Manifestantes enfrentam Guarda Nacional enviada pelo presidente Donald Trump em Los Angeles

A cidade de Los Angeles, na Califórnia, registrou neste domingo (08/06/2025) o terceiro dia consecutivo de confrontos entre manifestantes e forças federais, após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mobilizar 2 mil soldados da Guarda Nacional para reprimir protestos contra as operações do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas).

Conflitos no centro da cidade

O embate mais tenso ocorreu em frente ao edifício federal Edward R. Roybal, no centro de Los Angeles, onde imigrantes em situação irregular são detidos. Tropas federais usaram gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e munição não letal contra centenas de manifestantes que gritavam slogans como “Fora, ICE”.

Resposta do governo federal

O presidente Trump justificou a ação com base em um memorando presidencial que invoca o Título 10 do Código dos EUA, conferindo-lhe autoridade para federalizar a Guarda Nacional. Em declaração à imprensa, afirmou: “Teremos tropas em todos os lugares. Não permitiremos que nosso país seja dilacerado“. A Casa Branca declarou que os protestos representam uma “rebelião contra a autoridade do governo federal”.

Reação do governo da Califórnia

O governador Gavin Newsom qualificou a medida como “propositalmente inflamatória” e alertou que a presença militar aumentará as tensões. A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, afirmou que o LAPD estava apto a controlar os protestos e acusou o governo federal de criar um “caos intencional”.

Impacto nas comunidades imigrantes

Bairros latinos como Paramount e Compton foram palco de operações do ICE e confrontos com manifestantes. Segundo o Pew Research Center, 1,8 milhão de imigrantes sem documentação vivem na Califórnia, muitos deles com filhos nascidos nos EUA. A repressão causou temor entre comerciantes e moradores, levando ao fechamento de estabelecimentos e à dispersão de famílias.

Histórico e legalidade

A mobilização da Guarda Nacional em território americano é rara. Casos semelhantes ocorreram durante os protestos de 1967 em Detroit, em 1992 em Los Angeles e após o assassinato de Martin Luther King Jr. A legalidade da ação atual de Trump poderá ser contestada judicialmente por contrariar a autonomia estadual.

Disputa política

Analistas apontam que a estratégia do presidente visa mobilizar sua base eleitoral com foco na “lei e ordem”, especialmente em Estados democratas. O governador Newsom, visto como potencial candidato à presidência em 2028, tem intensificado críticas a Trump e busca consolidar a imagem da Califórnia como Estado “à prova de Trump”.

Los Angeles como cidade santuário

Desde 2017, a Lei dos Valores da Califórnia (SB 54) limita a cooperação de forças locais com autoridades federais em questões migratórias. Em 2024, Los Angeles aprovou medidas adicionais que proíbem o uso de recursos municipais em apoio a detenções migratórias. A cidade também se declarou santuário para estudantes LGBTQIA+ e imigrantes indocumentados.

Consequências imediatas e projeções

A permanência da Guarda Nacional está autorizada por 60 dias, mas pode ser prorrogada. Há preocupação sobre o agravamento da instabilidade social e a paralisação de setores econômicos, como agricultura e construção civil, que dependem de mão de obra migrante.


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