Donald Trump volta à presidência dos EUA com 312 votos no Colégio Eleitoral e maioria na Câmara e no Senado; Conheça a nova agenda econômica do governante eleito

Donald Trump, candidato republicano, foi declarado vencedor da eleição presidencial dos Estados Unidos após conquistar os sete estados decisivos conhecidos como “campos de batalha” eleitorais. Trump obteve 75.516.920 votos (50,2%) e acumulou 312 votos no Colégio Eleitoral, superando a atual vice-presidente e candidata democrata, Kamala Harris, que alcançou 72.373.485 votos (48,1%) e 226 votos no Colégio Eleitoral. A Associated Press confirmou a vitória de Trump no estado do Arizona na noite de sábado, após novas atualizações de votos no condado de Maricopa e em outras regiões consolidarem sua vantagem, deixando o estado fora do alcance de Harris. Com o mínimo de 270 votos necessários para a vitória, Trump garantiu seu retorno à Casa Branca com uma margem sólida nos estados decisivos que selaram o resultado da eleição.

Esta vitória marca uma reviravolta em um cenário onde Trump havia sido derrotado em 2020 pelo então presidente Joe Biden, que venceu o Arizona com uma vantagem estreita e superou Trump no condado de Maricopa por 50% a 48%. Neste ano, Trump alcançou uma vantagem de 52% contra 47% de Harris no mesmo condado, consolidando um retorno surpreendente e que parecia improvável à época da invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, que marcou o fim da última campanha presidencial de Trump.

Desde sua saída do cargo, Trump enfrentou múltiplos desafios legais e foi responsabilizado por diversas derrotas eleitorais de seu partido. O ex-presidente foi indiciado quatro vezes, acumulando 34 acusações criminais e sendo condenado em um julgamento civil por inflacionar o valor de seus ativos. Além disso, ele enfrentou acusações de abuso sexual e ainda lida com uma série de multas e processos que somam mais de 500 milhões de dólares, assim como a possibilidade de pena de prisão.

Apesar dos embates judiciais e da rejeição de uma parte da opinião pública, Trump foi capaz de converter suas questões legais em um fator de mobilização política. Ele capitalizou o descontentamento crescente com a economia e o aumento do custo de vida para reconectar-se com uma nova geração de eleitores que se identificam com sua rejeição ao status quo. Utilizando podcasts e redes sociais, Trump mobilizou eleitores que se sentem marginalizados, ao passo que sobreviveu a duas tentativas de assassinato e a uma mudança de última hora na candidatura democrata.

Com um discurso renovado e direcionado a questões sociais e econômicas, Trump conseguiu articular uma narrativa de combate ao sistema, reestruturando sua imagem pública e consolidando uma base de apoio que lhe permitiu retomar o cargo de presidente, desafiando as expectativas iniciais e a oposição legal e política.no à presidência.

Eleições Legislativas 2024 nos EUA: Republicanos conquistam maioria no Senado e Câmara dos Deputados

As eleições legislativas dos Estados Unidos em 2024 resultaram em uma significativa reconfiguração do poder no Congresso. O Partido Republicano assegurou a maioria tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, consolidando sua posição após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais. Com o controle das duas casas do Congresso, o partido terá condições de avançar na agenda política defendida pelo novo presidente e enfrentar com mais eficácia a oposição democrata.

Senado: Maioria Republicana Reconquistada

No Senado, os republicanos recuperaram a maioria ao conquistarem 54 das 100 cadeiras, ampliando seu espaço de atuação após um período de equilíbrio de forças. O Partido Democrata, por sua vez, agora ocupa 46 cadeiras, o que lhes deixa em uma posição de oposição, mas ainda com a possibilidade de influenciar decisões em casos que exijam apoio bipartidário.

Esse novo cenário favorece o partido do presidente eleito, uma vez que o Senado tem um papel essencial em aprovações críticas, como nomeações para a Suprema Corte, cargos executivos e embaixadas. Analistas políticos apontam que essa maioria pode facilitar a tramitação de medidas que demandem suporte das duas casas legislativas, embora a necessidade de obter consenso em temas mais polarizados permaneça um desafio.

Câmara dos Deputados: Republicanos Ampliam Liderança

Na Câmara dos Deputados, o Partido Republicano também obteve uma vantagem importante, conquistando 238 dos 435 assentos. Essa margem representa uma ampliação em relação à composição anterior e reflete o fortalecimento das bases republicanas em diversos estados, especialmente no meio-oeste e sul do país. Os democratas, que agora possuem 197 assentos, terão uma influência limitada na tramitação de projetos de lei, embora continuem sendo um grupo expressivo, com peso suficiente para pressionar a favor de emendas e atuar como uma força de oposição crítica.

A nova composição na Câmara permitirá aos republicanos não apenas avançar em pautas prioritárias, como também estabelecer uma agenda legislativa que busca consolidar políticas protecionistas, de controle da imigração e de incentivo à indústria doméstica — temas que estiveram no centro da campanha presidencial de Trump.

Implicações Legislativas e Próximos Desafios

Com o controle das duas casas, o Partido Republicano encontra-se em uma posição vantajosa para promover reformas nas áreas de política econômica, segurança pública e comércio exterior. No entanto, analistas políticos alertam para os desafios inerentes ao processo de aprovação legislativa, especialmente nas pautas de orçamento e políticas sociais, onde podem enfrentar resistência da bancada democrata e de grupos independentes.

O equilíbrio de poder conquistado pelos republicanos poderá, ainda, favorecer negociações e compromissos políticos pontuais, visando apaziguar disputas partidárias em temas de consenso nacional, como infraestrutura, saúde e segurança cibernética. A expectativa é de que o Congresso, agora dominado pelo Partido Republicano, enfrente um cenário de intensa mobilização de ambos os lados, em um ciclo de renovação política que promete influenciar as próximas eleições de meio de mandato.

Principais Dados das Eleições Legislativas dos Estados Unidos em 2024

  • Senado:
    • Republicanos: 54 cadeiras
    • Democratas: 46 cadeiras
  • Câmara dos Deputados:
    • Republicanos: 238 cadeiras
    • Democratas: 197 cadeiras

A nova configuração no Congresso promete definir o rumo das políticas internas e internacionais dos Estados Unidos, refletindo a dinâmica polarizada do atual cenário político americano.

Donald Trump e a nova agenda econômica dos EUA: protecionismo, tarifas e reindustrialização

Com a recente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024, os Estados Unidos se preparam para um novo ciclo de políticas econômicas que priorizam o protecionismo e a reindustrialização. Essas diretrizes representam um afastamento do liberalismo econômico defendido por décadas pelos EUA, especialmente desde o fim da Guerra Fria, quando o país era um dos maiores promotores do livre mercado no cenário internacional. Trump, contudo, agora adota uma abordagem voltada para a proteção do mercado interno e o incentivo à produção doméstica, políticas que são vistas como antagônicas ao liberalismo econômico por especialistas.

Protecionismo e Tarifas de Importação: Estratégia e Controvérsias

Entre as propostas mais polêmicas da nova gestão está o aumento de tarifas de importação, com alíquotas que variam entre 10% e 20% para produtos vindos de diversos países, além de uma taxação de até 60% sobre itens da China. A política tarifária busca desencorajar o consumo de bens estrangeiros e estimular a produção nacional. No entanto, economistas apontam que, ao elevar as tarifas, o governo corre o risco de impactar negativamente a competitividade do mercado americano e aumentar a inflação. A medida também poderá desacelerar o comércio global, afetando economias de parceiros comerciais e ampliando tensões comerciais internacionais.

Em uma pesquisa realizada pelo Wall Street Journal, economistas expressaram desaprovação unânime quanto à política de tarifas de Trump, destacando que o protecionismo tarifário pode resultar em aumento de preços e redução da oferta de produtos, criando um ciclo inflacionário que impactará diretamente os consumidores americanos.

A Manutenção de Isenções Fiscais e o Impacto no Orçamento

Outro pilar da agenda econômica de Trump é a permanência dos cortes de impostos instituídos durante seu primeiro mandato, em 2017, e que estavam previstos para expirar em 2025. Trump propõe tornar essas isenções permanentes, medida que beneficia empresas e trabalhadores de baixa renda. Economistas, porém, alertam para o impacto dessa política sobre o orçamento federal, com a possibilidade de reduzir a arrecadação e comprometer a sustentabilidade das contas públicas.

Essas isenções fiscais, argumentam os críticos, podem gerar uma distorção no mercado de trabalho, ao incentivar a criação de empregos temporários de baixa remuneração, mas sem o fortalecimento de setores estratégicos que poderiam gerar emprego qualificado. Comparando com políticas similares no Brasil, o economista Livio Ribeiro destaca que, embora benéficas no curto prazo, essas isenções frequentemente se tornam permanentes, resultando em pressões fiscais.

Consequências para a Mão de Obra e o Mercado de Trabalho

A política de imigração restritiva de Trump, com foco na redução da entrada de trabalhadores estrangeiros, é outro elemento de sua agenda que preocupa especialistas. O presidente eleito propôs intensificar o controle migratório e deportar imigrantes em situação irregular, medida que pode resultar em uma escassez de mão de obra em setores como construção civil e serviços, onde a presença de trabalhadores imigrantes é significativa.

Economistas avaliam que, além de reduzir a força de trabalho disponível, essa política poderia agravar a inflação no curto prazo, já que o aumento da escassez de trabalhadores tende a elevar os salários, impactando os custos para os consumidores finais. Em setores como o agronegócio e a indústria de serviços, a redução na oferta de mão de obra imigrante poderá se traduzir em aumento de preços e menor oferta de bens e serviços.

Globalização e Nacionalismo Econômico: A Mudança de Paradigma

As políticas de Trump se inserem em um contexto global de revisão das diretrizes do livre mercado e da globalização. A estrutura econômica dos EUA passou por mudanças profundas nas últimas décadas, com o setor de serviços substituindo a manufatura como principal motor de crescimento. A transição para uma economia de serviços, que representa hoje cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) americano, resultou em deslocamento de empregos da indústria para outros países e na perda de competitividade do setor manufatureiro.

Esse cenário impulsionou a retórica nacionalista de Trump, que busca resgatar empregos perdidos e fortalecer a base industrial do país. Segundo o economista José Márcio Camargo, a transição para uma economia de serviços trouxe desafios para trabalhadores de baixa qualificação, que veem o retorno de Trump como uma esperança de proteção contra a concorrência externa e a erosão de empregos na indústria.

A Reação Internacional e o Futuro das Relações Comerciais

A postura econômica de Trump também levanta dúvidas sobre o futuro das relações comerciais dos EUA com outras potências econômicas, especialmente com a China. O aumento de tarifas sobre produtos chineses pode intensificar disputas comerciais, com impacto sobre a economia global. Além disso, a política de autossuficiência defendida pelo presidente eleito poderá levar a uma redução no fluxo de investimentos estrangeiros e a uma fragmentação dos mercados globais.

Francis Fukuyama, renomado cientista político, afirma que o segundo mandato de Trump representa uma nova fase da política americana, com potencial para redefinir as alianças comerciais e a posição dos EUA no cenário internacional. O reforço do nacionalismo econômico e o afastamento do liberalismo econômico sugerem que o país poderá adotar uma postura mais isolacionista, com repercussões que vão além de suas fronteiras.

  1. Política Tarifária e Comércio Internacional
    • Aumento de tarifas de importação: de 10% a 20% para produtos de diversos países.
    • Tarifas específicas para produtos chineses: até 60%.
    • Objetivo: reduzir importações e incentivar a produção nacional.
    • Consequências esperadas: risco de inflação, impacto negativo no comércio global e maior custo para consumidores americanos.
  2. Isenções Fiscais e Sustentabilidade Orçamentária
    • Manutenção de cortes de impostos de 2017, com previsão inicial de expiração em 2025.
    • Beneficiários: empresas e trabalhadores de baixa renda.
    • Riscos: possível impacto no orçamento e distorções no mercado de trabalho.
  3. Política de Imigração e Mercado de Trabalho
    • Proposta de intensificar deportações de imigrantes irregulares.
    • Impacto: escassez de mão de obra em setores como construção e serviços.
    • Consequência: aumento potencial de salários e inflação no curto prazo.
  4. Contexto Global e Nacionalismo Econômico
    • Mudança da estrutura econômica dos EUA, com serviços representando 70% do PIB.
    • Retórica nacionalista: busca pela reindustrialização e proteção do mercado interno.
    • Repercussões: potencial aumento de tensões comerciais e fragmentação dos mercados globais.
  5. Impactos Econômicos e Políticos
    • Economia americana pode enfrentar desafios inflacionários e de competitividade.
    • Segundo mandato de Trump representa um afastamento do liberalismo, com impactos potenciais na política externa e alianças comerciais dos EUA.

*Com informações da Agência Reuters e BBC News Brasil.

Nas eleições de 2024 nos Estados Unidos, Donald Trump reconquistou a presidência ao obter 75.516.920 votos populares (50,2%) e garantir 312 votos no Colégio Eleitoral. A candidata democrata e atual vice-presidente, Kamala Harris, recebeu 72.373.485 votos (48,1%), resultando em 226 votos no Colégio Eleitoral.
Nas eleições de 2024 nos Estados Unidos, Donald Trump reconquistou a presidência ao obter 75.516.920 votos populares (50,2%) e garantir 312 votos no Colégio Eleitoral. A candidata democrata e atual vice-presidente, Kamala Harris, recebeu 72.373.485 votos (48,1%), resultando em 226 votos no Colégio Eleitoral.

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