Área estratégica próxima à maior reserva de urânio do Brasil é vendida para empresa chinesa por R$ 2 bilhões

A mineradora Taboca anunciou a venda de uma área situada nas proximidades da maior reserva de urânio do Brasil, localizada em Presidente Figueiredo, no Amazonas, à empresa China Nonferrous Trade (CNT), uma subsidiária do governo chinês, por US$ 340 milhões (aproximadamente R$ 2 bilhões). A informação foi divulgada no dia 28 de novembro de 2024 pelo jornal O Globo. A área está situada a 107 quilômetros de Manaus, na região da hidrelétrica de Balbina, e abriga uma das maiores reservas de urânio do país, embora o metal presente na localidade seja de baixo teor.

A reserva de urânio em questão é considerada uma das mais promissoras do Brasil, devido ao seu potencial para a exploração de diversos minerais estratégicos. Além do urânio, a área possui outros recursos como nióbio, tório, estanho e tântalo, essenciais para o desenvolvimento de tecnologias de ponta, especialmente para a indústria de alta tecnologia. Entretanto, a exploração do urânio no Brasil é restrita pela Constituição, que coloca o mineral como monopólio da União, o que impede que o metal seja extraído por empresas privadas, nacionais ou estrangeiras.

Apesar dessa restrição, a venda da área gerou repercussões políticas, principalmente no Congresso Nacional. A negociação, que resultou na transferência de 100% das ações da mineradora Taboca para a CNT, foi alvo de críticas, principalmente devido à venda de uma reserva estratégica a uma empresa estrangeira. O senador Plínio Valério (PSDB-AM), em pronunciamento no plenário, questionou a diferença de tratamento entre as empresas brasileiras, que enfrentam limitações na exploração de recursos naturais na Amazônia, e as empresas internacionais, como a CNT, que teriam mais liberdade para realizar a extração de outros minerais da região.

A venda gerou debates sobre o controle de recursos naturais essenciais para o desenvolvimento econômico e estratégico do Brasil, com foco na exploração mineral por parte de empresas estrangeiras. A questão envolve não apenas a segurança econômica, mas também a soberania nacional sobre reservas consideradas de interesse estratégico.

Além da questão legal sobre a exploração do urânio, o Brasil se vê em um cenário de crescente interesse internacional por seus recursos minerais, o que pode resultar em novas negociações semelhantes a esta no futuro. A questão levanta preocupações sobre os limites da atuação do Estado brasileiro na regulação da exploração de recursos naturais estratégicos, especialmente em uma região como a Amazônia, que é de grande importância tanto para o Brasil quanto para o cenário internacional.

*Com informações da Sputnik News.


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