Crise humanitária em Gaza: Jornalistas relatam fome e escassez extrema

Relatos de jornalistas que vivem na Faixa de Gaza evidenciaram a gravidade da crise humanitária provocada pelo bloqueio israelense e pela guerra que já dura quase dois anos. Correspondentes da RFI e da AFP descreveram episódios de fome generalizada, preços elevados de alimentos e mortes durante a espera por ajuda humanitária.

Relatos de Rami El Meghari

Rami El Meghari, correspondente da RFI, relatou a dificuldade para conseguir alimentos básicos, como farinha, cujo preço chega a US$ 45 (cerca de R$ 250) por quilo. “Vemos pessoas desmaiando de fome nas ruas. Algumas crianças bebem água com sal para suportar a falta de comida”, disse. Desde junho, mais de 1.000 palestinos morreram em Gaza enquanto aguardavam a distribuição de alimentos por organizações internacionais.

O jornalista também criticou o abandono do território pela comunidade internacional. “É uma nação abandonada, e isso não é normal”, afirmou. A situação é agravada por um bloqueio total imposto por Israel em março, parcialmente flexibilizado em maio, mas que ainda restringe a entrada de alimentos, medicamentos e combustíveis.

Relatos de outros jornalistas

Youssef Hassouna, repórter da AFP, contou que perdeu mais de 40 quilos desde o início do conflito, passando de 110 kg para cerca de 70 kg, devido à falta de alimentação adequada. “As crianças precisam esperar até sete horas para conseguir água”, relatou. Ele destacou que percorre diariamente até 15 quilômetros a pé para coletar informações, enfrentando altas temperaturas e infraestrutura precária.

Número de vítimas

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, já são 59.219 mortos, em sua maioria civis, desde a ofensiva militar israelense iniciada após os ataques do Hamas em 07/10/2023. A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) informou que mais de 200 jornalistas morreram em Gaza desde o início da guerra.

Posicionamento de Israel

O porta-voz do governo israelense, David Mencer, negou que o país seja responsável pela escassez de alimentos.

“Em Gaza, hoje, não há fome causada por Israel”, afirmou, responsabilizando o Hamas por impedir a distribuição de ajuda e saquear mantimentos para fins próprios.

*Com informações da Agência Brasil.


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