Salvador, segunda-feira (26/10/2026) — A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das Eleições 2026, que garantiu ao presidente um histórico quarto mandato no Palácio do Planalto, foi celebrada pelas principais lideranças políticas da base governista na Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o senador eleito Rui Costa (PT) atribuíram ao eleitorado baiano participação relevante na virada nacional, enquanto o senador reeleito Jaques Wagner (PT) e o senador Otto Alencar (PSD) haviam destacado, durante a mobilização final, o peso do Nordeste, dos direitos sociais e do comparecimento às urnas.
Na Bahia, Lula obteve 6.484.995 votos, equivalentes a 71,31% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 2.608.722 votos, ou 28,69%. A diferença entre os dois candidatos no estado ultrapassou 3,87 milhões de votos. A abstenção ficou em 16,71%.
O resultado reforçou a posição da Bahia como um dos principais territórios eleitorais de Lula no país e confirmou uma estratégia construída pela base governista após o primeiro turno: ampliar a votação presidencial, reduzir a abstenção e mobilizar a estrutura política que havia garantido a reeleição de Jerônimo Rodrigues e as eleições de Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado.
Jerônimo afirma que Bahia “fez a diferença”
Depois da confirmação da vitória de Lula, Jerônimo Rodrigues publicou uma mensagem destacando a participação do eleitorado baiano na reversão do resultado nacional.
“O Brasil fez história: pela primeira vez, um presidente virou o jogo no segundo turno. E a Bahia, mais uma vez, fez a diferença”, declarou o governador.
Jerônimo também agradeceu aos eleitores pela mobilização e definiu o resultado como uma conquista popular.
“Lula presidente pela quarta vez. Conquista do povo brasileiro”, afirmou.
O governador sustentou ainda que o resultado possui dimensão política para além da disputa eleitoral e vinculou o quarto mandato de Lula à continuidade de projetos federais e estaduais.
Horas antes do encerramento da votação, Jerônimo já havia afirmado que dependia da parceria com o governo federal para investimentos em saúde, educação, abastecimento de água, rodovias, ferrovias e grandes projetos de infraestrutura da Bahia.
Rui Costa celebra resultado: “Isso aqui é Bahia”
O senador eleito Rui Costa (PT), ex-governador da Bahia e ex-ministro-chefe da Casa Civil, também publicou uma manifestação imediatamente depois da confirmação da reeleição presidencial.
Em vídeo divulgado nas redes sociais na noite de domingo (25/10), Rui agradeceu aos eleitores baianos e associou diretamente o resultado à força eleitoral do estado.
“Eu só tenho uma coisa a dizer: isso aqui é Bahia. Muito obrigado, meu povo. Bora minha Bahia!”, declarou.
Em outra publicação, Rui escreveu: “Fizemos história! MUITO OBRIGADO, MEU POVO!” e celebrou o quarto mandato com a expressão “Lula, é tetra!”.
A manifestação ocorreu depois de três semanas nas quais Rui Costa participou diretamente da coordenação política da campanha presidencial e defendeu uma mobilização intensa no estado para reduzir a diferença registrada nacionalmente no primeiro turno.
Rui havia pedido voto “a favor da Bahia”
Na manhã do próprio domingo eleitoral, antes da definição das urnas, Rui Costa havia feito um apelo ao eleitorado baiano.
O senador eleito sustentou que o voto em Lula deveria ser compreendido também a partir dos interesses econômicos e dos projetos de infraestrutura da Bahia.
“Eu pedi ao povo e volto a reiterar, o voto é a favor da Bahia, não é mais um voto no Lula, no candidato do PT, mas é a favor da Bahia, a favor dos investimentos”, afirmou.
Rui mencionou projetos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), Porto Sul, Ponte Salvador-Itaparica, metrô, VLT, hospitais, policlínicas e institutos federais.
Também apostou na redução da abstenção no Nordeste como elemento capaz de ampliar a votação presidencial.
Segundo Rui, os relatos recebidos pela campanha indicavam forte movimentação de eleitores nas cidades baianas e nos demais estados nordestinos.
“Aqui na Bahia, em todas as cidades, assim como está Salvador, há uma multidão indo votar, até muito mais do que no primeiro turno”, declarou.
O resultado confirmou aumento expressivo do comparecimento na Bahia. A abstenção estadual caiu de aproximadamente 19,98% no primeiro turno para 16,71% no segundo.
Rui Costa e Jerônimo convergem na avaliação sobre peso da Bahia
As manifestações de Rui Costa e Jerônimo Rodrigues depois da apuração possuem um ponto político comum: ambos apresentaram o desempenho baiano como componente relevante da virada nacional de Lula.
A vantagem construída no estado foi superior a 3,8 milhões de votos, praticamente compensando, por si só, parcela expressiva das diferenças obtidas pelo adversário em regiões onde Flávio Bolsonaro teve melhor desempenho.
Do ponto de vista eleitoral, entretanto, a vitória presidencial resultou da soma dos desempenhos estaduais em todo o país. A votação baiana deve ser interpretada como uma das parcelas importantes desse resultado, e não isoladamente como sua única causa.
Para Rui Costa, a vitória também marca uma transição pessoal. Eleito senador pela Bahia no primeiro turno com 4.335.196 votos, o ex-governador assumirá o mandato em fevereiro de 2027. Jaques Wagner, também eleito, recebeu 3.986.690 votos.
Jaques Wagner vinculou voto a direitos e oportunidades
O senador Jaques Wagner, reeleito pela Bahia, manifestou apoio a Lula durante o domingo eleitoral antes da conclusão da votação.
“Votamos por mais oportunidades para todas as pessoas, votamos pelos direitos, inclusive, de sonhar. Votamos pela Bahia, pelo Nordeste e por um Brasil que respeita a sua gente”, declarou Wagner.
A mensagem terminava com o chamado: “Vamos virar!”.
A formulação ganhou significado político após a conclusão da apuração porque Lula efetivamente conseguiu inverter a posição do primeiro turno e conquistar a maioria nacional no segundo.
Wagner havia defendido ao longo da campanha que a Bahia teria papel estratégico na ampliação da votação presidencial e que o novo governo precisaria combinar legitimidade eleitoral com capacidade de negociação no Congresso Nacional.
Esse segundo aspecto deverá ter peso no mandato iniciado em janeiro de 2027. A vitória presidencial não significa automaticamente controle das duas Casas legislativas, obrigando o Palácio do Planalto a manter negociações com partidos de diferentes posições políticas.
Otto Alencar apostou na força do Nordeste
O senador Otto Alencar (PSD) também concentrou sua atuação de segundo turno na mobilização da Bahia e do Nordeste.
Na manhã da eleição, antes de votar em Ruy Barbosa, Otto afirmou acreditar que Lula alcançaria votação superior aos números indicados pelas pesquisas na região.
“Vai dar mais de 70% no Nordeste”, projetou o parlamentar ao defender a reeleição presidencial.
A declaração ocorreu depois de semanas nas quais Otto vinha sustentando que a redução da abstenção poderia ser determinante para ampliar a vantagem de Lula na Bahia.
O senador argumentava que, com a eleição estadual encerrada no primeiro turno, a votação exclusivamente presidencial tornaria o processo mais simples e poderia estimular o comparecimento de eleitores que haviam se ausentado em 4 de outubro.
Otto defendia novo mandato pela experiência de Lula
Em manifestação feita em 14 de outubro, Otto Alencar afirmou acreditar que Lula conseguiria reverter a disputa nacional e obter novo mandato.
“O povo brasileiro há de entender que ele merece, pelo seu trabalho, pela sua luta, um novo mandato de quatro anos”, declarou.
O parlamentar destacou ainda a participação de jovens nas mobilizações eleitorais e associou a movimentação social à possibilidade de recuperação eleitoral do presidente no segundo turno.
Otto não disputou as eleições de 2026. Seu atual mandato no Senado prossegue até janeiro de 2031. As duas cadeiras baianas colocadas em disputa neste ano foram conquistadas por Rui Costa e Jaques Wagner.
Resultado consolida força da base governista na Bahia
O encerramento das eleições deixa a coalizão governista baiana em posição de forte integração institucional com o Palácio do Planalto.
Jerônimo Rodrigues governará a Bahia até 2030. Rui Costa e Jaques Wagner iniciarão novos mandatos no Senado em fevereiro de 2027, enquanto Otto Alencar permanecerá na Casa até 2031. Lula iniciará seu quarto mandato presidencial em janeiro de 2027.
A composição cria uma linha de articulação direta entre o Governo da Bahia, a Presidência da República e três senadores vinculados à base política estadual.
Ao mesmo tempo, os discursos feitos durante o segundo turno indicam quais serão os temas apresentados por essas lideranças na etapa pós-eleitoral: investimentos federais, infraestrutura, políticas sociais, desenvolvimento regional, relações federativas e negociação com o Congresso.
Bahia amplia votação e reduz abstenção
Os números finais mostram que a estratégia de mobilização defendida por Jerônimo, Rui, Wagner e Otto coincidiu com dois movimentos relevantes nas urnas: crescimento proporcional de Lula e redução da abstenção.
Lula passou de aproximadamente 66% dos votos válidos no primeiro turno para 71,31% no segundo. A abstenção caiu de aproximadamente 20% para 16,71%.
Esses dados ajudam a contextualizar a comemoração das lideranças da base governista, embora não estabeleçam, isoladamente, relação causal entre as ações de campanha e cada voto adicional conquistado.
Politicamente, contudo, o desempenho fortalece a posição da Bahia dentro da coalizão que sustentará o quarto mandato presidencial.








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