Salvador: Exposição “3 Obás de Xangô” supera 5 mil visitantes e segue em cartaz no Pelourinho até dezembro de 2026

A exposição “3 Obás de Xangô” ultrapassou a marca de 5 mil visitantes e permanece aberta ao público na unidade da CAIXA Cultural no Pelourinho, em Salvador. Gratuita, a mostra segue em cartaz até 6 de dezembro, com visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 19h, na Rua do Saldanha, nº 14. Inspirada no documentário homônimo dirigido por Sérgio Machado, a iniciativa reúne obras, documentos e registros históricos para abordar a relação entre arte, religiosidade, memória e identidade cultural na Bahia.

A exposição tem como referência a amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, três personalidades que receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro de Candomblé localizado em Salvador. A proposta curatorial amplia o olhar sobre as trajetórias dos homenageados e destaca a participação das comunidades de axé e das lideranças femininas negras na preservação e transmissão dos conhecimentos afro-brasileiros.

Organizada em núcleos temáticos, a mostra apresenta contribuições de mais de 45 artistas das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia. O percurso aborda o matriarcado nas religiões de matriz africana, os saberes das comunidades de axé, a simbologia de Xangô, a amizade entre os três homenageados e as transformações contemporâneas das manifestações artísticas afro-brasileiras.

Curadoria destaca protagonismo das mulheres negras e do Candomblé

Com curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, a exposição propõe uma leitura da formação cultural brasileira que ultrapassa as contribuições individuais dos três artistas e intelectuais homenageados.

Segundo a concepção curatorial, a trajetória dos Obás de Xangô está relacionada a uma rede de conhecimentos, práticas religiosas e relações sociais que contribuiu para a construção do imaginário cultural baiano. Nesse contexto, as mães de santo ocupam posição central na preservação, organização e transmissão de tradições afro-brasileiras.

A mostra também aborda a influência das religiões de matriz africana na produção artística e intelectual, relacionando manifestações culturais, memória coletiva e identidade. Os diferentes núcleos temáticos permitem observar como esses elementos aparecem nas artes visuais, na música, na literatura e na fotografia.

Mais de 45 artistas integram a exposição

O conjunto de obras reúne representantes de diferentes gerações e linguagens artísticas. Nas artes visuais, estão presentes nomes como Ayrson Heráclito, Emanuel Araújo, Goya Lopes, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Rubem Valentim, Pierre Verger e Yedamaria, além de Ana Sant’Anna e Ani Ganzala.

Na música, a programação expositiva contempla referências como Margareth Menezes, BaianaSystem, Olodum, Tiganá Santana, Letieres Leite Quinteto, Aguidavi do Jêje e Orquestra Afrosinfônica. A diversidade de artistas representados contribui para apresentar diferentes expressões da cultura afro-brasileira e suas relações com a história da Bahia.

A literatura também integra o percurso, com nomes como Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Jr., Ordep Serra, Hugo Canuto, Maysa Miranda e Alex Simões. A presença dessas diferentes linguagens amplia o alcance da exposição, conectando produção artística, pensamento intelectual e referências culturais de origem africana.

Nova unidade da CAIXA Cultural amplia espaços no Centro Histórico

A exposição integra a programação da CAIXA Cultural Salvador — Unidade Pelourinho, espaço que passou a ampliar a estrutura destinada a exposições, atividades educativas, ações formativas e eventos culturais na capital baiana.

O edifício tem 7.822,14 metros quadrados de área construída e ocupa um quarteirão do Centro Histórico de Salvador. O imóvel também abrigou o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia por mais de 130 anos, associando a nova função cultural à trajetória histórica da região.

Com a abertura da unidade do Pelourinho, a CAIXA Cultural passa a manter dois espaços em funcionamento em Salvador. A unidade da Rua Carlos Gomes continua com sua programação regular, enquanto o novo endereço amplia a oferta de atividades culturais no Centro Histórico.

A exposição “3 Obás de Xangô” permanece gratuita até 6 de dezembro, com visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 19h, na Rua do Saldanha, nº 14, no Pelourinho.

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