A Polícia Federal prendeu novamente nesta terça-feira (12/11/2025) o lobista Andreson Oliveira Gonçalves, apontado como intermediador em um esquema de venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A nova ordem de prisão foi expedida pelo ministro Cristiano Zanin, relator da Operação Sisamnes no Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorre quatro meses após o investigado ter sido colocado em prisão domiciliar alegando problemas de saúde.
A nova detenção aconteceu na manhã desta quarta-feira em Primavera do Leste (MT), após a PF informar ao STF que o estado de saúde do lobista havia melhorado. Andreson havia sido preso inicialmente em novembro de 2024, nas primeiras fases da Operação Sisamnes, responsável por desvendar um esquema de compra de decisões no STJ envolvendo lobistas, empresários e assessores de magistrados.
Mensagens encontradas no celular do investigado indicam a possível participação de assessores de ministros do STJ nas negociações ilegais, apontando para um modelo de intermediação que ampliou a repercussão do caso no meio jurídico.
Defesa critica decisão e aponta laudos médicos
O advogado Eugênio Pacelli, que representa Andreson, classificou a decisão de Zanin como “surpreendente” e “desfundamentada”. Segundo ele, exames médicos oficiais apontaram que o cliente perdeu 25 quilos e possui diagnóstico de neuropatia diabética, confirmado por laudo do Instituto Médico Legal (IML).
Pacelli disse que o ministro teria desconsiderado o laudo pericial e validado uma avaliação médica realizada por policiais durante uma visita ao domicílio do lobista em outubro. A defesa sustenta que não houve descumprimento de medidas cautelares.
Denúncia da PGR reforça pressão sobre o caso
Paralelamente à nova prisão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Dejair Silvestre dos Santos, segurança pessoal do lobista e sargento aposentado da Polícia Militar de Mato Grosso, por obstrução de investigação. Ele é acusado de avisar Andreson sobre o cumprimento de mandado de busca e apreensão ordenado por Zanin e de esconder um celular dos policiais em outubro.
A denúncia, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi inicialmente divulgada pelo Estado de S. Paulo e confirmada por outros veículos. A acusação sustenta que Silvestre atuou para proteger o lobista e interferir na coleta de provas.
Defesa de Silvestre nega irregularidades
A defesa do sargento aposentado afirma que não há qualquer prova de dolo ou intenção de obstruir a Justiça. O advogado Lucas Curvo pediu que o caso seja remetido à primeira instância, uma vez que seu cliente não possui foro especial, e alega que todos os atos atribuídos serão esclarecidos no curso do processo.
Silvestre atuava na segurança pessoal de Andreson, que desde julho cumpria prisão domiciliar, também por ordem de Zanin, após parecer favorável da própria PGR em razão do suposto quadro de saúde debilitado.
Operação Sisamnes e os desdobramentos no STJ
A Operação Sisamnes investiga desde 2024 a atuação de um grupo que intermediava pagamentos para influenciar decisões em processos de grande repercussão econômica no STJ. As apurações identificaram fluxos financeiros, conversas em aplicativos e interações com servidores estratégicos, ampliando o escopo e a sensibilidade institucional da investigação.
Os fatos revelados colocam em evidência a necessidade de mecanismos mais rígidos de integridade, transparência e prevenção de conflitos de interesse no Judiciário, especialmente em cortes superiores, onde decisões individuais produzem impactos nacionais imediatos.
Próximos passos e expectativas
Com a nova prisão, a PF deve realizar novas diligências para verificar eventual descumprimento de cautelares e aprofundar o mapeamento das relações do lobista dentro e fora do STJ. A denúncia contra seu segurança adiciona pressão sobre a defesa e amplia o alcance criminal dos possíveis envolvidos.
Rastreabilidade e accountability
A nova prisão de Andreson Gonçalves expõe um ponto sensível: o Judiciário brasileiro convive com episódios recorrentes de suspeitas envolvendo a venda de decisões, assessores influentes e intermediários com acesso privilegiado. Embora as operações representem avanço no combate à corrupção institucional, ainda persiste a dificuldade de responsabilizar de forma transparente todos os níveis envolvidos, especialmente quando indícios alcançam estruturas internas dos tribunais superiores. O caso reforça o debate sobre a necessidade de reformas que assegurem maior controle, rastreabilidade e accountability no sistema judicial.
*Com informações da Folha de S.Paulo e UOL.











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