O empresário Domingos Sávio de Castro compareceu à CPMI do INSS nesta terça-feira (28/10/2025) e optou por permanecer em silêncio sobre a maioria das perguntas, amparado por habeas corpus do ministro Luiz Fux, do STF. Castro é investigado por supostos repasses financeiros de empresas e entidades associativas ligadas ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que teriam causado prejuízos a aposentados e pensionistas.
Movimentações financeiras e empresas envolvidas
De acordo com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Castro possui ou possuía participação nas empresas DM&H Assessoria, ACDS Call Center e recebe valores de entidades como Abraprev e Abapen, com movimentação financeira estimada em mais de R$ 20 milhões.
Castro afirmou atuar como corretor de seguros em Brasília, com mais de 50 funcionários, e negou qualquer envolvimento nas irregularidades investigadas. Ele também declarou que contratos de atendimento telefônico resultaram na devolução de aproximadamente R$ 45 milhões a segurados por descontos indevidos.
Direito ao silêncio e condenação anterior
O empresário esteve presente amparado por habeas corpus, garantindo o direito de não responder perguntas que pudessem gerar autoincriminação. Ele confirmou ter sido condenado em primeira instância por organização criminosa na Operação Strike, embora tenha sido absolvido de estelionato, e informou que recorre da decisão.
Suspeitas apresentadas pela CPMI
Segundo Gaspar, Castro estaria ligado a diferentes núcleos do esquema investigado, com repasses da Prospect, DM&H, ACDS Call Center e Unaspub. O relator afirmou que R$ 500 milhões teriam sido desviados de aposentados e pensionistas, com a Abapen recebendo cerca de R$ 100 milhões e a Abraprev R$ 67 milhões, sem contrapartida efetiva aos beneficiários.
Castro confirmou apenas ser sócio da ACDS Call Center, com 33% de participação, enquanto a Prospect detém 67%. Nas demais perguntas sobre repasses, o empresário manteve silêncio.
Reações de parlamentares
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que solicitará ao STF a prisão de Castro caso o silêncio persista. Deputados e senadores como Sidney Leite (PSD-AM), Beto Pereira (PSDB-MS) e Izalci Lucas (PL-DF) destacaram transferências suspeitas e valores milionários movimentados pelo empresário.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) considerou o silêncio como um direito legítimo, mas criticou distorções de informações sobre a CPMI nas redes sociais, ressaltando que Polícia Federal e CGU atuaram antes da comissão.
Viana reforçou que o silêncio do depoente é interpretado como forma de cumplicidade, reafirmando o compromisso da CPMI com a investigação das fraudes e proteção das vítimas do INSS.
*Com informações da Agência Senado.








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