Salvador, sexta-feira (19/09/2025) – O secretário Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares, fez duras críticas ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), ao comentar as dificuldades na montagem de uma chapa de oposição para disputar o Governo da Bahia em 2026. Para Éden, o estilo centralizador de Neto atrapalha a própria estratégia eleitoral, levantando a possibilidade de mais uma desistência.
Críticas ao estilo de liderança
Segundo o dirigente petista, Neto mantém uma postura de individualismo e autoritarismo, confundindo liderança com chefia no trato com aliados. Essa característica, somada à vaidade política, teria inviabilizado a participação de outras lideranças oposicionistas no processo de definição da candidatura.
Éden lembrou que esse comportamento já teria custado caro ao ex-prefeito, que, mesmo dado como favorito, foi derrotado pelo atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) em 2022. “Não é segredo que ACM Neto tem fama de individualista. Ele decide tudo sozinho e já demonstrou que esse modelo leva ao fracasso”, afirmou.
Desgaste interno na oposição
O secretário destacou ainda que a insatisfação dentro do grupo opositor cresce. Entre as divergências apontadas, estaria a relação entre Neto e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, considerado seu aliado mais próximo, mas que não teria espaço efetivo na composição de alianças.
“Imagino o clima para montar as chapas proporcionais no grupo. Até Bruno Reis, seu fiel escudeiro, não tem vez. As divergências sobre partidos e coligações tornam a campanha algo que deveria ser coletiva, mas continua sob a lógica do ‘bloco do eu sozinho’”, ironizou.
Histórico de derrotas e recuos
Éden também recordou episódios anteriores em que Neto recuou da disputa pelo governo estadual, como em 2018, quando desistiu de enfrentar o então governador Rui Costa (PT). Para o dirigente, a insistência em repetir estratégias malsucedidas demonstra falta de aprendizado político.
“Desde que desistiu de enfrentar Rui em 2018 e perdeu para Jerônimo em 2022, Neto acumula erros. Nesse caso, só nos resta recorrer a um ditado muito usado na Bahia: o último a sair, por favor, apague a luz”, concluiu Valadares.
Disputa antecipada
As declarações de Éden Valadares intensificam o clima de disputa antecipada pelo Palácio de Ondina em 2026 e expõem a fragilidade da oposição na Bahia. A insistência em personalizar a liderança pode comprometer a competitividade de ACM Neto diante de um grupo governista consolidado, que se beneficia da máquina estadual e da unidade interna. Ao mesmo tempo, o embate evidencia a dificuldade histórica da oposição em articular um projeto coletivo, o que abre espaço para a manutenção da hegemonia petista no estado.











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