Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram suas estratégias de campanha na quarta-feira (14/10/2026), com iniciativas destinadas a ampliar o apoio eleitoral antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Enquanto Lula divulgou uma carta direcionada ao eleitorado evangélico e acompanhou a votação da proposta de mudança na jornada de trabalho, Flávio esteve em Porto Alegre, onde se reuniu com apoiadores e apresentou compromissos nas áreas de segurança pública e reconstrução de bairros atingidos pelas enchentes de 2024.
A disputa também envolve diferenças entre os programas de governo para a educação. Lula prioriza a expansão da educação integral, a alfabetização, a formação de professores e o financiamento de políticas educacionais públicas. Flávio Bolsonaro propõe ampliar as escolas cívico-militares, reformular o ensino técnico, adotar vouchers para creches e aproximar a formação profissional das necessidades do mercado de trabalho.
As agendas dos dois candidatos evidenciam estratégias distintas para dialogar com segmentos do eleitorado e apresentar suas prioridades para um eventual próximo mandato. Entre os temas em discussão estão a relação com as comunidades religiosas, a segurança pública, a recuperação de áreas afetadas por desastres climáticos, o financiamento da educação e o papel do Estado na oferta de serviços educacionais.
Lula direciona mensagem ao eleitorado evangélico
Na quarta-feira (14/10/2026), Lula divulgou uma carta dirigida aos evangélicos, publicada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. No documento, o presidente afirmou que governou o Brasil três vezes sob a proteção divina e associou sua trajetória política à defesa das famílias brasileiras.
Na mensagem, o candidato do PT também criticou, sem mencionar diretamente o adversário pelo nome, o que classificou como discursos sem correspondência em ações concretas. Lula apresentou iniciativas de seu governo como medidas destinadas à proteção das famílias e à promoção do bem-estar social.
Entre os pontos mencionados, o presidente citou o combate à violência contra a mulher, mudanças na jornada de trabalho e medidas relacionadas às plataformas de apostas esportivas on-line, conhecidas como bets. Ao final da carta, pediu que os eleitores evangélicos buscassem discernimento religioso antes de definir o voto no segundo turno.
Carta aborda família, religião e políticas públicas
No documento, Lula declarou que não poderia ser acusado de apoiar políticas que, segundo sua avaliação, prejudicam as famílias, restringem a liberdade religiosa ou desrespeitam os ensinamentos cristãos. A manifestação procura estabelecer uma relação entre os valores religiosos defendidos pelo segmento evangélico e as políticas públicas apresentadas pelo candidato.
O presidente também destacou a instituição, durante governos do PT, de datas nacionais relacionadas à religião e ao combate à intolerância religiosa. Entre elas estão o Dia Nacional do Evangélico, o Dia Nacional da Marcha para Jesus, o Dia Nacional da Pastora Evangélica e do Pastor Evangélico, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho.
A carta integra a estratégia de Lula para dialogar com um segmento religioso que ocupa espaço relevante no eleitorado brasileiro. A iniciativa ocorre em uma campanha na qual os candidatos procuram associar suas propostas a temas como família, liberdade religiosa, segurança e proteção social.
Lula acompanha votação sobre jornada de trabalho
Além da iniciativa voltada aos evangélicos, Lula acompanhou de casa a votação da proposta de alteração da jornada de trabalho conhecida como escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para um de descanso.
O presidente defende mudanças nesse regime há vários meses. Durante a agenda de quarta-feira, a discussão sobre a jornada de trabalho foi apresentada como parte das medidas que, segundo o governo, podem contribuir para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
A proposta mencionada no material da campanha prevê a adoção de uma escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. A tramitação legislativa, contudo, deve ser distinguida das declarações políticas dos candidatos, uma vez que a implementação de mudanças na jornada depende dos procedimentos legais aplicáveis.
Flávio Bolsonaro reúne apoiadores em Porto Alegre
Flávio Bolsonaro passou a quarta-feira (14/10/2026) em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde participou de encontros com apoiadores e apresentou propostas para um eventual governo. No início do dia, publicou um vídeo no qual confirmou sua intenção de participar do debate presidencial previsto para domingo (18), na TV Bandeirantes.
A manifestação ocorreu depois de questionamentos sobre sua presença no encontro com Lula. No vídeo, o candidato do PL afirmou que compareceria ao debate e que aguardava a confirmação do adversário.
Durante a agenda na capital gaúcha, Flávio abordou temas como educação e segurança pública. Em discurso dirigido aos apoiadores, declarou que pretende intensificar o combate ao tráfico de drogas e classificou sua proposta como uma ofensiva contra organizações criminosas.
Segurança pública e classificação de narcoterrorismo
Flávio afirmou que, a partir de janeiro do ano seguinte à eleição, pretende declarar guerra aos traficantes de drogas e classificá-los como narcoterroristas. O candidato também disse que pretende defender os cidadãos por meio de medidas de segurança pública.
A declaração representa uma das principais linhas de sua estratégia para a área. A eventual adoção de medidas dessa natureza dependeria, entretanto, de definições jurídicas, institucionais e legislativas, conforme a legislação aplicável.
Na agenda em Porto Alegre, o candidato também visitou o bairro Sarandi, na zona norte da cidade. A região foi atingida pelas enchentes de 2024, que provocaram danos em áreas residenciais e na infraestrutura urbana de diferentes municípios do Rio Grande do Sul.
Reconstrução do Sarandi e investimentos federais no Rio Grande do Sul
Durante a visita ao bairro, Flávio prometeu realizar obras para recuperar as áreas atingidas pelas enchentes. Afirmou que pretende retornar ao local como presidente da República e participar da inauguração das intervenções, acompanhado do pai, Jair Bolsonaro.
O senador declarou que a região teria sido abandonada pelo governo federal. A afirmação contrasta com um balanço divulgado pelo governo Lula no início de 2025, que informou R$ 111,6 bilhões em repasses e investimentos destinados à recuperação do Rio Grande do Sul.
Os valores informados pelo governo federal constituem um contraponto à declaração do candidato, mas não demonstram, isoladamente, quanto foi efetivamente executado em cada bairro ou quais intervenções foram concluídas. A avaliação da recuperação do Sarandi exige dados específicos sobre obras, cronogramas, recursos aplicados e população atendida.
Propostas de educação diferenciam os programas de Lula e Flávio
A educação é um dos eixos dos programas apresentados pelos dois candidatos, embora as prioridades e os instrumentos propostos sejam diferentes. Lula associa a política educacional à redução das desigualdades, à mobilidade social e à ampliação do acesso à educação pública.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, enquadra a educação no eixo denominado “Brasil que prepara – para sua família ter as ferramentas para vencer”. O programa enfatiza a participação das famílias, a formação profissional, a disciplina escolar e a aproximação entre instituições de ensino e empresas.
As diferenças aparecem em áreas como alfabetização, educação infantil, jornada integral, financiamento, formação docente, ensino técnico, conectividade e ensino superior. A comparação entre os programas permite identificar quais medidas cada candidato pretende priorizar, embora a execução dependa de orçamento, regulamentação e articulação entre os governos federal, estaduais e municipais.
Alfabetização e educação infantil
Na alfabetização, Flávio Bolsonaro propõe priorizar o método fônico, baseado na associação entre sons e letras. Lula estabelece como meta alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada até 2030, no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
Os dois candidatos também apresentam propostas para ampliar o atendimento na primeira infância. Flávio defende a expansão de creches em período integral, com alimentação e atividades voltadas ao desenvolvimento infantil. Quando não houver vagas na rede pública, propõe conceder um voucher-creche para financiar a matrícula em instituições privadas credenciadas.
O plano de Flávio, conforme o material apresentado, não detalha a origem dos recursos necessários para custear esse benefício. Lula, por sua vez, prevê dar continuidade à construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de ampliar os recursos destinados a estados e municípios e retomar obras educacionais paralisadas.
Financiamento da educação e valorização dos professores
Os candidatos também divergem sobre os critérios de distribuição dos recursos públicos destinados à educação. Flávio propõe condicionar repasses orçamentários a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem, vinculando parte do financiamento aos resultados educacionais.
Lula pretende manter a política de reajuste do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério, referência para o vencimento inicial dos professores da educação básica pública. O candidato também prevê medidas para ampliar a formação docente e estimular o ingresso de estudantes em cursos de licenciatura.
Entre as iniciativas citadas estão o Pé-de-Meia Licenciaturas e o Bolsa Mais Professores, com o objetivo de atrair e manter profissionais nas redes públicas, sobretudo em áreas com escassez de docentes. Flávio defende formação continuada baseada em evidências científicas, mas o plano apresentado não detalha todos os mecanismos de implementação.
Recuperação da aprendizagem e apoio aos estudantes
No campo da aprendizagem, Lula propõe criar uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração dos conteúdos escolares. A iniciativa deverá dar atenção especial aos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e ao ensino médio.
O candidato também prevê ampliar o acervo da biblioteca digital MEC Livros e incluir novos idiomas na plataforma MEC Idiomas, com o objetivo de facilitar o acesso gratuito a materiais de leitura e ao aprendizado de línguas estrangeiras.
Flávio propõe instituir o Programa Acolher, no qual estudantes com bom desempenho receberiam remuneração para auxiliar colegas com dificuldades de aprendizagem. A medida busca utilizar a colaboração entre alunos como instrumento de reforço escolar, mas sua execução dependeria de critérios de seleção, acompanhamento pedagógico e definição dos recursos necessários.
Escolas cívico-militares e educação em tempo integral
A expansão das escolas cívico-militares está entre as propostas de Flávio Bolsonaro. O candidato defende um modelo de ensino orientado pelo conhecimento, sem o que classifica como doutrinação político-partidária, e atribui às famílias papel central na transmissão de valores aos estudantes.
A proposta retoma uma política associada ao governo de Jair Bolsonaro, que instituiu o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares. Nesse modelo, profissionais da área de segurança participavam de atividades de gestão e disciplina, enquanto as secretarias de Educação permaneciam responsáveis pelas atribuições pedagógicas previstas para a rede.
Lula prioriza a ampliação da educação em tempo integral em diferentes etapas da educação básica. O modelo considera jornadas de pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais. Segundo os números apresentados no material, o país registrou 1,8 milhão de novas matrículas em tempo integral entre 2023 e 2025, com a meta de superar a proporção de 25,8% das matrículas da educação básica nessa modalidade.
Flávio também defende a ampliação da jornada escolar, incluindo atividades durante as férias, como esportes, arte, música e literatura. Para localidades sem vagas suficientes na rede pública, prevê a oferta de vouchers educacionais para matrícula em instituições privadas.
Ensino médio e formação técnica
No ensino médio, Lula pretende aprimorar o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro destinado a estudantes dessa etapa da educação básica inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), conforme os critérios de elegibilidade. Criada em 2024, a iniciativa busca estimular a permanência e a conclusão dos estudos.
O programa alcançou 7,3 milhões de estudantes em todo o Brasil, segundo os dados apresentados no material. Lula também pretende ampliar as oportunidades de formação profissional por meio da expansão da rede de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
O plano do candidato prevê a implantação de novos campi em regiões com oferta insuficiente de cursos técnicos, incluindo periferias urbanas, municípios do interior e áreas classificadas como vazios educacionais. A proposta menciona 111 novos institutos ou unidades, distribuídos por 106 municípios, com a finalidade de ampliar o acesso à educação profissional.
Flávio prioriza parcerias entre instituições de ensino e empresas para aproximar a formação técnica das demandas do setor produtivo. A proposta prevê a possibilidade de financiamento de cursos por empresas, com concessão de bolsas para qualificação de trabalhadores e preparação dos jovens para ocupações com demanda no mercado.
Conectividade e inclusão digital nas escolas
A conectividade escolar aparece nos dois programas como instrumento de preparação dos estudantes para as transformações tecnológicas. Flávio propõe ampliar o acesso a computadores, tablets, internet e atividades de robótica, além de estimular conhecimentos relacionados à inteligência artificial, ao empreendedorismo e à educação financeira.
Lula prevê universalizar a conectividade das escolas brasileiras, com acesso à internet de qualidade e ações voltadas à inclusão e à cidadania digital. O programa indica o uso de recursos do Novo PAC para ampliar a cobertura.
O material apresentado informa que 75% das escolas estavam conectadas dentro dos parâmetros considerados adequados. A ampliação desse percentual exigiria investimentos em infraestrutura, equipamentos, manutenção e capacitação de professores para incorporar os recursos digitais ao processo de aprendizagem.
Ensino superior e financiamento estudantil
No ensino superior, Flávio propõe transferir a governança da área do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o argumento de aproximar a graduação das políticas de ciência e pesquisa.
O candidato também defende um novo formato de financiamento estudantil baseado no Empréstimo Contingente à Renda. Nesse modelo, o pagamento começaria após a entrada do estudante no mercado de trabalho, com parcelas proporcionais aos rendimentos do profissional formado e prazo ampliado para quitação.
A proposta guarda semelhanças com mecanismos de financiamento estudantil nos quais a capacidade de pagamento está vinculada à renda futura. A adoção do sistema exigiria definição das regras de contratação, dos limites de endividamento, das condições de cobrança e das fontes de financiamento.
Lula pretende manter recursos para custeio e investimentos na infraestrutura das universidades federais, incluindo laboratórios, restaurantes universitários, salas de aula e novas instalações. O programa também prevê avançar na implantação de instituições e unidades de ensino superior, entre elas o Instituto Tecnológico de Aeronáutica no Ceará, a Universidade Indígena e a Universidade Federal do Esporte, ambas previstas para Brasília.
O candidato ainda menciona a expansão de hospitais universitários vinculados à rede HU Brasil e a articulação com o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, para ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). Além da assistência, os hospitais universitários desempenham funções de ensino, pesquisa e formação de profissionais de saúde.
Pesquisa científica, pós-graduação e inovação
Flávio Bolsonaro propõe aproximar a pesquisa científica das necessidades do setor produtivo. Seu plano prevê uma Política Nacional de Formação de Talentos, destinada a identificar habilidades dos estudantes e desenvolver competências consideradas relevantes para as transformações tecnológicas e econômicas.
O candidato também propõe que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) priorize o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia no financiamento de pesquisas. Para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), prevê apoio a cursos de pós-graduação com maior aproximação entre universidades e empresas.
Lula defende a continuidade dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação, além da expansão da pós-graduação em regiões e áreas do conhecimento com atendimento insuficiente. O programa associa essas políticas à modernização da estrutura produtiva, ao desenvolvimento de soluções tecnológicas e à formação de pesquisadores.
As propostas refletem diferenças na orientação da política científica. Enquanto Flávio enfatiza a relação entre pesquisa, inovação e mercado de trabalho, Lula destaca a manutenção de uma rede pública de financiamento e a ampliação da capacidade científica em diferentes regiões do país.
Histórico de políticas educacionais dos governos Lula e Bolsonaro
O Pé-de-Meia foi uma das principais iniciativas educacionais do terceiro governo Lula. Criado em 2024, o programa oferece incentivos financeiros a estudantes elegíveis do ensino médio público para estimular a permanência e a conclusão escolar. Os dados apresentados atribuem à iniciativa redução da evasão escolar e queda de 62% na reprovação no ensino médio público.
Lula também mencionou a possibilidade de expandir o modelo para o ensino superior, por meio de uma iniciativa denominada Pé-de-Meia Universitário. A proposta, segundo o material fornecido, ainda não constava formalmente no plano de governo.
Na alfabetização, os dados citados indicam que o Brasil alcançou, em 2025, 66% de crianças aptas a ler e escrever ao final do segundo ano do ensino fundamental. O resultado foi apresentado como superior à meta nacional daquele ano, embora permaneçam desafios para universalizar a alfabetização na idade adequada.
Efeitos da pandemia e desafios da educação básica
A pandemia de covid-19 provocou interrupções prolongadas nas atividades presenciais e agravou problemas de acesso e aprendizagem. Em novembro de 2020, segundo dados atribuídos ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de cinco milhões de crianças e adolescentes brasileiros de 6 a 17 anos estavam fora da escola ou sem acesso à educação.
Desse total, 40% tinham entre 6 e 10 anos, faixa etária na qual a escolarização estava praticamente universalizada antes da crise sanitária. Estudos citados no material também apontaram aumento do analfabetismo infantil, com a proporção de crianças de até oito anos não alfabetizadas chegando a 30% em 2023, em comparação com 14% em 2019.
Os indicadores evidenciam a dimensão dos desafios relacionados à recuperação da aprendizagem, à permanência dos estudantes e à redução das desigualdades educacionais. As propostas apresentadas pelos candidatos procuram responder a essas questões por caminhos distintos, cuja efetividade dependerá da implementação, do financiamento e do acompanhamento dos resultados.
Escolas cívico-militares e expansão das universidades federais
Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares foi uma das principais iniciativas educacionais associadas à sua gestão. O modelo previa a participação de profissionais militares na gestão administrativa e disciplinar de escolas públicas, mantendo as atribuições pedagógicas sob responsabilidade das autoridades educacionais competentes.
Na área do ensino superior, o governo Bolsonaro anunciou, em 2019, o bloqueio de parte do orçamento discricionário das universidades federais, medida que foi amplamente debatida à época. A referência a um corte de 30% esteve associada a despesas discricionárias, e não deve ser interpretada automaticamente como redução de igual proporção em todo o orçamento das instituições.
Quanto à expansão da rede federal, os números apresentados no material indicam que Lula criou oito universidades federais no primeiro mandato, entre 2003 e 2006, seis no segundo mandato, entre 2007 e 2010, e três no terceiro, entre 2023 e 2026. No governo Bolsonaro, o material registra a criação de uma universidade federal, em 2019.
A comparação histórica ajuda a contextualizar as propostas dos dois candidatos, mas os resultados educacionais não podem ser atribuídos exclusivamente à criação de instituições. Indicadores de aprendizagem, conclusão escolar, financiamento, infraestrutura e formação docente também são necessários para avaliar o alcance das políticas públicas.
Segundo turno reúne disputas sobre religião, segurança e educação
A campanha de quarta-feira (14/10/2026) mostrou Lula buscando ampliar o diálogo com eleitores evangélicos e associar sua candidatura a políticas sociais e trabalhistas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou a agenda no Rio Grande do Sul, com compromissos de recuperação urbana, propostas de segurança pública e articulação com apoiadores.
A educação constitui outro eixo relevante da disputa, com diferenças entre a expansão de políticas públicas federais defendida por Lula e as propostas de maior participação das famílias, das escolas cívico-militares e do setor produtivo apresentadas por Flávio. As medidas incluem compromissos que exigem recursos, regulamentação e coordenação entre diferentes níveis de governo.
Com o segundo turno previsto para 25 de outubro, a comparação entre os programas permite ao eleitor avaliar prioridades, mecanismos de financiamento e compromissos de cada candidatura. A análise das propostas deve considerar não apenas as metas anunciadas, mas também a viabilidade de execução, os resultados mensuráveis e a capacidade de responder às necessidades da população.
*Com informações da Agência Brasil.








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