‘Careca do INSS’ depõe à CPMI, nega fraudes, desafia relator e mantém silêncio sobre esquema bilionário de aposentadorias; Antônio Antunes se tornou bilionário 

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, depôs nesta quinta-feira (25/09/2025) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, mas recusou-se a responder às perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Apontado pela Polícia Federal como lobista e operador financeiro de um esquema de fraudes contra aposentados, Antunes negou envolvimento e acusou o relator de parcialidade.

Depoimento e acusações

Antunes afirmou que não responderia ao relator porque teria sido pré-julgado publicamente. Segundo ele, Gaspar o chamou de “ladrão do dinheiro de aposentados” em declarações anteriores, o que configuraria “quebra da imparcialidade”. Apesar do silêncio do depoente, o relator fez mais de 150 perguntas em 50 minutos, abordando visitas a parlamentares, ministros e servidores públicos, além de questionar sobre o suposto aval de agentes públicos para viabilizar o esquema.

Gaspar exibiu ainda uma fotografia em que Antunes aparece ao lado de diretores do INSS e do atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, quando este era secretário-executivo da pasta em janeiro de 2023. O deputado também levantou suspeitas sobre um “crescimento patrimonial espetacular” do empresário em 2004.

Prisão preventiva e defesa do empresário

Antunes está preso preventivamente desde 12 de setembro de 2025, acusado de movimentar R$ 24,5 milhões em cinco meses e de repassar R$ 7,5 milhões a empresas ligadas a servidores públicos. Apesar disso, obteve habeas corpus do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o desobrigou de falar a verdade no depoimento.

Em sua manifestação inicial, o empresário classificou a prisão como “extremamente grave e baseada em premissa equivocada”. Ele atribuiu as denúncias a um antigo parceiro comercial e reconheceu que sua empresa prestou serviços a entidades que promoviam descontos em aposentadorias, mas negou responsabilidade direta nos repasses irregulares.

Propostas de acareação e colaboração

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) sugeriu uma acareação entre Antunes e o economista Rubens Oliveira Costa, que declarou à CPMI que uma das empresas do empresário teria repassado valores a firmas ligadas a servidores. Antunes aceitou a acareação, mas recusou a proposta de firmar colaboração premiada.

Questionado sobre vínculos com o senador Weverton (PDT-MA), Antunes admitiu ter participado de um churrasco na casa do parlamentar, mas afirmou que o encontro teve como pauta apenas a regulamentação de produtos à base de cannabis, área em que representava uma empresa internacional.

Tensão durante a sessão

A reunião foi marcada por momentos de tensão. O advogado de defesa, Cleber Lopes, protestou após Gaspar afirmar que ele seria “pago com dinheiro roubado do povo brasileiro”. A discussão resultou em suspensão temporária da sessão, retomada em seguida pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que pediu respeito mútuo entre parlamentares, advogados e depoente.

Maior roubo da história

O depoimento do “Careca do INSS” reforça o clima de confronto político que marca a CPMI. De um lado, o relator investe em uma retórica dura, acusando Antunes de liderar “o maior roubo contra aposentados da história do Brasil”. De outro, o empresário adota a estratégia de silêncio, amparado por decisão judicial, e procura fragilizar a narrativa acusatória ao alegar perseguição e fake news.

Principais dados

Personagem central

  • Nome: Antônio Carlos Camilo Antunes
  • Apelido: “Careca do INSS”
  • Situação: Preso preventivamente desde 12/09/2025
  • Acusações: Operador financeiro e lobista em esquema de fraudes contra aposentados

Aspectos jurídicos

  • Decisão judicial: Habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça (STF), garantindo direito ao silêncio
  • Situação processual: Investigado por movimentar R$ 24,5 milhões em cinco meses
  • Suposta propina: R$ 7,5 milhões repassados a empresas ligadas a servidores

Depoimento na CPMI

  • Data: 25/09/2025
  • Local: Senado Federal
  • Relator: Deputado Alfredo Gaspar (União-AL)
  • Estratégia: Recusou-se a responder mais de 150 perguntas em 50 minutos
  • Justificativa: Acusou o relator de parcialidade e pré-julgamento

Evidências levantadas

  • Foto apresentada: Antunes ao lado de diretores do INSS e do atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, em janeiro de 2023
  • Questionamentos: Crescimento patrimonial em 2004 e suposto acesso prévio à operação “Sem Desconto” da PF

Declarações de Antunes

  • Prisão preventiva considerada “extremamente grave e equivocada”
  • Denúncias atribuídas a um ex-parceiro comercial por “mentira e inveja”
  • Admitiu prestação de serviços a associações, mas negou ingerência nos descontos
  • Negou necessidade de colaboração premiada
  • Disse que acusações se baseiam em “fake news” e em uma narrativa fantasiosa

Conflitos políticos e parlamentares

  • Senadora Eliziane Gama: propôs acareação entre Antunes e o economista Rubens Costa
  • Senador Jorge Seif: questionou vínculos com o senador Weverton (PDT-MA); Antunes citou apenas interesse em produtos à base de cannabis
  • Senador Izalci Lucas: ouviu do depoente que acusações são parte de “um enredo fantasioso”
  • Bate-boca: sessão suspensa após o advogado de defesa ser acusado de ser “pago com dinheiro roubado do povo” pelo relator
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, depôs nesta quinta-feira (25/09/2025) à CPMI do INSS, mas permaneceu em silêncio diante das perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar. Preso preventivamente, ele é acusado de movimentar R$ 24,5 milhões em fraudes contra aposentados. Antunes negou envolvimento, alegou perseguição política e recusou acordo de colaboração premiada. A sessão foi marcada por tensão e acusações mútuas.
O empresário “Careca do INSS” depôs à CPMI nesta quinta (25/09/2025), negou envolvimento em fraudes, recusou responder ao relator e manteve silêncio estratégico durante sessão tensa.

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