Neste mês de setembro de 2024, durante o encontro anual de Jackson Hole, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), enfatizou o compromisso da instituição em garantir um mercado de trabalho sólido e estabilidade de preços nos Estados Unidos. Na quarta-feira, Powell cumpriu essa promessa ao anunciar uma redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros, estabelecendo o intervalo entre 4,75% e 5%. Esse movimento marcou o início do primeiro ciclo de flexibilização monetária do Fed em mais de quatro anos.
A decisão foi acompanhada de projeções que indicam novas reduções nos próximos meses. Segundo o gráfico de pontos divulgado, a maioria dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) estima uma queda adicional de meio ponto percentual ainda em 2024, seguida por cortes graduais em 2025, com a taxa chegando ao intervalo entre 3,25% e 3,5%.
Apesar das preocupações iniciais, a reação dos mercados foi contida. Os principais índices de ações e títulos do governo permaneceram praticamente estáveis, e as bolsas na Ásia e na Europa mostraram desempenho positivo na quinta-feira, refletindo uma aceitação generalizada da medida.
A decisão do Fed, embora ousada, foi vista por alguns economistas como um movimento para prolongar a estabilidade econômica. Peter Hooper, vice-presidente de pesquisa do Deutsche Bank, afirmou que o corte funcionaria como um “seguro” para manter o crescimento econômico em um patamar favorável, enquanto Diane Swonk, da KPMG, avaliou que o sucesso de Powell em evitar uma recessão consolidaria seu legado à frente do Fed.
Contudo, a decisão também atraiu críticas. O candidato republicano à presidência, Donald Trump, acusou o corte de ser motivado por razões políticas, sugerindo que o movimento favoreceria sua adversária Kamala Harris na corrida eleitoral. Powell, por outro lado, reiterou que as decisões do Fed são baseadas exclusivamente em dados econômicos.
O corte de juros desta semana ocorre após um período desafiador na liderança de Powell, que incluiu a resposta à pandemia global, a maior recessão desde a Grande Depressão, além de choques de oferta e uma inflação persistente. Mesmo assim, o Fed conseguiu, em grande parte, conter a inflação, que já se aproxima da meta de 2%, sem comprometer o crescimento econômico.
Powell explicou que a decisão de reduzir a taxa em meio ponto percentual, em vez do ajuste tradicional de um quarto de ponto, foi uma recalibração da política monetária. Segundo ele, essa mudança se alinha ao enfraquecimento das pressões inflacionárias e à desaceleração do mercado de trabalho. O Fed busca, assim, evitar uma recessão desnecessária, especialmente em um contexto em que os riscos para a economia permanecem elevados.
O desafio agora será determinar a velocidade dos próximos cortes. Powell indicou que o Fed não tem pressa para alcançar um nível “neutro” de taxas, aquele que não estimula nem reprime o crescimento. No entanto, as projeções do comitê mostram divergências sobre o ritmo ideal para os próximos ajustes, refletindo a incerteza sobre o cenário econômico futuro.
A eleição presidencial de novembro também deve adicionar uma camada de complexidade às próximas decisões do Fed. No entanto, Powell tem insistido que a política monetária continuará sendo guiada por dados econômicos, e não por pressões políticas.
Economistas como Jean Boivin, ex-vice-governador do Banco do Canadá, alertam que o ciclo de flexibilização pode ser mais curto do que o esperado pelos mercados. Enquanto isso, operadores de mercados futuros já precificam cortes mais profundos, antecipando que as taxas podem cair para a faixa de 4% a 4,25% até o final do ano, e para menos de 3% até meados de 2025.
O futuro da inflação permanece incerto, e o Fed ainda terá de equilibrar as expectativas de recuperação econômica com a necessidade de evitar uma nova aceleração inflacionária. O cenário, portanto, indica cautela no quanto de alívio monetário será oferecido aos tomadores de crédito.
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