O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a cobrar publicamente, nesta sexta-feira (26/09/2025), do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), um posicionamento a respeito das denúncias que envolvem o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, apontado em investigações da Polícia Federal por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações citam Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, como proprietário de aeronaves supostamente utilizadas para transportar líderes do PCC. O caso veio à tona a partir de depoimento de um piloto identificado como Mattosinho, que declarou à Polícia Federal ter conduzido pelo menos 30 voos com os criminosos conhecidos como “Primo” e “Beto Louco”, figuras centrais no esquema de lavagem de dinheiro da facção em postos de combustíveis e no mercado financeiro.
As aeronaves, avaliadas em cerca de R$ 60 milhões, estariam registradas em nome de terceiros e fundos de investimento, mecanismo que dificulta a rastreabilidade dos controladores. O piloto relatou ainda que Rueda seria o chefe de um grupo com “muito dinheiro” para investir em aeronaves, que eram oferecidas como serviço de táxi aéreo ao crime organizado.
Cobrança pública de Jerônimo Rodrigues
Durante a cerimônia de inauguração do Centro de Zootecnia do Senar, em Feira de Santana, o governador Jerônimo Rodrigues declarou que ACM Neto deve explicações à sociedade baiana sobre o caso.
Segundo ele, não se trata de uma cobrança pessoal, mas de um dever de transparência por parte do líder oposicionista, já que Antônio Rueda é o principal aliado nacional de ACM Neto.
“Houve uma denúncia, tem que ser apurado. Eu aqui lutando contra o crime organizado, ele cobrando do governador e o presidente do partido dele acusado de apoiar o crime organizado. Eu quero só que ele se posicione, não é para mim não, é para o povo da Bahia”, afirmou Jerônimo.
ACM Neto ainda não se pronunciou
Até o momento, ACM Neto não emitiu nota oficial ou declaração pública sobre as denúncias que envolvem seu aliado político. O silêncio do ex-prefeito de Salvador tem alimentado a pressão de adversários e de setores da sociedade civil, que exigem maior clareza sobre a relação entre o União Brasil e as acusações dirigidas ao seu presidente nacional.
No meio político, a situação é vista como um teste de coerência para a liderança de Neto, que se apresenta como alternativa de oposição ao governo petista na Bahia e no cenário nacional.
Disputa política ampliada
A cobrança de Jerônimo Rodrigues insere-se em um cenário de disputa política ampliada entre governo estadual e oposição, mas também revela o peso institucional das denúncias que cercam Antônio Rueda. A ligação de bens de alto valor — como aeronaves registradas em fundos de investimento — com investigações criminais sobre o PCC expõe riscos de infiltração do crime organizado em estruturas partidárias.
A ausência de posicionamento de ACM Neto, por sua vez, gera questionamentos sobre a governança interna do União Brasil e sua capacidade de responder a acusações de tamanha gravidade. Mais do que um embate local, o episódio traz reflexos para o debate sobre ética na política, transparência partidária e combate ao crime organizado em âmbito nacional.

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