Flávio Bolsonaro e Lula disputam apoio de governadores e votos decisivos para o segundo turno presidencial

A disputa pela Presidência da República será decidida em segundo turno, em 25 de outubro de 2026, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o cenário eleitoral apresentado. Após o primeiro turno, os candidatos registraram, respectivamente, 47,03% e 45,16% dos votos válidos, uma diferença de 1,87 ponto percentual. Diante do resultado, as campanhas concentram esforços na ampliação de alianças políticas, na mobilização de eleitores e na conquista de apoios estaduais para definir o resultado da eleição.

Os governadores eleitos e os candidatos que ainda disputam os governos estaduais ocupam posição estratégica nessa etapa. Além de influenciarem a articulação partidária em seus estados, esses líderes podem contribuir para a mobilização de apoiadores, a organização de atos políticos e a ampliação da presença das campanhas presidenciais nos municípios.

O cálculo eleitoral também considera os votos recebidos pelos candidatos derrotados na disputa presidencial, o comportamento dos eleitores que não compareceram às urnas e a distribuição dos votos brancos e nulos. Com uma diferença relativamente estreita entre os dois concorrentes, a capacidade de transferir apoios políticos para as candidaturas presidenciais tornou-se um dos principais pontos de atenção da campanha.

Governadores eleitos e disputas estaduais definem o mapa de alianças

Vinte governadores foram eleitos no primeiro turno, número recorde desde a redemocratização, segundo os dados apresentados. O resultado supera os 18 governadores eleitos nessa etapa em 2010. Entre os eleitos, cinco são filiados ao PL e três ao PT, o que evidencia a presença das duas siglas na composição dos governos estaduais.

O número de governadores definidos no primeiro turno ainda poderia chegar a 21, conforme o cenário relacionado à eventual anulação dos votos de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro. Caso a Justiça Eleitoral confirme a medida e os votos sejam desconsiderados, Douglas Ruas (PL) poderia ultrapassar 50% dos votos válidos, alterando o desfecho da disputa estadual contra Eduardo Paes (PSD). A concretização desse resultado depende de decisão da Justiça Eleitoral.

Outras sete unidades da Federação ainda terão segundo turno para governador: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins. Nesse grupo, Flávio Bolsonaro conta com aliados diretos em cinco disputas, enquanto Lula tem candidatos alinhados em quatro. Amazonas, Distrito Federal e Rio de Janeiro concentram candidaturas estaduais relacionadas às duas campanhas presidenciais.

No Tocantins, nenhum dos dois presidenciáveis possui candidato próprio na disputa estadual. Flávio Bolsonaro, entretanto, declarou apoio à candidatura da Professora Dorinha (União Brasil) e aguarda uma manifestação de reciprocidade. O resultado das eleições estaduais poderá influenciar a organização das alianças e a mobilização partidária durante a campanha presidencial.

São Paulo concentra disputa por apoio político de Tarcísio de Freitas

São Paulo ocupa posição central nas estratégias eleitorais por concentrar aproximadamente 20% do eleitorado brasileiro. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos, equivalentes a 14.490.683 votos, reuniu-se com Flávio Bolsonaro na terça-feira (06/10/2026) para articular o apoio formal de partidos à candidatura presidencial do senador.

No primeiro turno presidencial em São Paulo, Flávio obteve 51,93% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 38,20%. O desempenho do candidato do PL no estado amplia a importância da participação de Tarcísio na campanha, especialmente na articulação com partidos e lideranças que integram a base política do governador.

Para o cientista político Bruno Rizzi, da Fatto Inteligência Política, a ausência de segundo turno na eleição para o governo paulista produz efeitos para os dois presidenciáveis. Segundo ele, Lula não dispõe de um novo palanque estadual associado à candidatura de Fernando Haddad, enquanto Flávio também deixa de contar com uma campanha estadual em andamento conduzida por Tarcísio.

A avaliação considera que o segundo turno estadual poderia ampliar a exposição dos candidatos presidenciais por meio de agendas conjuntas, eventos políticos e mobilização de estruturas partidárias. Como a disputa pelo governo de São Paulo foi definida antecipadamente, as campanhas precisam encontrar outras formas de utilizar as alianças já estabelecidas para ampliar sua presença no maior colégio eleitoral do país.

Bahia mantém vantagem de Lula, mas campanha avalia mudanças no eleitorado

Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral brasileiro, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito com 55,73% dos votos válidos, totalizando 4.599.047 votos, derrotando ACM Neto (União Brasil). Na eleição presidencial, Lula recebeu 66,16% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 28,55%.

Os números indicam vantagem de Lula no estado, onde o PT mantém presença eleitoral consolidada. Entretanto, a comparação com a eleição presidencial anterior aponta mudanças no desempenho dos dois grupos políticos, aspecto que passou a integrar a avaliação das estratégias para o segundo turno.

Bruno Rizzi afirma que Lula obteve aproximadamente quatro pontos percentuais a menos na Bahia em comparação com seu desempenho em 2022. Flávio Bolsonaro, por sua vez, teria conquistado cerca de quatro pontos percentuais a mais do que Jair Bolsonaro, seu pai, havia registrado na eleição anterior. A comparação apresentada pelo analista sugere a necessidade de as campanhas examinarem as mudanças na distribuição dos votos entre os dois campos políticos.

Apesar da vantagem petista no estado, a campanha de Lula precisa avaliar como preservar sua margem eleitoral e ampliar o apoio em segmentos nos quais Flávio avançou. Para o candidato do PL, o desafio consiste em reduzir a diferença na Bahia, onde o presidente mantém uma base de votos significativamente superior à sua.

Minas Gerais registra inversão em relação à eleição presidencial de 2022

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, também integra o cálculo das duas campanhas. Cleitinho Azevedo (Republicanos) venceu a disputa pelo governo estadual com 55,4% dos votos válidos, correspondentes a 6.318.521 votos, conforme os dados apresentados.

Na votação presidencial do primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 48,24% dos votos válidos em Minas Gerais, enquanto Lula registrou 43,32%. O resultado representa uma inversão em relação a 2022, quando o petista havia vencido Jair Bolsonaro no estado por uma diferença de magnitude semelhante.

A mudança torna Minas Gerais um dos territórios relevantes para a definição da estratégia eleitoral. Historicamente, o comportamento do eleitorado mineiro recebe atenção nacional por sua importância demográfica e por mudanças na preferência presidencial entre diferentes eleições.

Segundo Bruno Rizzi, a campanha de Lula considera possível recuperar parte do desempenho registrado em 2022. Para isso, o partido precisará identificar os segmentos do eleitorado que alteraram sua preferência e avaliar quais estratégias podem contribuir para reverter o resultado do primeiro turno.

A disputa em Minas também evidencia que o desempenho de uma candidatura presidencial não depende exclusivamente da filiação partidária do governador eleito. A mobilização de lideranças regionais, a capacidade de estabelecer alianças e a percepção dos eleitores sobre os candidatos podem influenciar o resultado independentemente da configuração da eleição estadual.

Candidatos derrotados e lideranças políticas entram na disputa por votos

Além dos governadores, as campanhas procuram atrair o apoio dos candidatos que ficaram fora do segundo turno presidencial. Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado somaram, juntos, mais de 8,7 milhões de votos no primeiro turno, volume superior à diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos atribuída aos dois primeiros colocados no cenário apresentado.

Após a votação, Ronaldo Caiado e o ex-presidente Michel Temer (MDB) declararam apoio a Flávio Bolsonaro. Romeu Zema (Novo), por sua vez, reafirmou sua oposição ao PT, mas não declarou apoio nominal ao senador. Augusto Cury e Renan Santos optaram pela neutralidade, sem indicar preferência por qualquer um dos dois candidatos.

A obtenção dessas adesões, contudo, não garante a transferência automática dos votos recebidos pelos candidatos derrotados. Os eleitores podem manter suas preferências anteriores, escolher outro concorrente ou não comparecer ao segundo turno. Por isso, o peso eleitoral dos apoios depende também da capacidade de mobilização das lideranças e da identificação dos eleitores com as candidaturas presidenciais.

A campanha de Flávio busca consolidar a base conservadora e ampliar a articulação com partidos e lideranças estaduais. Para Lula, o objetivo é preservar o apoio de sua base eleitoral, atrair eleitores de outras candidaturas e reduzir a vantagem do adversário em regiões onde o PT perdeu espaço em relação à eleição anterior.

Lula e Flávio Bolsonaro reorganizam estratégias para a reta final

No Palácio do Planalto, Lula convocou uma reunião com ministros na terça-feira (06/10/2026) para discutir ajustes na comunicação e na mobilização de aliados. O conselho político da campanha já havia se reunido em Brasília na segunda-feira (05/10/2026), quando foram discutidas medidas para reorganizar a atuação eleitoral.

Entre as estratégias anunciadas está a incorporação de experiências de estados nos quais o PT apresentou resultados considerados positivos no primeiro turno. Ceará e Piauí, que reelegeram governadores petistas, estão entre os exemplos examinados pela campanha. Minas Gerais também aparece nas discussões, em razão da emergência de novas lideranças políticas e da necessidade de compreender a mudança no comportamento eleitoral.

No PL, a direção partidária se reuniu na segunda-feira (05/10/2026) para distribuir responsabilidades e definir a orientação da campanha de Flávio Bolsonaro na etapa final. A estrutura de quatro frentes utilizada no primeiro turno deverá ser mantida, enquanto a participação do empresário Pablo Marçal é objeto de avaliação.

Flávio também se reuniu com Tarcísio de Freitas, em Brasília, para discutir a unificação da base conservadora nos estados. A articulação busca coordenar a atuação de partidos e lideranças regionais em torno da candidatura presidencial, evitando dispersão de esforços durante o período que antecede a votação.

As duas campanhas enfrentam, portanto, o desafio de transformar declarações de apoio e alianças partidárias em mobilização efetiva. A atuação dos governadores e de outras lideranças poderá contribuir para ampliar a presença dos candidatos, mas o resultado dependerá da resposta dos eleitores nas urnas.

Abstenções e votos brancos e nulos podem influenciar o resultado

Além da disputa por apoios políticos, as campanhas precisam considerar o contingente de eleitores que não participou efetivamente da escolha entre os candidatos no primeiro turno. Segundo os números apresentados, mais de 33 milhões de eleitores se abstiveram, enquanto quase 6 milhões de votos foram registrados como brancos ou nulos.

Esse universo representa uma frente adicional de mobilização para as equipes de Lula e Flávio Bolsonaro. A estratégia envolve estimular a participação eleitoral, ampliar a identificação dos eleitores com as propostas dos candidatos e convencer pessoas que votaram em outras candidaturas a escolher um dos dois concorrentes.

A abstenção, porém, não pode ser tratada como um bloco homogêneo de votos disponíveis. Motivos para não comparecer às urnas incluem dificuldades de deslocamento, impedimentos pessoais e decisões individuais, enquanto eleitores que votaram em branco ou anularam o voto podem manter diferentes níveis de interesse na disputa presidencial.

Com a votação prevista para 25 de outubro, a consolidação das alianças estaduais, a negociação com lideranças políticas e a mobilização dos eleitores que ficaram fora da escolha presidencial no primeiro turno compõem os principais eixos da reta final. O resultado dependerá da capacidade das campanhas de ampliar suas bases e converter apoio político em votos efetivamente depositados nas urnas.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading