Salvador, quinta-feira, 27/03/2025 — Os investimentos em energia limpa na Bahia têm contribuído significativamente para a retenção da população rural, impulsionando a economia em municípios do interior. Com 441 usinas eólicas e solares em operação, o estado já contabiliza mais de 167 mil empregos gerados, segundo dados do Governo da Bahia. A projeção é que, até 2030, esse número alcance 822 mil oportunidades, com a expansão dos empreendimentos.
Complexo Solar da Lapa: energia e retorno ao lar
Em Bom Jesus da Lapa, a cerca de 800 km da capital, está localizado o maior parque solar do país: o Complexo Solar da Lapa, da CGN Brazil Energy. A unidade, inaugurada em 2016, conta com 500 mil painéis solares e gerou mais de 1.200 empregos diretos e indiretos, com 44% da mão de obra oriunda do próprio município.
Um dos beneficiados foi Marcus Vinícius Amorim de Castro, 39 anos, técnico em manutenção. Ele relata que retornou a Bom Jesus da Lapa após anos na capital, sem perspectiva de emprego. A contratação pela CGN Brazil Energy lhe garantiu emprego formal e benefícios trabalhistas, como vale-refeição, plano de saúde e FGTS. “Graças aos investimentos estaduais, minha vida mudou. Hoje, tenho estabilidade e dignidade”, afirmou.
Tanque Novo: retorno e estabilidade no sudoeste baiano
História semelhante é vivida por Marcelo Rodrigues Gama, 38 anos, que voltou para Tanque Novo após 25 anos em São Paulo. Ele foi contratado pelo Complexo Eólico de Tanque Novo, também da CGN Brazil Energy, após visualizar uma vaga no LinkedIn. “Esse emprego me trouxe de volta à minha terra. Tenho mais qualidade de vida e pude investir em um terreno na zona rural”, declarou.
O complexo, que abrange Tanque Novo e Caetité, gerou 1.100 postos de trabalho durante sua construção e ocupa uma área de aproximadamente 30 km.
Impacto no comércio local
Os reflexos dos empreendimentos também são sentidos no comércio. Uma loja de parafusos em Bom Jesus da Lapa dobrou seu faturamento e ampliou o quadro de funcionários com a chegada do parque solar. Segundo o gerente Victor Yuri Oliveira Santos, o faturamento chegou a R$ 1,2 milhão em 2024, com aumento de 60%.
Roniclécio Santiago Souza, 23 anos, balconista desde 2019, relatou que o emprego proporcionou sua primeira renda formal e conquistas pessoais. “Comprei uma moto e um carro, tudo graças a essa oportunidade”, disse.
Capacitação e arrecadação municipal
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Ângelo Almeida, o impacto inicial da construção dos complexos é ainda mais intenso, com aumento da arrecadação de ISS, fortalecimento do comércio e maior demanda por mão de obra qualificada. “É papel do Estado atuar na capacitação profissional rápida e eficaz, para que a população local usufrua dos benefícios gerados”, pontuou.
Chapada Diamantina: desenvolvimento e investimento social
Na Chapada Diamantina, os Complexos Eólicos Sul I e II, da Enel Green Power, também transformaram a realidade local. Além da geração de empregos, a empresa investiu em infraestrutura pública e projetos socioambientais, como a reforma de uma UPA, do mercado municipal e apoio à Sociedade Filarmônica Minerva.
Alan Miranda Simões, gerente da planta, destacou que as ações contribuíram para reduzir o êxodo rural e fortalecer o vínculo da população com a terra.
Cultura e pertencimento
A filarmônica Minerva, fundada em 1906, saltou de 9 para 120 alunos, com apoio da Enel. O maestro Alberto Caetano dos Santos enfatizou que o projeto vai além da música, atuando em temáticas sociais. O músico aposentado Orlando da Cruz, de 65 anos, e o jovem trompetista Arthur Xavier Suzart, de 11, expressaram o impacto positivo da música em suas vidas.










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