Uma promessa feita durante o tratamento contra o câncer de mama da advogada Nilzete Teixeira será transformada em uma campanha de solidariedade às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). No sábado (10/10/2026), o jurista e atleta amador baiano Felipe Teixeira participará da Maratona de Lisboa, em Portugal, percorrendo 42 quilômetros para celebrar a recuperação da mãe e incentivar doações destinadas à instituição fundada por Santa Dulce dos Pobres.
A iniciativa começou durante o período em que Nilzete enfrentava um carcinoma invasivo. Antes da primeira cirurgia, Felipe esteve na cidade portuguesa de Fátima, onde fez uma promessa: caso a mãe atravessasse o tratamento sem necessidade de procedimentos mais agressivos ou sofrimento intenso, ele correria uma maratona. Até então, embora mantivesse uma rotina regular de corrida em Lisboa, nunca havia enfrentado os 42,195 quilômetros tradicionais da modalidade.
O compromisso pessoal foi posteriormente ampliado para uma mobilização de apoio às Obras Sociais Irmã Dulce. A escolha da instituição reúne a relação da família com Santa Dulce dos Pobres e o atendimento prestado pela OSID a pacientes do Sistema Único de Saúde, inclusive pessoas submetidas a tratamento oncológico.
Promessa surgiu durante tratamento de câncer de mama
Nilzete Teixeira recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 2025, depois de decidir antecipar exames que realizava regularmente. Segundo seu relato, a fé teve papel central na maneira como enfrentou o diagnóstico e as etapas seguintes do tratamento.
“Quando eu recebi a notícia, eu chorei naquele dia, mas no outro eu acordei com uma sensação muito forte de que tudo ia dar certo. Manter a fé foi muito importante nesse processo”, afirmou.
Ao longo do acompanhamento médico, Nilzete passou por duas cirurgias oncológicas e, segundo informações da família, não precisou realizar quimioterapia nem outros procedimentos invasivos. Ainda no primeiro ano após o diagnóstico, ela recebeu a informação médica esperada sobre sua recuperação.
Felipe interrompeu compromissos em Portugal para acompanhar a mãe
Durante a fase de tratamento, Felipe Teixeira interrompeu compromissos profissionais e esportivos em Portugal e retornou ao Brasil para acompanhar a mãe. A experiência familiar passou a orientar tanto a decisão de cumprir a promessa quanto a preparação para a prova em Lisboa.
“Naquele momento, o mais importante era estar ao lado dela e transmitir segurança”, afirmou Felipe.
Embora já praticasse corrida semanalmente na capital portuguesa, Felipe nunca havia realizado uma maratona. Segundo ele, a própria dificuldade da distância contribuiu para a escolha da prova como forma de materializar a promessa feita durante o período de incerteza vivido pela família.
Maratona exige preparação inédita do atleta amador
A preparação para completar os 42 quilômetros exigiu mudanças na rotina de treinamento de Felipe. Para o jurista, a distância deveria representar esforço físico, disciplina e sacrifício proporcionais ao significado atribuído à promessa.
“Durante o período antes de ir ao Brasil, o que eu mais pedi, além da cura da minha mãe, foi que eu pudesse compartilhar essa dor com ela, para que ela não a sentisse sozinha”, declarou.
Ao transformar o compromisso individual em campanha de arrecadação, mãe e filho decidiram direcionar a mobilização para pessoas que enfrentam condições semelhantes sem dispor das mesmas possibilidades de acesso ao atendimento privado.
Campanha busca ampliar apoio às Obras Sociais Irmã Dulce
Nilzete afirma que a experiência do tratamento despertou o desejo de contribuir para ampliar o acesso de outras mulheres ao diagnóstico e ao tratamento do câncer de mama. Ela realizou o acompanhamento em hospitais privados e avalia que esse acesso também motivou a decisão de apoiar uma instituição que presta assistência gratuita.
“Realizei o meu tratamento em hospitais privados, mas justamente por ter tido acesso a uma estrutura de saúde que garantiu meu acompanhamento, decidimos direcionar a mobilização para uma instituição que atende pessoas em situação de vulnerabilidade de forma inteiramente gratuita”, explicou.
A ligação familiar com as Obras Sociais Irmã Dulce antecede o diagnóstico. Segundo Nilzete, sua avó foi atendida no Hospital Santo Antônio, unidade vinculada à instituição. A advogada também destaca a necessidade de estimular exames preventivos, diagnóstico precoce e acesso à assistência médica entre mulheres submetidas ao tratamento do câncer de mama.
Último quilômetro será percorrido por mãe e filho
O momento programado para encerrar a maratona carrega um significado particular para a família. Nilzete estará em Lisboa para acompanhar a prova e, conforme planejado pelos dois, deverá percorrer ao lado do filho o último quilômetro do percurso.
“Meu objetivo primário não é finalizar os 42 km. É fazer os 41, porque no último minha mãe vai estar comigo, correndo junto”, afirmou Felipe.
Para mãe e filho, a corrida também marca o encerramento simbólico do período iniciado com o diagnóstico em 2025. Felipe relaciona a preparação física para a maratona às dificuldades enfrentadas durante o acompanhamento da doença e à mudança de perspectiva após a recuperação da mãe.
Experiência familiar é convertida em mobilização social
Felipe afirma que associar a promessa à OSID permitiu ampliar o alcance de uma experiência originalmente restrita à família. O percurso de Lisboa passa, assim, a funcionar também como instrumento de divulgação da campanha e incentivo a contribuições.
“Eu acho que esse sacrifício, da forma como a preparação foi feita, foi à altura da guerra que eu e minha mãe enfrentamos, da dor que a gente passou juntos, da preocupação e de tudo isso. Mas agora é um momento de gratidão. A dor e a tristeza já passaram”, declarou.
As doações vinculadas à mobilização podem ser realizadas no Brasil pela chave Pix informada pelos organizadores da campanha. Para contribuições internacionais, a orientação divulgada é acessar a campanha de financiamento coletivo indicada nos canais da OSID, inclusive no perfil institucional @obrasirmadulce.
OSID atende milhões de pessoas e mantém estrutura oncológica
Fundadas por Santa Dulce dos Pobres em 26 de maio de 1959, as Obras Sociais Irmã Dulce formaram uma rede de atendimento social, educacional e de saúde na Bahia. Dados atualizados da própria instituição indicam que a OSID acolhe mais de 3 milhões de pessoas por ano e realiza mais de 4,5 milhões de procedimentos ambulatoriais anualmente.
A organização informa ainda realizar cerca de 120 mil atendimentos a pessoas em tratamento contra o câncer, além de manter serviços que abrangem consultas, internações, cirurgias e procedimentos de alta complexidade. A estrutura atende usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e integra uma rede com diferentes núcleos assistenciais na Bahia.
Entre esses serviços está a área de oncologia, que oferece assistência a pacientes com câncer. A instituição também informa contar com mais de 8,5 mil profissionais, realizar aproximadamente 47 mil cirurgias e 68 mil internações por ano, além de manter atividades de ensino, pesquisa, assistência social e educação.
Solidariedade conecta Lisboa e Bahia
A participação de Felipe Teixeira na Maratona de Lisboa reúne três dimensões de uma mesma experiência: o acompanhamento da mãe durante o câncer de mama, o cumprimento da promessa feita em Fátima e a mobilização de recursos para uma instituição de assistência à população baiana.
A iniciativa também chama atenção para a importância do diagnóstico e acompanhamento do câncer de mama e para a necessidade de financiamento permanente de instituições filantrópicas que atuam de forma complementar ao sistema público de saúde.
No sábado (10/10/2026), enquanto Felipe percorre os quilômetros da prova em Portugal, a etapa final deverá reunir mãe e filho no mesmo percurso. O último quilômetro previsto pelos dois encerra simbolicamente a promessa iniciada durante o tratamento de Nilzete e mantém aberta a campanha destinada às Obras Sociais Irmã Dulce.








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