A Fecomércio Bahia comunicou o afastamento provisório, pelo prazo de 90 dias, do diretor José Loyola de Andrade Neto, representante do SINDTAV, de suas funções na diretoria da entidade e no Conselho de Representantes. A decisão, tomada pela Presidência e aceita de comum acordo, foi divulgada por meio de nota institucional enviada nesta quinta-feira (04/12/2025) ao Jornal Grande Bahia.
Segundo a Federação, o afastamento tem caráter estritamente institucional, destinado a assegurar que o dirigente tenha condições de exercer plenamente seu direito de defesa frente às acusações que ganharam repercussão pública. Conforme o texto, as questões em análise não possuem relação com o exercício de suas funções na Federação, nem com sua contribuição histórica à entidade.
A nota informa que José Loyola poderá apresentar esclarecimentos às autoridades competentes durante o período de suspensão temporária. A Fecomércio BA reforça ainda que o procedimento será levado, em momento oportuno, ao conhecimento do Conselho de Representantes e da Diretoria, seguindo o compromisso com práticas de transparência, lisura e governança institucional. A entidade destacou, no comunicado, o objetivo de preservar o funcionamento administrativo e zelar pela imagem do sistema do comércio no estado.
Íntegra do Comunicado da Fecomércio Bahia
“A Fecomércio BA – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia vem a público informar que, após iniciativa e deliberação da Presidência e de comum acordo, o Sr. José Loyola de Andrade Neto, representante do SINDTAV, ficará afastado provisoriamente, pelo prazo de 90 (noventa) dias, dos cargos de Diretor da Federação e de Delegado no Conselho de Representantes.
A decisão foi tomada em caráter estritamente institucional e o referido afastamento temporário permitirá ao Diretor exercer seu direito de defesa para debelar, com tranquilidade, as acusações que geraram repercussões não relacionadas com suas funções e contribuições para com a Federação, prestando, inclusive, os esclarecimentos que entender necessários perante as autoridades competentes.
Registra-se, ainda, que a presente questão será encaminhada, oportunamente, para conhecimento do Conselho de Representantes e da Diretoria da Fecomércio BA, em observância ao compromisso permanente com a transparência e a lisura que sempre nortearam os atos da atual gestão”.
Entenda o Caso
Fraude no SINDTAV? Polícia Civil abre inquérito, empresas inexistentes são citadas e Fecomércio-BA responde com nota oficial
A Polícia Civil da Bahia instaurou inquérito para investigar suspeita de fraude eleitoral no SINDTAV, sindicato vinculado à Fecomércio-BA, após denúncia que aponta o uso de empresas inexistentes à época da votação, registro tardio da ata e participação de servidoras da Federação na condução do processo eleitoral. O caso envolve possíveis crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa, conforme previsto no Código Penal.
Documentos anexados ao inquérito mostram que as empresas Dumar Soluções Tecnologia e Inovação e Ecoloy Soluções para Resíduos Têxteis foram constituídas somente depois da data da eleição registrada em ata, o que reforça a suspeita de montagem documental. Além disso, a ata eleitoral, datada de 07/12/2021, só foi registrada em cartório em abril de 2024, atraso que teria impedido o sindicato de exercer seus direitos institucionais, incluindo participação em votações internas da Federação.
Outro ponto investigado é a presença de três funcionárias da Fecomércio-BA na mesa eleitoral, fato considerado pelo denunciante como improvável sem ciência da cúpula institucional. A hipótese sugere possível influência direta da Federação no pleito sindical, o que levanta questionamentos sobre autonomia, lisura e legitimidade do processo. O caso também reacende discussões sobre eventuais sindicatos reativados artificialmente para composição de quorum.
Em resposta oficial, a Fecomércio-BA alegou que os fatos dizem respeito à gestão anterior e que servidores eram usualmente cedidos para apoiar eleições internas de sindicatos filiados. A entidade defendeu que as atas foram registradas em cartório e, portanto, possuem presunção de validade. Reforçou ainda seu compromisso com transparência, legalidade e apuração integral dos acontecimentos, declarando apoio às investigações.
O episódio ganhou novos desdobramentos com o afastamento por 90 dias do diretor José Loyola, representante do SINDTAV, para que possa apresentar defesa sem interferências institucionais. A medida, comunicada ao Jornal Grande Bahia, nesta quinta-feira (04/12/2025), sinaliza repercussão interna do caso e o esforço da Federação em preservar sua imagem e governança enquanto o inquérito policial avança. A continuidade das apurações deverá definir se houve fraude, simulação de eleição ou irregularidade documental, com potencial impacto institucional no sistema sindical baiano.











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