Feira Baiana da Agricultura Familiar bate recorde de vendas, movimenta R$ 18 milhões e consolida protagonismo do setor na economia da Bahia

Com a presença do governador Jerônimo Rodrigues na cerimônia de abertura, realizada na quarta-feira (10/12/2025), a 16ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária encerrou sua programação neste domingo (14/12/2025), no Parque Costa Azul, em Salvador, com um resultado histórico de R$ 18 milhões em vendas, cerca de 700 expositores, mais de 10 mil produtos e um público estimado entre 80 mil e 100 mil visitantes, consolidando-se como o maior evento de comercialização da agricultura familiar no Brasil.

Realizada ao longo de cinco dias, a Feira reuniu agricultores familiares, cooperativas, associações, assentados da reforma agrária, povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais, representando os 27 Territórios de Identidade da Bahia. O volume recorde de comercialização confirmou o impacto direto do evento na geração de renda, na circulação de recursos nos municípios e no fortalecimento das economias locais, especialmente em regiões de menor dinamismo econômico.

O diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, avaliou que o desempenho da edição reflete políticas públicas estruturadas e continuadas voltadas à valorização da agricultura familiar. Segundo ele, o setor demonstra capacidade crescente de impulsionar a economia estadual, distribuir renda de forma descentralizada e ampliar oportunidades de negócios para pequenos produtores.

Além das vendas diretas ao consumidor final, a Feira consolidou-se como espaço estratégico de prospecção comercial, com fechamento de contratos no atacado, ampliação de redes de distribuição e abertura de diálogo com empórios, mercados especializados e compradores de outros estados.

Diversidade produtiva, agregação de valor e inovação

O público teve acesso a uma ampla diversidade de produtos, incluindo alimentos, bebidas, artesanato, flores, moda, cosméticos, peças de decoração e itens da sociobiodiversidade, evidenciando a capacidade produtiva e inovadora da agricultura familiar baiana. A presença de mais de 10 mil itens reforçou a pluralidade de cadeias produtivas e a identidade territorial dos produtos.

Um dos principais destaques foi o Caminho da Roça, espaço inédito e imersivo que apresentou sistemas produtivos estratégicos como mandioca, café, cacau e chocolate, mel, queijos artesanais, caprinovinocultura e ovinocultura, além do setor de flores. A iniciativa aproximou consumidores urbanos da realidade do campo e superou expectativas de comercialização.

Casos concretos ilustraram o desempenho da edição. Produtores da Bahia Cacau, de Ibicaraí, esgotaram 500 quilos de chocolate e 500 litros de mel de cacau, além de fechar negócios no atacado com empórios e mercados de outros estados. Já a Associação Queijo Baiano comercializou mais de seis mil quilos de queijos artesanais, superando resultados obtidos em eventos especializados do segmento.

Cooperativismo, exportação e novos investimentos

A 16ª edição foi marcada ainda pelo Encontro Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar, que reuniu cooperativas de todo o país e reforçou o papel do cooperativismo como eixo estruturante do setor. Durante o evento, o Governo do Estado anunciou cinco editais de apoio financeiro, voltados às cadeias da mandioca, caprinovinocultura, avicultura caipira, fitoterápicos e turismo rural de base comunitária, ampliando a capacidade produtiva e organizacional das cooperativas.

Também foram realizadas rodadas de negócios com compradores nacionais e internacionais, em parceria com a ApexBrasil, ampliando perspectivas de exportação e inserção dos produtos da agricultura familiar baiana em novos mercados, com foco em valor agregado e certificações.

Protagonismo indígena, quilombola e feminino

A ampliação da participação indígena e quilombola consolidou-se como um dos eixos centrais da edição. As tendas específicas deram visibilidade à produção artesanal e agroecológica dessas comunidades, reforçando a dimensão cultural, identitária e ancestral da agricultura familiar. Artesãs e artesãos relataram crescimento das vendas e expansão de contatos comerciais.

O protagonismo feminino também se destacou de forma expressiva. Em diversos territórios, mais de 90% dos empreendimentos participantes são liderados por mulheres, sobretudo em associações de artesanato, agroindústrias familiares e iniciativas de economia solidária, evidenciando o impacto social do evento na promoção da autonomia econômica e da inclusão produtiva.

Presença do governador e articulação institucional

Durante a abertura oficial da Feira, o governador Jerônimo Rodrigues, acompanhado da primeira-dama Tatiana Velloso, secretários estaduais e dirigentes de órgãos públicos, percorreu estandes, dialogou com expositores e destacou a relevância estratégica do evento. Para o governador, a Feira é fundamental para gerar renda, manter a população produtiva no campo e fortalecer um mercado de alimentos de qualidade, com reflexos diretos na segurança alimentar e no desenvolvimento regional.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, afirmou que a Feira representa um marco para o fortalecimento da agricultura familiar e para a ampliação de mercados. Segundo ele, o evento projeta a produção baiana não apenas para o consumo local, mas também para o mercado nacional e internacional, com foco na qualidade, identidade territorial e sustentabilidade.

A programação institucional incluiu seminários, encontros técnicos, oficinas, rodadas de negócios e lançamentos de projetos, consolidando a Feira como espaço de articulação técnica, política e econômica do setor rural baiano.

Sustentabilidade e responsabilidade ambiental

A Feira avançou na agenda de sustentabilidade ambiental ao implantar sistemas de coleta seletiva, compostagem de resíduos orgânicos e recolhimento de recicláveis. Ao todo, foram coletadas mais de 2,1 toneladas de materiais recicláveis, incluindo óleos e gorduras residuais, reforçando o compromisso ambiental do evento.

Essa dimensão ambiental dialoga diretamente com o modelo produtivo da agricultura familiar, baseado em práticas sustentáveis, valorização da sociobiodiversidade e responsabilidade social, aproximando campo e cidade em torno de um consumo mais consciente.


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