Flávio Bolsonaro chega ao 2º turno sob investigações sobre Dark Horse, bets e BRB; “rachadinhas” tiveram provas anuladas

Neste domingo (25/10/2026), data do segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à votação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sob o impacto político de diferentes investigações, suspeitas e disputas judiciais acumuladas ao longo de sua trajetória pública. Os episódios, porém, encontram-se em estágios jurídicos distintos: enquanto a denúncia do chamado caso das “rachadinhas” foi rejeitada em 2022 depois que provas foram anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal mantém apurações abertas sobre o financiamento do filme Dark Horse, relações com o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas ao setor de apostas, além das condições de um financiamento de R$ 3,1 milhões concedido pelo Banco de Brasília (BRB). Flávio Bolsonaro nega irregularidades nos casos em andamento.

A dimensão eleitoral amplia a repercussão das apurações. Flávio terminou o primeiro turno na primeira posição, com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. O segundo turno ocorre neste domingo, 25/10/2026. Aos 45 anos, o candidato do PL exerce mandato de senador pelo Rio de Janeiro desde 2019 e iniciou a carreira eletiva em 2003, tendo cumprido quatro mandatos consecutivos como deputado estadual.

A situação exige distinção entre fatos documentados, hipóteses investigativas e acusações ainda não comprovadas. A existência de inquérito, relatório policial, diligência ou suspeita não significa condenação, assim como o encerramento processual de uma acusação por nulidade de provas não corresponde necessariamente a julgamento de mérito sobre os fatos originalmente investigados.

“Rachadinhas”: investigação terminou após anulação de provas

O episódio que marcou por mais tempo a trajetória judicial de Flávio Bolsonaro surgiu a partir de movimentações financeiras atribuídas a Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O Ministério Público do Rio de Janeiro sustentou a hipótese da existência de um esquema de “rachadinha”, denominação usada para a devolução de parte dos salários de servidores nomeados a quem controla politicamente o gabinete. A denúncia apresentada em 2020 apontava, entre outros crimes, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As apurações alcançaram movimentações bancárias, negociações imobiliárias e a atividade de uma franquia de chocolates da qual Flávio era sócio. Promotores também examinaram pagamentos e depósitos em espécie que consideravam incompatíveis com o padrão esperado para algumas operações. A defesa sempre negou a existência do esquema e sustentou a origem lícita do patrimônio e das receitas empresariais.

STF e STJ derrubaram provas

Em 30/11/2021, a Segunda Turma do STF anulou quatro dos cinco relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que serviram de base à denúncia. O Supremo considerou irregular a forma como parte das informações foi obtida pelo Ministério Público do Rio.

Decisões do STJ também invalidaram elementos produzidos durante a investigação. Com a perda do conjunto probatório utilizado na acusação, o próprio Ministério Público pediu a extinção do processo.

Em 16/05/2022, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia contra Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas por ausência de justa causa decorrente da anulação das provas. O próprio TJRJ registrou que a decisão não impede eventual retomada das investigações caso surjam elementos juridicamente válidos. Portanto, o processo terminou sem condenação, mas a rejeição não correspondeu a uma sentença absolutória fundada na análise do mérito das acusações.

Relações com Adriano da Nóbrega entraram no centro da controvérsia

Durante as investigações das rachadinhas também ganharam destaque as relações históricas do gabinete de Flávio com pessoas ligadas ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado por investigações como integrante da milícia Escritório do Crime.

Quando deputado estadual, Flávio homenageou Adriano na Alerj e empregou no gabinete a mãe e a então esposa do ex-policial. O senador afirmou que as contratações ocorreram por indicação de Fabrício Queiroz e sustentou que sua proximidade com Adriano antecedeu as acusações posteriores contra o ex-PM.

Não há condenação ou denúncia contra Flávio Bolsonaro por participação em organização miliciana. A distinção é relevante porque relações pessoais, homenagens ou vínculos funcionais, embora possam justificar escrutínio jornalístico ou investigativo, não constituem por si mesmas prova de integração a uma organização criminosa.

Emenda parlamentar levou a nova investigação sobre interlocução com condenado no caso Marielle

O tema voltou à discussão em 2026. Uma investigação da PF identificou conversas mantidas em 2023 e 2024 entre uma assessora de Flávio e Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, condenado pelo STF por participação na organização criminosa envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco.

As mensagens tratavam da liberação de recursos públicos. Entre os repasses analisados está uma emenda de R$ 199 mil destinada pelo senador ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), para um projeto esportivo no Rio de Janeiro. A PF investiga eventual desvio dos recursos e outras transferências, que elevariam a aproximadamente R$ 599 mil os valores relacionados à entidade examinada pelos investigadores.

Flávio afirma que as emendas foram destinadas de acordo com a legislação e com critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo sua versão, a responsabilidade pela execução cabe às entidades beneficiárias, e eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

Até o momento, os elementos divulgados não demonstram participação direta do senador nas atividades criminosas atribuídas aos destinatários investigados.

Dark Horse coloca Daniel Vorcaro no centro de nova frente investigativa

Entre as investigações atualmente de maior repercussão está a que envolve Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 2026, tornaram-se públicas gravações nas quais Flávio conversa com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre recursos para a produção. O senador reconheceu a autenticidade dos contatos e afirmou que buscou investimento privado para o projeto, negando qualquer contrapartida vinculada ao exercício do mandato.

Segundo informações incorporadas à investigação, Vorcaro teria disponibilizado aproximadamente R$ 61 milhões para o projeto. Reportagens sobre as negociações indicaram que o valor discutido poderia atingir cerca de R$ 134 milhões.

Em 22/07/2026, Flávio passou formalmente a integrar a investigação. No dia seguinte, tornou-se pública a decisão do ministro André Mendonça, do STF, autorizando a PF a aprofundar a apuração dos repasses. A medida teve manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.

PF aponta diferença entre remessas e ingresso de recursos no Brasil

Um dos pontos ainda sem esclarecimento definitivo é o caminho financeiro do dinheiro enviado ao exterior.

A Polícia Federal registrou uma “divergência contábil severa”: documentos analisados indicam que cerca de US$ 12,33 milhões foram enviados pela Entre Investimentos ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, enquanto contratos cambiais apresentados até aquele momento registravam ingresso no Brasil de aproximadamente US$ 2,817 milhões.

A diferença não constitui, isoladamente, prova de desvio. A própria PF considera necessária perícia contábil para verificar despesas realizadas fora do país, contratos, pagamentos da produção e o efetivo destino dos recursos.

Em 16/10/2026, a corporação pediu ao STF mais 90 dias para concluir o inquérito. Entre as diligências pendentes estão perícias e um pedido de cooperação internacional aos Estados Unidos para obtenção de registros financeiros.

Flávio sustenta que os recursos foram destinados ao filme e que não recebeu vantagem indevida.

Investigação sobre emendas para o filme é distinta do dinheiro de Vorcaro

Outra frente vinculada à produção cinematográfica tramita separadamente e não deve ser confundida com o inquérito sobre os recursos de Daniel Vorcaro.

Sob relatoria do ministro Flávio Dino, a PF investiga suspeitas de que recursos originários de emendas parlamentares tenham circulado por entidades e empresas relacionadas à produção de Dark Horse.

Em setembro, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama foram alvos de operação policial. A PF declarou investigar possíveis crimes de fraude em contratações, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo os investigadores, há indícios de que recursos destinados originalmente a projetos sociais e esportivos tenham sido direcionados para a produção cinematográfica.

Essa investigação possui objeto, relatoria e cadeia probatória próprios. A existência da apuração não autoriza afirmar que os R$ 61 milhões atribuídos a Vorcaro sejam recursos públicos, nem que Flávio tenha participado de eventual desvio das emendas. Essas questões dependem do resultado dos inquéritos.

Bets: PF investiga relação de Flávio com Willer Tomaz e empresas do setor

Uma segunda frente recente concentra-se na relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz.

Em 16/10/2026, chegou ao STF um inquérito da Polícia Federal voltado à apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possíveis irregularidades relacionadas a empresas de apostas e à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O caso ficou sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Os investigadores procuram esclarecer se Flávio possuía algum vínculo econômico de fato com empresas relacionadas ao grupo empresarial de Tomaz, entre elas estruturas associadas à BestBet.

A PF localizou ainda registros de viagens feitas por Flávio e Willer, inclusive deslocamentos internacionais em aeronaves vinculadas ou contratadas por empresas relacionadas ao advogado. Uma holding ligada a Tomaz pagou voos entre Portugal e França utilizados pelo senador e pessoas de seu círculo familiar em 2025. Willer afirmou que se tratava de viagens particulares realizadas entre amigos e negou contrapartidas comerciais.

Cadastro como “usuário master” tornou-se peça central da apuração

Outro elemento considerado relevante pelos investigadores apareceu em registros bancários da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e pertencente a Willer Tomaz.

A Polícia Federal encontrou uma troca de e-mails indicando que Flávio estava cadastrado como “usuário master” em uma conta da companhia. Para os investigadores, essa condição poderia proporcionar “acesso operacional relevante” à administração bancária e justificaria aprofundar a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato.

Em 22/05/2025, uma funcionária de Tomaz solicitou ao banco a retirada do nome de Flávio daquele cadastro.

O senador rejeita a interpretação policial. Afirma que nunca manteve conta conjunta com Willer nem com suas empresas e sustenta que a própria solicitação de retirada demonstraria que a vinculação era indevida.

A Alcazar também apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral documentos segundo os quais Willer Tomaz possui 100% do capital social da holding, negando que Flávio tenha sido sócio, administrador ou beneficiário da companhia.

Os registros societários formais e a hipótese policial tratam de questões diferentes. A documentação da empresa indica quem consta legalmente no quadro societário; o inquérito procura esclarecer se teria existido participação econômica ou operacional não registrada formalmente. Essa segunda hipótese permanece sob investigação e não está comprovada.

BestBet e movimentações no setor de apostas

A investigação também alcança a BestBet, plataforma licenciada pela Loterj e relacionada a estruturas empresariais associadas a Willer Tomaz.

A PF apura se o candidato presidencial teria sido sócio oculto da empresa. Até o momento, essa condição não foi demonstrada judicialmente. Tomaz e Flávio negam sociedade ou irregularidades.

Documentos regulatórios citados pela imprensa mostram que a BestBet registrou receita de cerca de R$ 210 mil durante os primeiros 18 meses de operação, entre dezembro de 2023 e junho de 2025, resultado inferior à projeção inicial de R$ 2 milhões informada pela própria companhia.

O inquérito examina ainda relações entre empresas de pagamentos, loterias e estruturas financeiras associadas a Tomaz. Nenhuma dessas conexões, isoladamente, comprova participação de Flávio em ilícitos.

Mansão de Brasília volta a ser examinada pela Polícia Federal

A compra de uma residência no Lago Sul, em Brasília, abriu outra frente de questionamentos.

Em 2021, Flávio Bolsonaro e sua esposa adquiriram o imóvel por cerca de R$ 5,97 milhões. Desse total, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB em contrato de 360 meses, correspondente a 30 anos, com taxa efetiva de aproximadamente 3,71% ao ano, acrescida de correção.

A operação já havia sido questionada judicialmente e investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal. A defesa sustenta que o financiamento foi regular, que não provocou prejuízo ao banco e que decisões judiciais reconheceram a legalidade da contratação.

O empréstimo acabou integralmente quitado em aproximadamente três anos.

Auditoria do BRB levou financiamento de volta ao radar da PF

Em 2026, a operação passou novamente a ser analisada no contexto mais amplo das investigações sobre as relações entre o BRB e o Banco Master.

Uma auditoria independente contratada pelo BRB após mudanças na direção da instituição analisou operações da gestão anterior. Informações do relatório foram encaminhadas às autoridades e passaram a integrar a apuração sobre as condições em que o financiamento foi aprovado.

O ponto investigado é se houve flexibilização indevida dos critérios internos do banco ou favorecimento na concessão do crédito. Isso ainda não está estabelecido.

Flávio afirma possuir capacidade financeira para a operação e atribui os recursos usados na aquisição e quitação do imóvel, entre outras fontes, ao salário parlamentar, atividades empresariais e venda de patrimônio.

Disputa de Richarlison por imóvel em Angra entra no inquérito

Nos últimos dias da campanha eleitoral, outra controvérsia passou a integrar a investigação sobre a relação entre Flávio e Willer Tomaz.

O jogador Richarlison acusa os dois de participação em uma disputa envolvendo os direitos sobre uma propriedade localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O atleta afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e alega que perdeu os direitos sobre a área depois de se recusar a vendê-la a Flávio.

Willer contesta integralmente a versão. Afirma que uma empresa sua adquiriu legalmente os direitos, que possui escritura e registro e que Richarlison teria negociado anteriormente com pessoas sem legitimidade para transferir a propriedade.

Flávio também nega ter participado da aquisição ou da disputa comercial.

Em 22/10/2026, foi informado que a PF incorporaria o episódio ao inquérito já existente sobre Flávio e Willer. A inclusão significa que a versão apresentada pelo jogador será examinada pela polícia; não constitui confirmação das acusações.

Investigações chegam à reta final da campanha presidencial

A concentração de episódios na reta final da eleição ampliou sua dimensão política, mas o calendário eleitoral não altera os parâmetros jurídicos aplicáveis.

Flávio Bolsonaro não foi condenado nas investigações recentes relacionadas a Dark Horse, apostas, BRB ou à disputa patrimonial em Angra dos Reis. Em alguns casos, as apurações ainda dependem de perícias, cooperação internacional, análise bancária, oitiva de envolvidos e acesso a documentos.

No caso das rachadinhas, houve denúncia formal, mas as provas centrais foram posteriormente anuladas e a acusação acabou rejeitada. Não houve condenação nem julgamento final do mérito das imputações originais.

O cenário, portanto, reúne três categorias distintas: casos encerrados por decisões processuais; investigações criminais ainda abertas; e controvérsias ou acusações privadas que passaram recentemente a ser examinadas pelas autoridades.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2003 — Flávio Bolsonaro inicia sua carreira eletiva como deputado estadual no Rio de Janeiro. Exerce quatro mandatos consecutivos antes de chegar ao Senado.
  • 2018 — É eleito senador pelo Rio de Janeiro com mais de 4,3 milhões de votos e assume o mandato em 2019.
  • 2020 — Ministério Público do Rio denuncia Flávio, Fabrício Queiroz e outros investigados no caso das chamadas “rachadinhas”.
  • 30/11/2021 — Segunda Turma do STF anula quatro relatórios do Coaf utilizados na investigação das rachadinhas por considerar irregular a forma de obtenção dos dados.
  • 2021 — Flávio e a esposa compram imóvel em Brasília por aproximadamente R$ 5,97 milhões, com financiamento de R$ 3,1 milhões do BRB.
  • 16/05/2022 — TJRJ rejeita a denúncia das rachadinhas depois da anulação das principais provas e do pedido de extinção feito pelo Ministério Público.
  • 2023 e 2024 — Mensagens posteriormente obtidas pela PF registram interlocução de assessora de Flávio com Robson Calixto sobre emendas parlamentares.
  • 2024 — Financiamento imobiliário do BRB é quitado antecipadamente, cerca de três anos após a contratação.
  • 2025 — Flávio mantém contatos com Daniel Vorcaro relativos ao financiamento do filme Dark Horse e realiza viagens internacionais com Willer Tomaz. Registros bancários indicam seu nome no perfil de “usuário master” da conta da Alcazar até 22/05/2025.
  • 23/07/2026 — Torna-se pública a autorização do ministro André Mendonça para a PF investigar os repasses de Vorcaro ao filme Dark Horse. Flávio havia sido incluído na apuração no dia anterior.
  • 09/09/2026 — Mendonça homologa colaboração relacionada ao fluxo financeiro usado no financiamento do filme.
  • Setembro de 2026 — Operação da PF atinge estruturas ligadas à produção de Dark Horse em investigação separada sobre possível desvio de emendas parlamentares.
  • 02/10/2026 — Torna-se pública nova frente de investigação da PF sobre as condições do financiamento imobiliário concedido pelo BRB.
  • 04/10/2026 — Flávio termina o primeiro turno presidencial na liderança e avança contra Lula para a segunda votação.
  • 16/10/2026 — PF pede prorrogação por 90 dias do inquérito Dark Horse e leva ao STF investigação relacionada a Willer Tomaz, movimentações financeiras e empresas de apostas.
  • 17/10/2026 — Torna-se pública a análise da PF que aponta diferença entre mais de US$ 12 milhões enviados ao exterior e cerca de US$ 2,8 milhões registrados como ingressados no Brasil no fluxo do Dark Horse.
  • 21 e 22/10/2026 — Richarlison acusa Flávio e Willer de envolvimento na disputa por propriedade em Angra dos Reis; o advogado e o candidato negam irregularidades, e a PF decide incorporar o episódio ao inquérito existente.
  • 25/10/2026 — Eleitores retornam às urnas para o segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula.

O conjunto de casos envolvendo Flávio Bolsonaro não pode ser juridicamente tratado como uma única sequência de acusações comprovadas. O histórico reúne investigações encerradas por problemas processuais, apurações policiais em andamento e disputas privadas que apenas recentemente ingressaram no radar das autoridades. Essa diferenciação é indispensável tanto para garantir o contraditório quanto para evitar que a proximidade temporal entre episódios distintos produza uma falsa impressão de equivalência probatória.

O caso das rachadinhas exemplifica essa complexidade. Houve investigação e denúncia do Ministério Público, mas as cortes superiores consideraram ilegais provas fundamentais, levando à rejeição da acusação. Não houve condenação, mas tampouco julgamento de mérito capaz de confirmar ou afastar definitivamente todas as hipóteses formuladas originalmente pelos investigadores. Já nos casos Dark Horse e bets, a situação é diferente: os inquéritos estão ativos e dependem de diligências cujo resultado ainda é desconhecido.

No financiamento de Dark Horse, a principal lacuna objetiva permanece no rastreamento integral do dinheiro: é necessário estabelecer documentalmente quanto foi transferido, onde os valores foram aplicados, quais despesas foram efetivamente vinculadas à produção e por que os registros cambiais analisados pela PF apresentam diferença entre os recursos enviados e aqueles formalmente identificados como ingressados no Brasil. No caso Willer Tomaz, será necessário esclarecer o significado jurídico e econômico do cadastro de Flávio como usuário master de uma conta empresarial, a natureza dos pagamentos de viagens e se houve ou não participação societária ou econômica não registrada formalmente. Essas questões continuam abertas e não podem ser resolvidas por inferência política.

No dia da decisão presidencial de 25/10/2026, a relevância pública dos episódios decorre principalmente da posição institucional de Flávio Bolsonaro e da possibilidade de assumir a Presidência da República, e não de uma presunção de responsabilidade criminal. Caberá à Polícia Federal, ao Ministério Público, ao STF, aos demais órgãos de controle e às instituições financeiras envolvidas concluir perícias, produzir documentos e decidir sobre eventuais responsabilidades. O acompanhamento jornalístico deverá concentrar-se na prova documental, na evolução dos inquéritos e na distinção permanente entre suspeita, acusação, defesa, decisão processual e fato definitivamente estabelecido.


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