Lula e Flávio Bolsonaro encerram campanha com atos no Sudeste na véspera do 2º turno das Eleições 2026

Neste sábado (24/10/2026), véspera do segundo turno das Eleições 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa pela primeira vez a Presidência da República, concentraram seus últimos atos públicos de campanha nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Lula esteve pessoalmente no Rio e em São Paulo, enquanto Flávio participou de mobilizações em Belo Horizonte e na capital fluminense.

O encerramento ocorreu após uma campanha de segundo turno iniciada depois de Flávio terminar a primeira etapa da eleição com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. Os números foram divulgados oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As movimentações de sábado representaram a última possibilidade de realização de caminhadas, carreatas, passeatas e distribuição de material eleitoral. Pelo calendário do TSE, essas atividades poderiam ocorrer até as 22h de 24 de outubro. Os comícios com aparelhagem fixa de som haviam terminado anteriormente.

Lula começa por Copacabana e encerra campanha na Avenida Paulista

Lula iniciou o último sábado eleitoral em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, onde participou de uma caminhada pela Avenida Atlântica acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, de dirigentes partidários e de aliados políticos. A concentração começou pela manhã e percorreu aproximadamente um quilômetro da orla.

Durante declarações concedidas antes e durante a mobilização, o presidente voltou a criticar Flávio Bolsonaro, apresentou a eleição como uma escolha relacionada à preservação da democracia e das políticas sociais e procurou mobilizar principalmente mulheres e eleitores que não haviam comparecido às urnas no primeiro turno. Lula também retomou críticas à atuação profissional do adversário no caso envolvendo a morte da menina Ana Clara, em Niterói. As acusações e qualificações empregadas pelo presidente integram o discurso eleitoral de sua campanha e não devem ser confundidas com conclusões judiciais independentes.

A mobilização carioca apresentou predominância de bandeiras vermelhas, símbolos da campanha petista e também bandeiras e camisetas nas cores nacionais. Lula afirmou que a participação popular havia assumido protagonismo no segundo turno e comparou a intensidade política da disputa à campanha presidencial de 1989, quando chegou pela primeira vez ao segundo turno de uma eleição presidencial.

Paulista foi o último grande ato presencial de Lula

Depois do Rio de Janeiro, Lula seguiu para São Paulo, onde participou do encerramento da campanha na Avenida Paulista. O presidente percorreu a avenida em carro aberto ao lado do vice-presidente e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSB), de Janja e de aliados, entre eles Fernando Haddad e Simone Tebet.

Durante o percurso, Lula exibiu uma bandeira do Brasil e um exemplar da Constituição Federal, além de receber cartazes de apoiadores. A concentração foi suficientemente densa para dificultar o deslocamento do veículo presidencial em determinados trechos da avenida. A imprensa registrou ainda atendimentos a participantes que passaram mal durante a aglomeração.

Lula não fez um discurso prolongado durante o deslocamento. Antes da caminhada, porém, voltou a conceder declarações contra Flávio Bolsonaro e afirmou estar convencido da possibilidade de reeleição.

Flávio inicia sábado eleitoral com mobilização em Belo Horizonte

Flávio Bolsonaro iniciou sua agenda de sábado em Belo Horizonte, onde participou de uma mobilização que incluiu motociclistas e deslocamento entre a Praça do Papa e a Praça da Liberdade. O candidato esteve acompanhado de nomes de destaque de seu campo político, entre eles Nikolas Ferreira, o governador paulista Tarcísio de Freitas e o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo.

A mobilização integrou o chamado “Bloco do 22”, formato utilizado por apoiadores do candidato durante o segundo turno. Bandeiras do Brasil, camisetas verde-amarelas e referências religiosas estiveram entre os elementos visuais registrados no ato. Flávio não fez um discurso formal prolongado na concentração de Belo Horizonte.

A campanha de Flávio procurou utilizar o evento mineiro para reforçar uma mensagem de mudança de governo, crítica à administração Lula e mobilização de eleitores conservadores. Em declarações divulgadas ao longo do sábado, o senador voltou a afirmar que pretende representar uma alternativa ao atual governo. Trata-se da narrativa eleitoral apresentada pela candidatura do PL.

Barra da Tijuca recebe encerramento da campanha de Flávio

À tarde, Flávio seguiu para o Rio de Janeiro, onde realizou seu último ato presencial na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. A concentração começou por volta das 14h, e o candidato chegou posteriormente ao local após retornar de Minas Gerais.

A caminhada percorreu cerca de um quilômetro e terminou nas proximidades do condomínio Vivendas da Barra, onde a família Bolsonaro mantém imóvel e onde o ex-presidente Jair Bolsonaro residiu. O trajeto teve forte significado simbólico para a campanha, que procurou associar o encerramento da candidatura de Flávio à trajetória política do pai.

Participaram da mobilização, entre outros aliados, Nikolas Ferreira, o governador eleito do Rio de Janeiro Douglas Ruas, parlamentares e integrantes da coordenação da campanha. Flávio fez uma breve manifestação de agradecimento, afirmou que os apoiadores haviam participado de uma trajetória histórica e encerrou parte de sua participação com uma oração.

Campanha de Flávio mobilizou apoiadores além das duas cidades visitadas

As mobilizações favoráveis a Flávio não ficaram restritas aos locais visitados pelo candidato. Levantamento publicado pelo Poder360 identificou manifestações favoráveis ao senador em pelo menos 19 cidades de 13 unidades da Federação, distribuídas por quatro regiões do país. Flávio esteve pessoalmente apenas em Belo Horizonte e no Rio; nos demais municípios, os eventos foram realizados por aliados e apoiadores.

Também ocorreram manifestações de apoio a Lula em diferentes capitais e municípios. A Folha registrou atividades de ambos os campos em cidades das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, incluindo mobilizações em Salvador, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Belém.

Esse conjunto de manifestações mostra que a última jornada de campanha não se limitou às agendas presidenciais. Partidos, candidatos eleitos, movimentos sociais, lideranças regionais e grupos organizados procuraram ampliar a mobilização territorial nas horas finais permitidas pela legislação eleitoral.

Não há comparação segura de público entre os atos

Embora diferentes veículos tenham utilizado expressões como “multidão” ou “milhares de apoiadores” para descrever as concentrações, não existe uma estimativa independente, uniforme e metodologicamente comparável dos quatro principais atos realizados por Lula e Flávio neste sábado.

A Folha informou que organizações que realizaram medições de público em outras manifestações decidiram não divulgar estimativas para determinados atos do sábado diante de dificuldades metodológicas e da necessidade de garantir critérios comparáveis. Isso impede concluir, com rigor, qual candidato reuniu maior número de pessoas a partir apenas de fotografias, vídeos ou extensão aparente das concentrações.

Assim, uma comparação jornalisticamente segura deve limitar-se ao que pode ser observado: os dois candidatos conseguiram produzir grandes mobilizações de encerramento, mas os registros disponíveis não permitem estabelecer numericamente qual reuniu maior público.

Símbolos nacionais apareceram nos dois campos

Outro elemento comum foi a presença de símbolos nacionais. Nos atos de Flávio, predominaram o verde e amarelo, camisetas da seleção brasileira, bandeiras nacionais e referências religiosas. Também foram registradas bandeiras de Israel e, em alguns atos, dos Estados Unidos.

Nas mobilizações de Lula houve forte presença do vermelho associado ao PT e aos movimentos sociais, mas também apareceram bandeiras do Brasil, amarelo e camisetas da seleção. Na Paulista, o próprio presidente exibiu a bandeira brasileira e um exemplar da Constituição.

A disputa simbólica revela uma característica do segundo turno de 2026: os dois campos procuraram vincular suas candidaturas a ideias de representação nacional, ainda que com discursos políticos e bases eleitorais distintas.

Estratégia concentrou candidatos nos maiores colégios eleitorais

A escolha de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro não ocorreu por acaso. São os três maiores colégios eleitorais brasileiros e concentram parcela expressiva dos votos nacionais. A programação final colocou os candidatos presencialmente em territórios considerados decisivos para ampliar comparecimento, consolidar apoios e alcançar eleitores ainda não definidos.

Lula dividiu o sábado entre Rio e São Paulo, enquanto Flávio dividiu a agenda entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. O Rio foi, portanto, o único estado visitado presencialmente pelos dois candidatos no último dia permitido para atos de rua.

A configuração também reproduziu diferenças verificadas no primeiro turno. No conjunto nacional, Flávio chegou à etapa final na primeira posição, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos. O segundo turno, contudo, constitui uma nova votação, na qual vence quem obtiver a maioria dos votos válidos.

Fatos, versões de campanha e análise

Fatos confirmados: Lula participou de atos em Copacabana e na Avenida Paulista; Flávio Bolsonaro esteve em Belo Horizonte e na Barra da Tijuca; os dois mobilizaram grandes concentrações; as campanhas encerraram suas atividades de rua dentro do prazo previsto no calendário eleitoral; e a votação do segundo turno ocorre neste domingo, 25/10/2026.

Versões de campanha: Lula apresentou a disputa como uma defesa da democracia, das políticas sociais e da continuidade de seu governo e dirigiu críticas pessoais e políticas ao adversário. Flávio apresentou sua candidatura como alternativa de mudança, criticou o desempenho do governo Lula e procurou mobilizar o eleitorado identificado com o campo político de Jair Bolsonaro. Essas formulações representam estratégias e discursos dos candidatos, e não conclusões factuais desta reportagem.

Análise: os últimos atos mostraram que ambas as campanhas entraram nas horas finais priorizando mobilização presencial, imagens de grande concentração e símbolos capazes de produzir repercussão política e digital. O tamanho das manifestações, isoladamente, entretanto, não constitui medida confiável de intenção de voto nem permite antecipar o resultado das urnas. A decisão é tomada pelo eleitorado no segundo turno deste domingo.


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