Hospital em Salvador integra assistência médica, música, jardinagem e atividades de recuperação

O Florence, Hospital de Transição, em Salvador, combina assistência médica contínua com atividades de convivência, jardinagem, música, jogos e visitas de animais de terapia durante o período de internação. Primeiro hospital de transição da Bahia e pioneiro no Norte e Nordeste, a unidade atende pessoas que já superaram a fase crítica de um tratamento, mas ainda necessitam de cuidados médicos, reabilitação ou suporte antes de retornar para casa.

O modelo de hospital de transição é utilizado em países da Europa e nos Estados Unidos e ainda possui presença limitada no Brasil. A proposta é atender pacientes em recuperação de cirurgias complexas, idosos, pessoas com dependência funcional e pacientes que necessitam de cuidados paliativos ou processos de reabilitação.

Na Florence, a assistência inclui atendimento médico 24 horas, equipe permanente de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia. A unidade também permite a permanência de familiares, recebe animais de estimação e mantém atividades que procuram preservar parte da rotina dos pacientes durante a internação.

Hospital de transição amplia cuidados durante a recuperação

A diferença em relação ao modelo hospitalar tradicional está principalmente na organização da assistência durante a etapa de recuperação. O paciente permanece sob acompanhamento de profissionais de saúde, mas dispõe de atividades voltadas à convivência e à manutenção de vínculos familiares e sociais.

A estrutura permite que pacientes celebrem datas importantes, recebam familiares e participem de atividades recreativas durante o período de permanência. A proposta é associar os cuidados clínicos às necessidades de reabilitação e à rotina cotidiana.

Entre os pacientes atendidos está Carlos Alberto de Oliveira, conhecido como Hugo, de 72 anos, que passou pela unidade após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Antes da internação, ele estava em um hospital convencional e não conhecia o modelo de transição.

“Foi uma surpresa, mas uma surpresa excelente. Meu sobrinho tinha ficado na Florence por um ano após um acidente e foi assim que conheci. Foi muito bom estar lá e fui muito bem tratado, dos médicos até a equipe da cozinha”, relatou Hugo.

Paciente passou cerca de 45 dias na unidade

A permanência de Hugo na Florence durou aproximadamente 45 dias. Durante esse período, ele participou de atividades realizadas na unidade e teve acesso aos espaços externos e à programação musical.

O paciente relatou que a rotina incluiu música ao vivo, passeios pelo jardim e presença frequente de familiares. Segundo ele, essas atividades contribuíram para ocupar o período de internação e fizeram parte de sua experiência durante a recuperação.

“Fiquei muito grato por tudo aquilo. A música, o jardim, enquanto estive lá ocupei o meu tempo da melhor forma possível. A presença familiar também foi muito boa porque eles podiam vir a qualquer momento. Não tenho dúvidas de que tudo isso contribuiu muito para a minha recuperação”, afirmou.

A programação de atividades é organizada ao longo da semana. A unidade realiza apresentações musicais, cãoterapia, jardinagem, pintura, artesanato e jogos de mesa, incluindo baralho, dominó e jogos de tabuleiro.

Música faz parte da programação semanal

As apresentações musicais ocorrem em diferentes dias da semana. Às segundas-feiras, os pacientes recebem apresentações de voz e sanfona. Às quintas-feiras, a programação inclui violão. Às sextas-feiras, há apresentações de saxofone.

Cada sessão de música ao vivo tem duração aproximada de uma hora. A programação é organizada para integrar os pacientes às atividades realizadas na unidade durante o período de internação.

Além da música, a Florence mantém atividades de interação com animais. Às quartas-feiras, ocorre a cãoterapia, com visitas de cães que permanecem entre uma e duas horas na unidade, circulando por áreas como jardim e leitos.

Jardinagem e jogos integram rotina dos pacientes

A unidade também possui um espaço de jardinagem aberto a pacientes e visitantes. A clínica disponibiliza sementes e vasos que são identificados com o nome das pessoas responsáveis pelo cultivo.

A atividade permite que os pacientes participem do cuidado das plantas durante a internação. A proposta também cria uma atividade compartilhada entre pacientes, familiares e visitantes.

A programação inclui ainda oficinas de pintura livre e artesanato, além de jogos de mesa. As atividades são realizadas paralelamente ao acompanhamento dos profissionais responsáveis pela assistência clínica e pela reabilitação.

Família e animais fazem parte do ambiente de internação

A Florence permite a presença de familiares durante o período de internação, além da entrada de animais de estimação. A proposta é preservar vínculos pessoais enquanto o paciente permanece em acompanhamento médico.

A cãoterapia possui programação específica e envolve a circulação dos animais pelo jardim e pelos quartos. A atividade é apresentada pela instituição como parte da rotina de acolhimento oferecida aos pacientes.

Para a equipe da Florence, essas iniciativas não são tratadas apenas como entretenimento. A instituição considera convivência, vínculos afetivos e atividades cotidianas componentes do cuidado durante a recuperação.

Assistência técnica é mantida durante todo o período

Apesar da programação de atividades, o modelo mantém estrutura assistencial para pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo. A unidade oferece atendimento médico 24 horas e equipe de enfermagem permanente, além de profissionais de diferentes áreas da saúde.

Fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos participam da assistência conforme as necessidades de cada paciente. A combinação das especialidades permite acompanhar processos de reabilitação e recuperação após períodos de internação hospitalar.

O modelo é direcionado a pessoas que já passaram pela fase crítica do tratamento, mas ainda não apresentam condições de retornar imediatamente à rotina domiciliar. Dessa forma, a unidade atua em uma etapa intermediária entre o hospital convencional e a casa.

Florence aposta na integração entre cuidado e rotina

O presidente da Florence, Hospital de Transição, Dr. João Gabriel Ramos, afirma que a proposta da instituição é integrar assistência técnica e acolhimento durante a recuperação.

“Aqui, o cuidado técnico e o acolhimento caminham juntos. O paciente não deixa de ter acesso a tudo que um hospital oferece, mas também não precisa abrir mão da própria rotina, da família e dos pequenos prazeres do dia a dia e isso faz diferença real na recuperação.”

Segundo Ramos, a organização da unidade procura manter elementos da rotina dos pacientes mesmo durante o período de tratamento. A proposta inclui atividades culturais, contato com familiares, espaços de convivência e acompanhamento multidisciplinar.

A Florence se apresenta, assim, como uma unidade destinada a uma etapa específica do cuidado em saúde: o período posterior à fase crítica e anterior ao retorno para casa, com assistência clínica associada a ações de reabilitação e convivência.

Modelo de transição ainda é pouco conhecido no Brasil

Os hospitais de transição são mais comuns em sistemas de saúde de países europeus e dos Estados Unidos. No Brasil, o modelo ainda é menos conhecido e busca atender uma demanda específica de pacientes que necessitam de acompanhamento após a fase aguda de um tratamento.

Em Salvador, a Florence foi criada para atuar nesse segmento, reunindo estrutura assistencial e atividades de recuperação. A unidade recebe pacientes com diferentes necessidades, incluindo recuperação de cirurgias complexas, reabilitação, dependência funcional e cuidados paliativos.

A experiência relatada por Hugo, que permaneceu cerca de 45 dias na unidade após um AVC, exemplifica a proposta de manter o acompanhamento clínico associado à participação em atividades durante a recuperação.

A combinação entre assistência médica, reabilitação, convivência familiar, música, jardinagem, cãoterapia e atividades recreativas constitui a proposta apresentada pela Florence para o período de transição entre a internação hospitalar e o retorno à rotina fora da unidade.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading