O deputado estadual Robinson Almeida (PT) contestou, nesta sexta-feira (10/07/2026), a declaração do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), sobre a apresentação de uma solução para o transporte público da capital nos primeiros três meses de uma eventual gestão estadual. O parlamentar responsabilizou o grupo político adversário pelas dificuldades enfrentadas pelo sistema municipal de ônibus, citou a administração do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e defendeu os investimentos do Governo da Bahia no metrô e no VLT como medidas estruturantes para a mobilidade urbana.
A manifestação ocorreu após ACM Neto participar, na noite de quinta-feira (09/07), do evento “Sua Voz é Nossa Voz”, em Cajazeiras X, ao lado de Bruno Reis. Na ocasião, o ex-prefeito afirmou que, se vencer a eleição estadual, apresentará em três meses uma solução construída com a Prefeitura para melhorar o transporte coletivo, sem elevar o valor da passagem.
Robinson reagiu em tom crítico e afirmou que a promessa desconsidera os oito anos em que Neto administrou Salvador, entre 2013 e 2020. Para o petista, o pré-candidato tenta apresentar-se como responsável pela solução de dificuldades que teriam se aprofundado durante as gestões municipais comandadas pelo mesmo grupo político.
Robinson Almeida questiona promessa de ACM Neto
“ACM Neto perdeu mais uma grande oportunidade de ficar calado, mas insistiu em querer enganar o povo de Salvador ao dizer que vai resolver o problema do transporte público em três meses, se eleito governador”, declarou Robinson Almeida.
Segundo o deputado, a situação atual do sistema não pode ser dissociada das decisões adotadas durante os dois mandatos de Neto na Prefeitura. Ele também atribuiu à administração de Bruno Reis o agravamento de problemas relacionados à oferta de linhas, à lotação dos veículos e à qualidade do atendimento aos passageiros.
“Agora diz que resolverá, em três meses, o problema que ele criou e que Bruno Reis vem agravando. Isso não convence quem enfrenta ônibus lotados e linhas reduzidas todos os dias”, afirmou o parlamentar.
ACM Neto promete parceria com Prefeitura de Salvador
A declaração que provocou a reação foi feita por ACM Neto durante um encontro político realizado em Cajazeiras X. Segundo o relato publicado pelo Aqui Só Política, o pré-candidato acusou o Governo da Bahia de não apoiar adequadamente o transporte municipal durante sua administração e na atual gestão de Bruno Reis.
Neto afirmou que pretende atuar como parceiro da Prefeitura caso seja eleito governador. A formulação original da proposta estabelece que, em três meses, seria apresentada “uma solução construída” para melhorar o serviço, sem aumento da tarifa paga pelos passageiros.
Essa distinção é relevante: enquanto Robinson Almeida interpretou a declaração como promessa de resolver a crise no prazo anunciado, ACM Neto falou em construir e apresentar uma solução durante os três primeiros meses de governo. Até o momento, não foram detalhados publicamente o modelo de financiamento, as metas operacionais, as responsabilidades de Estado e Município nem as medidas que integrariam a proposta.
Deputado atribui ao Governo da Bahia investimentos estruturantes
Ao rebater o adversário, Robinson Almeida sustentou que o Governo da Bahia foi responsável pelas principais intervenções recentes de transporte de alta capacidade em Salvador. O deputado citou a implantação e a expansão do metrô, além das obras do Veículo Leve sobre Trilhos, como exemplos da participação estadual na mobilidade da capital.
“Foi o Estado que entregou o metrô e agora avança com o VLT, obras que ampliam a oferta de transporte e melhoram a integração do sistema”, declarou.
A afirmação integra a disputa política sobre as responsabilidades administrativas e o legado dos diferentes grupos que governam Salvador e a Bahia.
De acordo com informações oficiais do Governo do Estado, o projeto do VLT de Salvador e Região Metropolitana terá aproximadamente 44 quilômetros de extensão, 50 paradas e integração física e operacional com o metrô em Águas Claras e no Bairro da Paz. A Estação Calçada, primeira estrutura entregue do novo sistema, foi inaugurada em junho de 2026. O trecho entre Calçada e Ilha de São João havia ultrapassado 64% de execução na ocasião. Os dados constam do balanço divulgado pela Casa Civil da Bahia.
Prefeitura apresenta investimentos em renovação da frota
Embora Robinson Almeida tenha atribuído às administrações de ACM Neto e Bruno Reis a responsabilidade pela crise dos ônibus, a Prefeitura de Salvador sustenta que vem adotando medidas para renovar a frota, recuperar linhas e ampliar o número de viagens. Essa posição não representa uma resposta específica às declarações do deputado, mas constitui a versão institucional divulgada pelo Município sobre o sistema.
A tarifa dos ônibus convencionais, do BRT e do Subsistema de Transporte Especial Complementar passou a custar R$ 5,90 em janeiro de 2026. Segundo a administração municipal, o Salvador Card permite utilizar até três modais, incluindo o metrô, mediante o pagamento de uma única passagem.
A gestão municipal também anunciou um contrato de R$ 264 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para a aquisição de 300 ônibus com tecnologia Proconve-P8, equivalente ao padrão Euro VI. A Prefeitura informa ainda que aproximadamente metade da frota é climatizada, que oito ônibus elétricos estão em operação e que linhas anteriormente suspensas vêm sendo retomadas.
Mudança de gestão municipal é defendida por Robinson
Robinson Almeida afirmou que a recuperação do transporte coletivo depende de uma mudança no comando da Prefeitura. A declaração insere a mobilidade urbana no centro da disputa política entre o PT e o União Brasil, especialmente diante da eleição estadual de 2026 e da articulação de Neto para concorrer novamente ao Governo da Bahia.
“O que Salvador precisa é retirar da Prefeitura o grupo político que destruiu o sistema. Não adianta prometer em três meses o que não foi capaz de fazer em oito anos. O povo sabe quem criou o problema e quem está trabalhando para enfrentá-lo”, concluiu o deputado.
A crítica reforça uma linha de argumentação adotada por integrantes da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT): a de que o Estado assumiu as intervenções estruturantes sobre trilhos, enquanto o Município enfrenta dificuldades para garantir regularidade, cobertura territorial e qualidade no transporte por ônibus.








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