O Museu do Recôncavo Wanderley de Araujo Pinho, localizado no distrito de Caboto, em Candeias, deve ser inaugurado no segundo semestre de 2025, após permanecer fechado por mais de 20 anos. A reabertura ocorre após amplo processo de requalificação iniciado em 2020 e representa um marco para a preservação da história e do turismo cultural da Bahia.
A restauração do museu contou com investimento de aproximadamente R$ 26 milhões, viabilizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) através do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur Bahia). As obras incluíram a recuperação do casarão principal, da fábrica, do atracadouro e de toda a área urbanística do complexo.
Além da preservação do acervo — composto por mais de 200 peças e achados arqueológicos ligados ao ciclo do açúcar — o espaço foi modernizado com expografia multimídia, iluminação cênica, sinalização interativa e vitrines especiais, o que permitirá maior interação entre o público e a história preservada.
Valor histórico do Engenho Freguesia
O museu foi inaugurado em 1971, instalado no antigo Engenho Freguesia, uma das mais importantes propriedades açucareiras do Brasil Colônia. Erguido no século XVI em terras doadas pelo governador-geral Mem de Sá, o engenho foi alvo das invasões holandesas em 1624 e alcançou grande relevância econômica até a segunda metade do século XIX.
Com a abolição da escravidão e o declínio da produção de açúcar, o engenho entrou em decadência e teve suas moendas desativadas em 1890. Apesar disso, o complexo arquitetônico foi preservado, incluindo a casa-grande com 55 cômodos, capela, fábrica e amplas áreas verdes.
Em 1944, o conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Conjunto Rural, consolidando sua relevância para a história e memória cultural brasileira.
A figura de Wanderley de Araujo Pinho
O museu leva o nome de José Wanderley de Araujo Pinho (1890-1967), advogado, escritor e político baiano que se destacou na defesa do patrimônio cultural. Deputado federal na década de 1930, foi o autor do projeto de lei que resultou na criação do Iphan, marco institucional da proteção de bens artísticos e históricos no Brasil.
Sua trajetória pessoal está profundamente vinculada ao Engenho Freguesia, do qual foi proprietário, e ao esforço pela valorização da memória do Recôncavo, considerado berço de importantes episódios da formação nacional.
Estrutura arquitetônica e acervo
O museu se destaca como um dos principais símbolos arquitetônico-paisagísticos do Brasil colonial. O casarão, construído em quatro pavimentos, reúne elementos raros no país, como o desenvolvimento em torno de dois pátios internos, cozinhas de inspiração portuguesa e brasões nobiliárquicos preservados nos forros.
A capela anexa, dedicada a Nossa Senhora da Conceição da Freguesia, possui altar em estilo neoclássico e medalhão devocional. Já o acervo do museu reúne coleções de imaginária sacra, mobiliário, pinturas, cerâmica, fotografias, instrumentos de tecnologia rural e industrial, além de peças de indumentária e objetos de suplício, que retratam aspectos da vida social, religiosa e econômica do período colonial.
Linha do tempo do Museu do Recôncavo Wanderley de Araujo Pinho
- Século XVI — Construção do Engenho Freguesia, em terras doadas pelo governador-geral Mem de Sá. O engenho se torna um dos polos da produção açucareira no Recôncavo Baiano.
- 1624 — O engenho é alvo das invasões holandesas na Baía de Todos-os-Santos, resistindo como marco da ocupação colonial.
- Séculos XVII e XVIII — Período de apogeu econômico, com a produção de açúcar consolidando o Recôncavo como centro econômico do Brasil Colônia.
- 1890 — Após a abolição da escravidão e o declínio do setor açucareiro, as moendas do engenho são desativadas.
- 1944 — O conjunto arquitetônico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), classificado como Conjunto Rural de relevância nacional.
- 1971 — Inauguração oficial do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, instalado no casarão histórico do Engenho Freguesia, com acervo sobre o ciclo do açúcar e a história do Brasil Colônia.
- Década de 1990 — O museu entra em processo de degradação estrutural devido à falta de manutenção e recursos.
- Início dos anos 2000 — O museu é fechado ao público, permanecendo mais de 20 anos sem visitação.
- 2018 — O Ministério Público da Bahia, por meio do Nudephac, emite laudo técnico cobrando ações do poder público para preservar o espaço.
- 2019 — O governo da Bahia anuncia investimento de R$ 26 milhões para restauração, via Prodetur Bahia e financiamento do BID.
- 2020 — Início oficial das obras de requalificação do museu, incluindo restauro do casarão, capela, fábrica e atracadouro.
- 2022 — O MP-BA realiza visita técnica para acompanhar o andamento das obras e planejar a segurança e gestão patrimonial do espaço.
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2025 — Após mais de duas décadas fechado, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho será reaberto no segundo semestre, modernizado com expografia interativa e integrado ao turismo cultural e náutico da Bahia.












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