PNUD alerta que 800 milhões de jovens podem ficar sem emprego nos próximos 15 anos e aponta desafios da inteligência artificial

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) alertou que cerca de 800 milhões de jovens poderão não encontrar emprego nos próximos 15 anos, período em que aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas dessa faixa etária deverão concluir sua formação e ingressar no mercado de trabalho em todo o mundo. A projeção evidencia o desafio de ampliar a oferta de oportunidades profissionais, especialmente nos países em desenvolvimento, diante das transformações tecnológicas e das limitações econômicas.

O administrador do Pnud, Alexander De Croo, apresentou o cenário durante uma conversa com jornalistas em Nova Iorque. Segundo ele, as estimativas consideram as condições tecnológicas atuais, os resultados das políticas públicas e outros fatores que influenciam a geração de empregos.

De Croo destacou que a inteligência artificial (IA) representa uma variável relevante para o futuro do trabalho, mas ressaltou que políticas trabalhistas ativas podem modificar as projeções. Para a agência, a criação de oportunidades profissionais depende de medidas capazes de estimular investimentos, ampliar a atividade econômica e facilitar a contratação de trabalhadores.

Inteligência artificial e perspectivas de emprego

A expansão da inteligência artificial tem provocado mudanças nas atividades profissionais e nas necessidades de qualificação. Nesse contexto, o Pnud avalia que o desafio não se limita aos efeitos da tecnologia sobre determinadas ocupações, mas envolve também a capacidade dos países de criar postos de trabalho em quantidade suficiente para absorver os novos trabalhadores.

Segundo Alexander De Croo, setores como saúde, agricultura e turismo devem continuar gerando oportunidades de emprego, mesmo com o avanço da inteligência artificial. A identificação dessas áreas e o estímulo a investimentos produtivos integram as estratégias apontadas pela agência para ampliar as possibilidades de inserção profissional.

O administrador do Pnud também relacionou a geração de empregos ao enfrentamento da pobreza.

“A criação de postos de trabalho é a única maneira realmente sustentável para as pessoas saírem da pobreza”, afirmou.

A declaração reforça a importância da inclusão produtiva como parte das políticas de desenvolvimento econômico e social.

Pnud lança iniciativas para ampliar oportunidades profissionais

Diante das projeções, o Pnud anunciou duas iniciativas destinadas a apoiar governos na criação de condições para ampliar o emprego e atrair investimentos. Os programas buscam melhorar o planejamento de projetos, fortalecer os instrumentos legais e identificar setores econômicos com potencial de contratação.

A primeira iniciativa, denominada Acelerador de Investimentos, pretende auxiliar os governos a aperfeiçoar suas políticas de investimento e seus marcos legais. A proposta inclui a formação de carteiras de projetos estruturados para receber financiamento e avançar para a fase de implementação.

A segunda iniciativa, o Mecanismo de Empregos para a Prosperidade, tem como objetivo ajudar os países a identificar setores capazes de gerar postos de trabalho e superar obstáculos que dificultam os investimentos empresariais e as contratações. A estratégia procura aproximar o planejamento econômico das necessidades de geração de renda e ocupação profissional.

Parcerias internacionais apoiam projetos-piloto

As duas iniciativas contam com o apoio de parcerias institucionais que incluem o Banco Mundial, o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. A participação dessas instituições busca contribuir para a estruturação de projetos e para a mobilização de recursos destinados ao desenvolvimento econômico.

De acordo com as informações divulgadas pelo Pnud, projetos-piloto já estão em andamento no Nepal, no Iêmen, no Haiti, no Líbano e em Gana. As experiências integram os esforços para identificar caminhos de ampliação do emprego em países que enfrentam dificuldades econômicas e limitações de investimento.

A implementação das iniciativas ocorre em um cenário de pressão sobre as economias em desenvolvimento. Para a agência, a capacidade de transformar projetos em investimentos efetivos e de estimular a contratação será um dos fatores relevantes para ampliar as oportunidades profissionais nos próximos anos.

Países em desenvolvimento enfrentam pressão econômica

Ao apresentar as iniciativas, Alexander De Croo descreveu a situação de diversas nações em desenvolvimento como um “triplo choque”, caracterizado por altos custos de energia, efeitos associados a um dos fenômenos El Niño mais fortes desde 1950 e despesas elevadas com empréstimos.

Essas condições podem restringir a capacidade dos governos de financiar políticas públicas, investir em infraestrutura e criar condições favoráveis à expansão das atividades econômicas. Os custos de financiamento também afetam a disponibilidade de recursos para projetos que poderiam estimular a produção e a geração de empregos.

O cenário amplia a dificuldade de conciliar o pagamento das obrigações financeiras com a necessidade de investir em serviços públicos, proteção social e desenvolvimento econômico. Nesse contexto, o Pnud defende medidas voltadas à identificação de oportunidades de investimento e à remoção de obstáculos à atividade empresarial.

Relatório aponta aumento da pobreza multidimensional

O relatório do Pnud intitulado Sem Tempo para Recuperação apresenta indicadores sobre as restrições enfrentadas pelos países em desenvolvimento. Segundo o documento, essas nações destinam, em média, 9,5% da receita total dos governos ao pagamento de juros.

O comprometimento de parte da receita pública com os encargos da dívida pode limitar os recursos disponíveis para outras prioridades, dependendo das condições fiscais de cada país. A situação representa um desafio adicional para governos que precisam ampliar investimentos e responder às demandas sociais.

O documento também registra que, pela primeira vez desde 2010, aumentou o número de pessoas em situação de pobreza multidimensional. Esse indicador considera não apenas a renda, mas também as condições de acesso a serviços e recursos essenciais, como eletricidade, água, saúde e educação.

Geração de empregos integra o desafio de reduzir a pobreza

As projeções sobre o ingresso de jovens no mercado de trabalho colocam a geração de empregos entre os principais desafios das políticas de desenvolvimento para os próximos 15 anos. A estimativa de que 800 milhões de pessoas poderão não encontrar ocupação evidencia a distância entre o número de novos trabalhadores e a capacidade de absorção dos mercados.

As iniciativas anunciadas pelo Pnud procuram atuar sobre fatores que influenciam esse cenário, incluindo a preparação de projetos para financiamento, o aprimoramento das políticas de investimento e a identificação de setores com potencial de contratação. A cooperação com instituições financeiras internacionais e a execução de projetos-piloto fazem parte dessa estratégia.

A agência também destaca que os efeitos da inteligência artificial não determinam, isoladamente, o futuro do emprego. As políticas públicas, as condições econômicas e a capacidade de atrair investimentos poderão influenciar a criação de oportunidades. O desafio consiste em ampliar o acesso ao trabalho e evitar que as restrições econômicas aprofundem a pobreza e as desigualdades sociais.

*Com informações da ONU News.


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