O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) classificou na sexta-feira (20/10/2025) como “grave” a tentativa do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), de desqualificar a Polícia Federal (PF) ao defender o presidente nacional do seu partido, Antônio Rueda, investigado na Operação Carbono Oculto. A ação policial apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores estratégicos da economia, como combustíveis e fundos de investimento.
Segundo Rosemberg, o caso ganha contornos ainda mais preocupantes diante das revelações de que Rueda teria atuado como intermediário na venda de uma empresa de gás de cozinha associada a uma dupla acusada de comandar um megaesquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.
“Quer dizer que, para defender o presidente do seu partido de sérias acusações de envolvimento com o crime organizado, o prefeito da terceira maior capital do país acusa, sem provas, a Polícia Federal de perseguição? Isso não pode ser sério”, afirmou o deputado petista.
Críticas à gestão municipal e suspeitas de uso indevido de recursos públicos
Rosemberg também acusou o prefeito de tentar desviar a atenção dos problemas de Salvador, citando falhas na saúde pública, infraestrutura urbana e gestão de recursos. O parlamentar mencionou o escândalo da chamada “bolsa-pistolão”, revelado recentemente, que teria usado dinheiro público para custear doutorados de aliados políticos, entre eles a vice-prefeita Ana Paula Matos e a secretária municipal da Fazenda, Giovanna Victer.
“A saúde básica está em colapso, há buracos pelas ruas, trechos mal iluminados e um escândalo de bolsas financiando doutorados de aliados. E o próprio prefeito precisa explicar quem paga o doutorado que ele faz em Brasília”, cobrou Rosemberg.
O parlamentar defendeu que a Polícia Federal seja respeitada em sua atuação, lembrando que a instituição tem sido fundamental no combate à corrupção e ao crime organizado, com operações de alcance nacional que atingem estruturas empresariais e políticas.
Deputado questiona motivação política e possíveis temores do prefeito
Para Rosemberg, a tentativa de Bruno Reis de desacreditar a PF ultrapassa os limites da razoabilidade e levanta dúvidas sobre as razões do prefeito e de Antônio Rueda para reagirem de forma tão incisiva às investigações.
“A PF tem atuado com independência e responsabilidade para desbaratar um grande esquema de corrupção e lavagem de dinheiro comandado pelo PCC. O prefeito deveria ter mais cuidado com o que fala. O que será que ele e Rueda sabem que tanto os preocupa?”, questionou o deputado.
Ética pública e transparência
O episódio insere-se em um momento delicado para o União Brasil, que tenta preservar sua imagem nacional enquanto enfrenta investigações que atingem diretamente sua cúpula partidária. As declarações de Bruno Reis expõem tensões entre o discurso político e a autonomia das instituições de controle, evidenciando o conflito entre interesses partidários e a credibilidade da Polícia Federal. Além disso, o caso reacende o debate sobre ética pública e transparência no uso de recursos municipais, tema que volta a desgastar a administração de Salvador em meio a denúncias de favorecimento político.








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