O jornalista e radialista Jair dos Santos Cezarinho, de 74 anos, morreu neste sábado (10/10/2026), em Feira de Santana, após uma trajetória de mais de cinco décadas vinculada ao rádio, especialmente à cobertura esportiva, à organização dos profissionais de comunicação e à preservação da memória da imprensa local. Cezarinho estava internado na Santa Casa de Misericórdia. Conforme comunicado funerário da Pax Bahia, o velório ocorre a partir das 12 horas deste sábado, no Memorial Pax Bahia, na Avenida Centenário, nº 291, bairro SIM. O sepultamento está marcado para domingo (11/10), com saída às 15 horas para o Cemitério Piedade, no bairro Calumbi. Até a publicação desta reportagem, não havia informação confirmada sobre a causa da morte.
Nascido em 18 de abril de 1952, Jair Cezarinho construiu sua vida profissional em uma fase decisiva da consolidação do rádio de Feira de Santana. Atuou como repórter, narrador, entrevistador e apresentador, com presença documentada na Rádio Sociedade de Feira de Santana e na antiga Rádio Carioca, além de participar da formação de equipes e de gerações de profissionais que posteriormente se estabeleceram na radiodifusão regional.
A ligação com o esporte, entretanto, antecede sua própria carreira nos microfones. Seu pai, o atacante Alfredo, participou de um dos capítulos fundadores do futebol profissional feirense: marcou o gol do Fluminense de Feira no empate por 1 a 1 contra o Vitória, em 6 de junho de 1954, na Fonte Nova, na estreia do clube de Feira de Santana na primeira divisão profissional do futebol baiano.
Jair Cezarinho integrou geração que consolidou o rádio esportivo de Feira de Santana
A história profissional de Jair Cezarinho se confunde com uma etapa do rádio em que transmissões esportivas exigiam operações técnicas mais complexas do que as atuais. Registros históricos da comunicação feirense o colocam entre os jovens repórteres que atuaram nas equipes esportivas locais ao lado de nomes como Marivaldo Bastos, Lúcio Bonfim, Nelson Filho, Jaques Pinheiro e Agnaldo Santos.
Naquele período, Rádio Sociedade e Rádio Cultura disputavam audiência com programas esportivos diários e coberturas externas. Uma transmissão a partir de Salvador poderia exigir um dia inteiro de montagem, testes de equipamentos, acompanhamento técnico e desmontagem. Cezarinho formou-se profissionalmente nesse ambiente, no qual o repórter de campo era um dos principais elos entre o estádio e o ouvinte.
Sua atuação também alcançou funções de comando. O radialista Paulo José, ao reconstituir sua própria trajetória profissional, registrou que trabalhou como repórter em uma equipe dirigida por Jair Cezarinho na antiga Rádio Carioca, antes de ingressar na Rádio Sociedade no início de 1993. O relato ajuda a dimensionar a influência exercida por Cezarinho sobre outros profissionais do rádio esportivo regional.
Pai de Jair marcou o primeiro jogo profissional do Fluminense de Feira
A relação da família Cezarinho com o esporte possui um antecedente diretamente ligado à história do Fluminense de Feira Futebol Clube. Em 6 de junho de 1954, o clube estreou no futebol profissional da Bahia enfrentando o Vitória, no então Estádio Otávio Mangabeira, a Fonte Nova, em Salvador.
O Vitória abriu o placar, mas o atacante Alfredo, pai de Jair Cezarinho, empatou a partida aos 36 minutos do segundo tempo, em chute de fora da área. O jogo terminou em 1 a 1. Alfredo compôs o ataque tricolor ao lado de Maneca, Pelúcio e Elias II na equipe dirigida por Durval Cunha, primeiro treinador do Fluminense em sua fase profissional.
O episódio estabelece uma conexão familiar entre duas dimensões da história esportiva de Feira de Santana: enquanto Alfredo esteve em campo no início da trajetória profissional do Fluminense, Jair passaria décadas depois a acompanhar o esporte pelo rádio, como repórter, narrador, apresentador e integrante da crônica esportiva.
Encontro com Pelé tornou-se um dos registros de sua carreira
Entre os episódios que Jair Cezarinho preservou da carreira estava uma entrevista com Pelé, realizada no Estádio Joia da Princesa, em Feira de Santana. O encontro ocorreu quando Cezarinho trabalhava como repórter da Rádio Sociedade, durante uma passagem do jogador pela cidade.
Em depoimento divulgado após a morte de Pelé, em 2022, o radialista recordou que ficou nervoso diante da quantidade de pessoas que cercavam o jogador, mas afirmou que o entrevistado o deixou à vontade. Uma fotografia do encontro permaneceu em seu acervo particular e passou a integrar os registros históricos de sua passagem pela reportagem esportiva.
A passagem de Pelé por Feira ocorreu em 1975, durante amistoso envolvendo Santos e Fluminense de Feira no Joia da Princesa. A cobertura daquele acontecimento tornou-se parte da memória esportiva do município e também da biografia profissional de Cezarinho.
Trabalho ultrapassou os estádios e alcançou a organização da imprensa
A trajetória de Jair Cezarinho não ficou restrita ao rádio. Ele exerceu funções na Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e presidiu durante anos a Regional Norte/Nordeste, sediada em Feira de Santana, atuando na aproximação entre profissionais do interior e a direção estadual da entidade. Registros da ABI ainda o identificavam nessa função na composição institucional divulgada para o período de 2020 a 2022.
Em 2011, por exemplo, Cezarinho coordenou o VIII Fórum de Comunicação Social da ABI, em Jequié, organizado para discutir rádio, televisão, jornal, internet, liberdade de expressão e integração dos profissionais de imprensa. Na ocasião, afirmou que uma das finalidades da entidade era valorizar os comunicadores e defender direitos coletivos e a liberdade de expressão.
Em 2014, comandou as comemorações dos cinco anos da Regional Norte/Nordeste da ABI em Feira de Santana. A programação incluiu reunião do Conselho da entidade e atividades com jornalistas, representantes institucionais e profissionais da comunicação.
Fóruns, congressos e valorização dos profissionais
Cezarinho também esteve envolvido em iniciativas voltadas à organização da crônica esportiva. Em janeiro de 2015, Feira de Santana recebeu encontro estadual de cronistas esportivos organizado com participação da ABI e da associação da categoria, em articulação na qual Jair representava a entidade de imprensa.
Em outro congresso realizado no município, ele figurou entre os responsáveis pela abertura das atividades, ao lado dos radialistas Paulo José e Jorge Teles, em programação dedicada às transformações do rádio, ao futebol brasileiro e às mudanças na cobertura esportiva.
Também idealizou atividades de reconhecimento dos profissionais de imprensa. Em 2014, como dirigente regional da ABI, organizou o evento Personalidade da Comunicação, destinado a homenagear jornalistas, radialistas e outros trabalhadores do setor indicados por sua atuação profissional.
Cezarinho trabalhou pela preservação da memória da imprensa
Uma vertente menos visível, mas permanente, de sua atuação foi o trabalho de preservação da história do jornalismo feirense. Em março de 2010, quando presidia a representação regional da ABI, apresentou o Projeto Memória da Imprensa – Feira de Santana.
A iniciativa previa inicialmente a realização de um vídeo-documentário sobre os 100 anos do Jornal Folha do Norte e buscava reunir profissionais, pesquisadores, Universidade Estadual de Feira de Santana e entidades representativas para documentar a evolução da atividade jornalística local. No mesmo período, participou da organização do primeiro Fórum de Comunicação Social promovido pela ABI na região.
Em 2021, voltou a mobilizar profissionais em torno de uma iniciativa denominada “Memórias”, destinada ao registro audiovisual de personagens e acontecimentos da comunicação regional. A preocupação estava relacionada à preservação de testemunhos que permaneciam, em muitos casos, apenas na memória dos profissionais das gerações mais antigas.
ABI homenageou Jair Cezarinho pelos 70 anos
Em 13 de abril de 2022, a Associação Bahiana de Imprensa realizou homenagem a dirigentes e profissionais que completavam idades simbólicas naquele ano. Jair, que completaria 70 anos em 18 de abril, esteve entre os homenageados.
Ao agradecer a homenagem, declarou:
“Estou feliz em poder compartilhar desse momento memorável com expressivas figuras da imprensa da Bahia que muito contribuem para um mundo melhor.”
Ainda em 2022, registros indicam sua participação no programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News FM, onde apresentava o quadro “A Bola do Jogo”, preservando a ligação com o jornalismo esportivo que havia marcado as primeiras etapas da carreira.
Atuação institucional permaneceu nos anos seguintes
Em 10 de agosto de 2023, Jair participou de uma reunião de dirigentes da ABI com a então presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, Eremita Mota. A pauta incluía as comemorações dos 93 anos da Associação Bahiana de Imprensa e a retomada de representações da entidade em cidades do interior do estado.
A comitiva era integrada pelo presidente da ABI, Ernesto Marques, pelo tesoureiro Antônio Matos e por Jair Cezarinho como representante local. O encontro também contou com radialistas, jornalistas e representantes da Câmara Municipal.
Registros daquele período mostram que Cezarinho continuava desempenhando uma função de articulação entre profissionais de Feira de Santana e a associação estadual, inclusive organizando visitas de comunicadores do interior à sede da ABI, em Salvador.
Velório ocorre no Memorial Pax Bahia e sepultamento será no Cemitério Piedade
Segundo comunicado funerário apresentado pela Pax Bahia, Jair dos Santos Cezarinho nasceu em 18/04/1952 e morreu em 10/10/2026, aos 74 anos.
O velório foi programado para este sábado, a partir das 12 horas, no Memorial Pax Bahia, situado na Avenida Centenário, nº 291, no bairro SIM, em Feira de Santana.
O cortejo para o sepultamento deixará o local às 15 horas de domingo (11/10/2026). O enterro ocorrerá no Cemitério Piedade, na Praça da Piedade, bairro Calumbi.
A documentação disponibilizada não informa a causa da morte. Informação publicada neste sábado registra que o jornalista encontrava-se internado na Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 18/04/1952 — Nascimento: nasce Jair dos Santos Cezarinho, em data posteriormente registrada também pela ABI nas homenagens por seus 70 anos.
- 06/06/1954 — História familiar no futebol: Alfredo, pai de Jair, marca o gol do Fluminense de Feira no empate por 1 a 1 com o Vitória, na estreia do clube feirense no futebol profissional baiano.
- Décadas seguintes — Rádio esportivo: Cezarinho integra a geração de repórteres esportivos das emissoras de Feira de Santana, com passagens documentadas pela Rádio Sociedade e pela antiga Rádio Carioca.
- 1975 — Entrevista com Pelé: como repórter da Rádio Sociedade, registra encontro com o jogador durante passagem por Feira de Santana e preserva fotografia da entrevista.
- Março de 2010 — Memória da imprensa: apresenta o Projeto Memória da Imprensa – Feira de Santana, associado à preservação da história jornalística local.
- 2011 — Fórum da ABI: lidera iniciativa da Regional Norte/Nordeste no VIII Fórum de Comunicação Social realizado em Jequié.
- 2014 — Cinco anos da regional: coordena atividades comemorativas da representação Norte/Nordeste da ABI em Feira de Santana.
- 2015 — Crônica esportiva: participa da organização de encontro estadual de cronistas esportivos em Feira de Santana.
- 2021 — Projeto “Memórias”: volta a mobilizar comunicadores para documentar personagens e episódios da história da imprensa regional.
- 13/04/2022 — Homenagem da ABI: é homenageado pela Associação Bahiana de Imprensa às vésperas de completar 70 anos.
- 2022 — Rádio esportivo: mantém participação no quadro “A Bola do Jogo”, na Rádio Sociedade News FM.
- 10/08/2023 — Articulação institucional: participa de encontro da ABI com a Câmara Municipal de Feira de Santana como representante da entidade na cidade.
- 10/10/2026 — Falecimento: Jair Cezarinho morre aos 74 anos, após período de internação na Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana.
- 10/10/2026 — Velório: cerimônia prevista a partir das 12 horas, no Memorial Pax Bahia, em Feira de Santana.
- 11/10/2026 — Sepultamento: cortejo previsto para sair às 15 horas, com sepultamento no Cemitério Piedade.








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