriam efetivamente estar em circulação, quais veículos estavam disponíveis, quais motoristas foram escalados e como foi definida a programação operacional no dia da eleição.

TRE-BA determina investigação e preservação de documentos

O TRE-BA também determinou o encaminhamento do caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da frota durante o segundo turno.

A Justiça Eleitoral determinou ainda que o Município de Salvador, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e as concessionárias preservassem e apresentassem documentos relacionados à operação, incluindo plano operacional, escalas de motoristas, ordens de serviço, registros de monitoramento da frota e comunicações internas.

A legislação eleitoral estabelece que o transporte coletivo deve ser oferecido gratuitamente nos dias de votação, com frequência compatível com a praticada em dias úteis. Segundo a PGE-BA, a Resolução nº 23.759/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que uma redução injustificada da oferta pode resultar na apuração de infrações eleitorais.

Robinson Almeida fala em possível ação para aumentar abstenção

Robinson Almeida sustentou que a investigação deverá examinar se a redução do transporte ocorreu de maneira deliberada e se houve eventual objetivo de afetar o comparecimento às urnas. A afirmação constitui uma acusação do parlamentar e depende de comprovação pelas autoridades responsáveis pela apuração.

“O fato concreto é que Salvador amanheceu naquele domingo sem ônibus. Motoristas e cobradores receberam folga. O crime, grave, ao que se percebe, foi planejado com nítido objetivo de prejudicar o resultado das eleições, impedir que o eleitor chegasse aos seus locais de votação, aumentar o índice de abstenção”, declarou Robinson Almeida.

O deputado afirmou ainda que vídeos publicados nas redes sociais mostrariam dificuldades enfrentadas por passageiros e iniciativas de carona solidária. Esses registros foram mencionados pelo parlamentar como elementos que, na avaliação dele, reforçam a necessidade de investigação sobre as condições do transporte municipal naquele domingo.

Apuração deverá definir responsabilidades

Até esta quinta-feira (29/10/2026), os procedimentos conhecidos concentram-se na investigação das circunstâncias que provocaram a redução da oferta de transporte e na identificação de eventuais responsabilidades individuais de agentes públicos, concessionárias e seus representantes.

A existência de 944 ônibus dentro das garagens, por si só, não resolve a controvérsia sobre a dimensão da frota que deveria estar efetivamente em circulação. A apuração deverá confrontar os registros da fiscalização com o planejamento operacional, a disponibilidade dos veículos, as escalas dos trabalhadores e as determinações expedidas pela Justiça Eleitoral.

A responsabilização de Bruno Reis, Pablo Souza ou representantes das empresas dependerá das conclusões dos procedimentos administrativos, eleitorais e criminais. O episódio permanece sob análise de instituições como MPF, Ministério Público Eleitoral, TRE-BA e Polícia Federal, que deverão determinar se houve infração e quem eventualmente participou das condutas investigadas.

Leia +

PGE aciona MPF por 944 ônibus parados em Salvador; Procon envia relatório à PF e TRE mantém investigação sobre o segundo turno


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Deixe um comentário


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.