Neste domingo (18/10/2026), exatamente uma semana antes da votação que definirá a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entram na fase decisiva do segundo turno com mobilizações de apoiadores em diferentes cidades, o primeiro confronto direto entre os dois candidatos na televisão e crescente atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre propaganda, inteligência artificial e canais digitais. Enquanto Flávio participa de ato em São Paulo e Lula concentra-se na preparação para o debate da Band, marcado para 20h, manifestações em defesa da democracia ocorrem em diferentes regiões depois de o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, rejeitar pedido de suspensão preventiva dos eventos e de veto a apresentações artísticas. A eleição será decidida em 25/10/2026, depois de um primeiro turno no qual Flávio terminou à frente por aproximadamente 2,23 milhões de votos.
Segundo turno chega à última semana com disputa aberta
O primeiro turno realizado em 04/10/2026 terminou com Flávio Bolsonaro na primeira colocação nacional, com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16%. Nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta necessária para encerrar a eleição na primeira etapa.
A diferença foi de 2.227.651 votos, pequena diante da dimensão nacional do eleitorado e suficiente para tornar decisivos, no segundo turno, os eleitores que escolheram outros candidatos, votaram em branco ou nulo e, sobretudo, aqueles que não compareceram às urnas.
As pesquisas divulgadas ao longo da segunda etapa passaram a registrar redução da distância entre os finalistas. Levantamentos recentes do Datafolha, PoderData/Aya, CNT/MDA e Futura/100% Cidades colocaram a disputa dentro das respectivas margens de erro. No Datafolha, Flávio apareceu com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula; o PoderData registrou 50% a 50%; a CNT/MDA, 50,5% a 49,5%; e a Futura, 50,8% a 49,2%.
Mobilizações ocupam as ruas no último domingo antes da votação
O último domingo antes do segundo turno combina mobilização territorial e exposição nacional na televisão. Aliados dos dois campos políticos organizaram atos em diferentes regiões, enquanto as campanhas procuram transformar apoio político declarado em comparecimento efetivo às urnas.
Flávio Bolsonaro está em São Paulo para participar de mobilização com apoiadores antes de seguir para o debate da Band. Lula passou o fim de semana concentrado em Brasília, onde realizou reuniões de preparação para o confronto televisivo antes do deslocamento para São Paulo.
No campo favorável ao presidente, foram convocadas manifestações por entidades civis, movimentos estudantis, artistas e grupos sociais. A natureza desses atos tornou-se objeto de disputa jurídica depois que o Partido Novo acionou o TSE sob o argumento de que apresentações musicais e estruturas como trios elétricos poderiam converter determinadas manifestações em eventos eleitorais favoráveis a Lula.
TSE rejeita suspensão preventiva dos atos e veto a apresentações
Na decisão proferida no sábado (17/10), Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou o pedido para impedir previamente as manifestações e proibir apresentações artísticas. O entendimento alcançou eventos anunciados em Copacabana, no Rio de Janeiro; Salvador; e Porto Alegre.
Segundo o corregedor, as provas apresentadas não demonstraram, até aquele momento, que os eventos integrassem formalmente a programação eleitoral de Lula ou fossem organizados sob a direção da campanha. Cueva também entendeu que a presença de artistas e a manifestação pública de preferência política não são suficientes, isoladamente, para caracterizar um showmício.
A decisão não representa, contudo, uma autorização irrestrita. O próprio ministro ressalvou que eventuais irregularidades verificadas durante os atos poderão ser posteriormente analisadas pela Justiça Eleitoral, inclusive situações envolvendo pedido explícito de voto, utilização irregular das apresentações ou financiamento incompatível com a legislação.
Lei proíbe showmício destinado à promoção eleitoral
A controvérsia deve ser compreendida à luz da Lei nº 9.504/1997. O artigo 39, § 7º, proíbe a realização de showmícios ou eventos semelhantes destinados à promoção de candidatos, assim como apresentações remuneradas ou gratuitas de artistas com a finalidade de animar comícios e reuniões eleitorais.
A jurisprudência eleitoral procura diferenciar manifestações políticas ou culturais autônomas de eventos utilizados como instrumentos de atração para propaganda de candidatura. Portanto, o ponto central dos atos deste domingo não é saber se artistas podem manifestar preferência política, mas se existe vínculo suficientemente demonstrável entre a estrutura artística e uma ação eleitoral organizada pela candidatura.
É precisamente essa fronteira entre mobilização social e estrutura de campanha que deverá continuar submetida a fiscalização durante os últimos dias do segundo turno.
Debate da Band coloca Lula e Flávio frente a frente pela primeira vez
O principal acontecimento eleitoral deste domingo está marcado para 20h, nos estúdios do Grupo Bandeirantes, no Morumbi, em São Paulo. Será o primeiro debate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta eleição e ocorrerá exatamente sete dias antes do segundo turno.
A transmissão será realizada pela Band e por um pool que reúne TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e O Estado de S. Paulo, além dos canais digitais e emissoras do Grupo Bandeirantes. A duração prevista é de aproximadamente duas horas.
O formato contempla blocos de confronto direto, com administração de tempo pelos próprios candidatos, além de perguntas formuladas por jornalistas. Economia, segurança pública, saúde, educação e políticas sociais estão entre os temas programáticos previstos.
A participação de Flávio chegou a ser colocada em dúvida. Em 13/10, o candidato do PL informou que não compareceria ao encontro; depois da confirmação de Lula, voltou atrás e anunciou presença. O episódio elevou a importância política do primeiro confronto direto.
Economia ocupa centro das estratégias
As duas campanhas escolheram a economia como um dos principais campos do confronto.
Flávio pretende explorar o custo de vida, criticar a condução econômica do governo Lula e sustentar que sua proposta de redução de despesas não significaria corte automático de programas sociais. Segurança pública também permanece entre as prioridades do candidato do PL.
Lula deverá defender resultados de seus governos, comparar sua gestão às administrações de Jair Bolsonaro e pressionar o adversário a explicar quais despesas seriam atingidas pela política de forte ajuste fiscal apresentada durante a campanha e chamada pelos adversários de “Tesouraço”.
Mais do que a troca de ataques, um dos critérios relevantes para o eleitor será a capacidade dos candidatos de traduzir propostas genéricas em compromissos verificáveis: quais despesas seriam reduzidas, de onde sairiam recursos para novas políticas, como seriam tratados inflação, emprego, renda e juros e como cada projeto se compatibilizaria com as restrições orçamentárias do próximo governo.
Pesquisas aumentam peso dos debates e da mobilização
A redução das diferenças observadas nas pesquisas amplia a relevância potencial dos acontecimentos da última semana.
No PoderData/Aya, Flávio tinha 53% dos votos válidos contra 47% de Lula na rodada de 8 de outubro; depois, a diferença passou para 51% a 49% e chegou a 50% a 50% em 16 de outubro. No Datafolha, a distância passou de 52% a 48% para 51% a 49%. A Futura também registrou redução da vantagem numérica do candidato do PL.
Esses movimentos não permitem concluir que tenha ocorrido uma virada eleitoral. Pesquisas são fotografias amostrais, sujeitas às respectivas margens de erro, metodologias e períodos de campo. A comparação tecnicamente mais adequada é acompanhar a evolução de levantamentos sucessivos realizados pelo mesmo instituto.
O dado politicamente relevante é que as medições mais recentes apresentam diferenças menores do que aquelas registradas imediatamente após o primeiro turno. Em um cenário desse tipo, abstenção, capacidade de mobilização e conversão de indecisos tornam-se fatores particularmente relevantes.
TSE estabelece critérios para canais digitais de apoiadores
Enquanto Lula e Flávio disputam as ruas e a televisão, outra frente decisiva ocorre no ambiente digital.
Na sexta-feira (16/10), o TSE aprovou por unanimidade uma alteração na Resolução nº 23.610/2019 para estabelecer critérios destinados a identificar quando canais aparentemente mantidos por apoiadores passam a ser juridicamente vinculados a uma campanha eleitoral.
A norma considera elementos como utilização de recursos da campanha, compartilhamento habitual de pessoal ou estrutura, suporte técnico, divulgação sistemática do endereço do canal em perfis oficiais, direcionamento coordenado de seguidores e orientação sobre conteúdo, frequência de publicações ou metas. Os critérios não são cumulativos: a demonstração objetiva de um deles pode ser suficiente para caracterizar o vínculo.
Por outro lado, a criação espontânea de um canal por uma pessoa física favorável a determinado candidato, a reprodução de material público de campanha, uma recomendação isolada ou uma participação eventual do candidato não caracterizam automaticamente vinculação.
Canais enquadrados como integrados à campanha devem ser comunicados à Justiça Eleitoral e submetem-se às normas eleitorais. A resolução estabelece também responsabilidade sobre a integridade das informações e admite indisponibilização diante de práticas reiteradas envolvendo conteúdos fabricados, manipulados, falsos ou descontextualizados.
Meta, WhatsApp e inteligência artificial entram no centro da fiscalização
O novo marco foi aprovado em uma semana marcada por disputas envolvendo canais de WhatsApp, propaganda eleitoral e decisões judiciais relacionadas ao chamado “Exército do Lula”, evidenciando o problema regulatório de distinguir militância digital independente de infraestrutura de campanha.
Em 15/10, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reuniu-se com representantes da Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, para discutir medidas relacionadas à desinformação, inteligência artificial e preservação de informações de canais. O tribunal apontou a necessidade de assegurar “paridade de armas” entre os candidatos.
Na mesma data, o TSE alterou a regulamentação sobre endereços eletrônicos utilizados entre os dois turnos. A Corte dispensou, nesse intervalo, o prazo anterior de 48 horas depois da comunicação à Justiça Eleitoral, permitindo o uso imediato do endereço registrado, embora a obrigação de comunicação tenha sido mantida.
As medidas mostram que a reta final será fiscalizada não apenas em comícios e programas televisivos, mas também em WhatsApp, Instagram, Facebook, vídeos, conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial e impulsionamento eleitoral.
Agenda de Lula e Flávio Bolsonaro até o segundo turno
A programação conhecida para os próximos dias combina viagens, atos de campanha, preparação para debates e deslocamentos estratégicos. As próprias campanhas ressalvam que as agendas podem sofrer alterações.
Domingo, 18 de outubro — atos e debate da Band
Flávio Bolsonaro participa de mobilização de apoiadores em São Paulo antes do debate. Lula permanece concentrado na preparação para o confronto, depois de dedicar o fim de semana a reuniões com auxiliares e integrantes da campanha.
Às 20h, os dois se encontram nos estúdios da Band, em São Paulo, para o primeiro debate direto do segundo turno.
Paralelamente, manifestações ocorrem em diferentes cidades. Os atos de Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre estiveram diretamente abrangidos pela decisão do TSE que rejeitou a suspensão preventiva solicitada pelo Novo.
Segunda-feira, 19 de outubro — Porto Alegre, Marabá e Manaus
Lula prevê campanha em Porto Alegre (RS). Flávio tem compromissos previstos em Marabá (PA) pela manhã e Manaus (AM) à noite.
No calendário institucional, 19/10 é também o último dia para registro no sistema PesqEle das pesquisas realizadas antes do segundo turno que pretendam ser divulgadas no próprio dia da eleição.
Terça-feira, 20 de outubro — Maranhão, Bahia e Pernambuco
Lula deverá passar por São Luís (MA) e depois pela região de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Até a agenda divulgada neste domingo, a programação de Flávio para a terça-feira permanecia indefinida.
A partir desta data, nenhuma eleitora ou eleitor poderá ser preso ou detido até 27/10, salvo em flagrante delito, em decorrência de sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto.
Quarta-feira, 21 de outubro — Brasília, Minas Gerais e Ceará
Lula tem compromissos previstos em Brasília e Belo Horizonte, incluindo participação em sabatina da TV Record. Flávio deverá realizar atividades em Fortaleza, no fim da tarde e à noite.
Com apenas quatro dias restantes para a eleição, a quarta-feira deverá intensificar também a divulgação das últimas pesquisas e a mobilização de estruturas partidárias regionais.
Quinta-feira, 22 de outubro — fim dos comícios e restrições digitais
Lula deverá concentrar parte da agenda na preparação para o debate seguinte. A programação pública de Flávio para a quinta-feira ainda não estava fechada na agenda divulgada neste domingo.
22/10 é o último dia para realização de comícios e utilização de aparelhagem fixa de sonorização, em regra das 8h às 24h, com possibilidade de extensão por mais duas horas no comício de encerramento.
É também o último dia para circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet. A partir desta data, até 24 horas depois do término do pleito, passam a ser vedadas a publicação, republicação e impulsionamento de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial utilizando imagem, voz ou manifestação de candidato ou pessoa pública, mesmo quando rotulados como artificiais.
Sexta-feira, 23 de outubro — debate final e encerramento da propaganda no rádio e na TV
Lula e Flávio têm novo confronto previsto no Rio de Janeiro, em debate da TV Globo. A sexta-feira é o último dia em que debates eleitorais no rádio e na televisão podem ser realizados, com encerramento obrigatório até a meia-noite.
Também termina em 23/10 a propaganda eleitoral gratuita do segundo turno no rádio e na televisão e o prazo para propaganda paga na imprensa escrita, observados os limites legais.
No horário eleitoral presidencial, o tempo é dividido igualmente entre os candidatos: cada candidatura dispõe de cinco minutos por bloco em rede e 12 minutos e 30 segundos diários em inserções.
Sábado, 24 de outubro — últimas carreatas e campanha de rua
Na véspera da votação, Lula prevê atividades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Flávio deverá cumprir compromissos em Belo Horizonte, pela manhã, e no Rio de Janeiro, à tarde, incluindo carreatas.
Até as 22h, ainda serão permitidas distribuição de material gráfico, caminhadas, carreatas e passeatas, acompanhadas ou não por carros de som ou minitrios. Alto-falantes e amplificadores também poderão funcionar até esse horário dentro das limitações estabelecidas pela legislação.
A partir de 24/10 e até 26/10, colecionadores, atiradores e caçadores — CACs — ficam proibidos de transportar armas e munições em todo o território nacional.
Domingo, 25 de outubro — segundo turno e apuração
A votação começa às 8h e termina às 17h, pelo horário oficial de Brasília. A partir das 17h, a Justiça Eleitoral poderá divulgar os resultados, incluindo votos válidos, brancos, nulos e abstenções.
Lula deverá votar em São Bernardo do Campo (SP) e acompanhar a apuração em São Paulo. Flávio prevê votar no Rio de Janeiro e acompanhar os resultados em Brasília.
Além da Presidência da República, haverá votação para governador e vice-governador nas unidades da Federação onde a disputa estadual também chegou ao segundo turno.
Principais eventos nacionais da última semana
- 18/10 — atos políticos e debate da Band: mobilizações em diferentes regiões e primeiro confronto direto Lula × Flávio, às 20h.
- 19/10 — pesquisas eleitorais: último dia para registro das pesquisas feitas anteriormente que poderão ser divulgadas no dia da eleição.
- 20/10 — garantia eleitoral: inicia-se a restrição à prisão de eleitores, ressalvadas as hipóteses legais.
- 22/10 — fim dos comícios: encerram-se comícios, impulsionamento eleitoral na internet e começa a restrição específica para novos conteúdos sintéticos de IA envolvendo candidatos ou pessoas públicas.
- 23/10 — debate final e fim do horário eleitoral: último dia para debates no rádio e na televisão, propaganda gratuita e propaganda paga na imprensa escrita.
- 24/10 — última campanha de rua: caminhadas, carreatas, passeatas e distribuição de material ficam permitidas até 22h.
- 25/10 — segundo turno: votação das 8h às 17h, seguida da divulgação dos resultados.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 04/10/2026 — Primeiro turno: Flávio Bolsonaro obtém 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e os dois avançam para o segundo turno.
- 08/10/2026 — Primeiras pesquisas pós-primeiro turno: levantamentos registram vantagem numérica inicial de Flávio, que posteriormente começa a diminuir em diferentes séries.
- 09/10/2026 — Horário eleitoral: começa a propaganda gratuita do segundo turno no rádio e na televisão.
- 13/10/2026 — Debate entra em dúvida: Flávio anuncia inicialmente que não participaria do encontro da Band; Lula confirma presença.
- 14/10/2026 — Flávio confirma debate: o candidato do PL recua da decisão anterior e anuncia participação no confronto televisivo.
- 15/10/2026 — TSE reúne-se com Meta: a Corte discute inteligência artificial, WhatsApp, preservação de informações e medidas destinadas a assegurar paridade entre as campanhas.
- 15/10/2026 — TSE altera regra digital: endereços eletrônicos registrados entre os turnos passam a poder ser utilizados imediatamente depois da comunicação à Justiça Eleitoral.
- 16/10/2026 — Novas regras para canais: TSE aprova critérios objetivos para determinar quando canais mantidos por apoiadores estão vinculados às campanhas.
- 16/10/2026 — Pesquisas estreitam disputa: PoderData, CNT/MDA e Futura registram diferenças entre zero e 1,6 ponto nos votos válidos.
- 17/10/2026 — TSE mantém atos: Ricardo Villas Bôas Cueva rejeita suspensão preventiva de manifestações e proibição geral de apresentações artísticas, sem impedir apuração posterior de possíveis irregularidades.
- 18/10/2026 — Mobilizações e primeiro debate: apoiadores ocupam as ruas e Lula e Flávio se enfrentam às 20h na Band.
- 19 a 24/10/2026 — Última semana de campanha: candidatos percorrem diferentes regiões enquanto entram em vigor sucessivos prazos para pesquisas, propaganda, comícios, inteligência artificial, debates e carreatas.
- 25/10/2026 — Segundo turno: o eleitorado retorna às urnas para definir a Presidência da República e os governos estaduais ainda submetidos ao segundo turno.
A última semana do segundo turno de 2026 evidencia uma campanha desenvolvida simultaneamente em quatro arenas: território, televisão, ambiente digital e Justiça Eleitoral. Ruas e carreatas continuam relevantes para demonstrar capacidade de mobilização; debates oferecem exposição nacional em tempo real; redes sociais e canais de mensagens aceleram a distribuição de conteúdos; e o TSE tornou-se responsável por estabelecer as fronteiras entre militância independente, propaganda organizada e práticas potencialmente ilícitas.
Há distinções factuais que precisam permanecer claras. Está confirmado que a legislação proíbe showmícios destinados à promoção eleitoral. Também está confirmado que o TSE considerou insuficientes os elementos apresentados para suspender preventivamente os atos deste domingo. Isso não significa que todos os comportamentos realizados nesses eventos estejam previamente validados. Da mesma maneira, manifestações espontâneas de apoiadores na internet são admitidas, mas podem ser juridicamente vinculadas à campanha quando houver financiamento, suporte, coordenação ou orientação demonstráveis.
No campo eleitoral, as pesquisas apontam redução das diferenças, mas não autorizam afirmar antecipadamente uma virada ou um vencedor. Flávio saiu do primeiro turno com vantagem oficial de mais de 2,2 milhões de votos; Lula chega à semana final com pesquisas que passaram a registrar distâncias menores. O debate da Band, o confronto previsto na Globo, as agendas territoriais e a capacidade de diminuir a abstenção compõem, portanto, uma disputa cuja definição continua dependente do comportamento efetivo do eleitorado.
O núcleo de interesse público reside na combinação entre competição eleitoral estreita, novas formas de mobilização digital e aplicação das regras democráticas. Até 25 de outubro, caberá às campanhas apresentar propostas verificáveis e respeitar os limites da legislação; ao TSE, aplicar suas normas de maneira uniforme; às plataformas digitais, responder às determinações eleitorais; à imprensa, distinguir fatos, versões e propaganda; e ao eleitorado, produzir nas urnas o resultado definitivo sobre quem exercerá a Presidência no próximo mandato.








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