Crise institucional na Fecomércio Bahia ganha novo capítulo com associação de dirigente investigado à campanha Natal Solidário 2025

A crise institucional enfrentada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA), a mais grave em seus 78 anos de história, ganhou um novo desdobramento. Fonte do Jornal Grande Bahia reporta a associação de um diretor afastado, identificado pelas iniciais J. L. N., investigado por suposta fraude eleitoral, à campanha Natal Solidário 2025, iniciativa oficial de arrecadação de doações divulgada nos canais institucionais da Fecomércio.

A Fecomércio-BA atravessa um período de instabilidade marcado por questionamentos internos, investigações policiais e desgaste institucional. O epicentro da atual crise envolve o diretor J. L. N., que foi afastado de suas funções após se tornar alvo de inquérito policial instaurado pela 16ª Delegacia Territorial de Salvador.

De acordo com as informações disponíveis, o inquérito apura suspeitas de falsificação de documentos, falsidade ideológica e associação criminosa, no contexto de um suposto esquema de fraude eleitoral. O procedimento investigativo permanece em andamento, sem conclusão judicial até o momento.

A campanha Natal Solidário 2025

Paralelamente à investigação, a Fecomércio-BA promove a campanha Natal Solidário 2025, apresentada como uma mobilização social de caráter beneficente, voltada à arrecadação de:

  • Materiais de higiene e limpeza
  • Alimentos não perecíveis
  • Brinquedos novos
  • Roupas novas

As doações podem ser realizadas tanto em produtos físicos quanto em dinheiro, por meio de transferência via PIX, amplamente divulgada nos sites e redes sociais oficiais da Fecomércio-BA.

Instituto Liga do Bem e vínculo com dirigente investigado

O ponto central da nova controvérsia reside no fato de que a chave PIX divulgada na campanhaligadobem2025@gmail.com — está vinculada ao Instituto Liga do Bem, entidade privada responsável por receber os recursos financeiros arrecadados.

Conforme apurado, J. L. N. figura entre os fundadores do Instituto Liga do Bem e, atualmente, ocupa o cargo de Conselheiro Fiscal da organização. O vínculo formal entre o dirigente investigado e a entidade beneficiária das doações passou a ser objeto de questionamentos por parte de empresários do setor e de segmentos da sociedade civil.

Nos materiais oficiais da campanha, tanto o QR Code quanto a chave PIX direcionam diretamente ao Instituto, sem menção explícita ao papel institucional exercido por J. L. N. em sua estrutura administrativa.

Coordenação da campanha e expectativa de esclarecimentos

A campanha Natal Solidário 2025 é coordenada por C. F., identificada com vínculo pessoal com o presidente da Fecomércio-BA, o que acrescenta um elemento adicional de sensibilidade institucional e necessidade de transparência, diante do contexto atual.

Com a proximidade dos festejos natalinos e a intensificação das doações, cresce a expectativa de que a direção da Fecomércio-BA, os organizadores da campanha e os responsáveis pelo Instituto Liga do Bem apresentem esclarecimentos públicos objetivos, especialmente sobre:

  • Os mecanismos de governança e controle dos recursos arrecadados
  • A separação entre funções institucionais e interesses privados
  • As medidas adotadas para prevenir conflitos de interesse
  • A prestação de contas aos empresários do setor e à sociedade civil

Tensão entre iniciativas de cunho social e exigências de governança

O episódio evidencia uma tensão estrutural entre iniciativas de cunho social e exigências rigorosas de governança, sobretudo quando entidades representativas do setor produtivo enfrentam crises de credibilidade interna. Campanhas solidárias pressupõem confiança plena, rastreabilidade financeira e separação inequívoca entre interesses pessoais e institucionais.

A associação indireta entre uma campanha oficial da Fecomércio-BA e uma entidade vinculada a um dirigente investigado amplia o risco reputacional da federação. Ainda que inexista condenação judicial, o princípio da prudência administrativa recomenda transparência reforçada e comunicação institucional clara.

A ausência de posicionamentos objetivos tende a aprofundar o desgaste institucional, afetando não apenas a imagem da Fecomércio-BA, mas também a credibilidade de ações sociais legítimas, que dependem da confiança do empresariado e da sociedade baiana.

Direito de resposta requisitado pela Fecomércio

Em atenção à reportagem intitulada “Crise institucional na Fecomércio Bahia ganha novo capítulo com associação de dirigente investigado à campanha Natal Solidário 2025”, publicada em 16 de dezembro de 2025, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) encaminhou ao Jornal Grande Bahia a seguinte nota oficial de esclarecimento, que é reproduzida na íntegra, conforme assegura a legislação e os princípios do contraditório e da ampla informação:

NOTA À IMPRENSA

“A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) vem a público prestar esclarecimentos acerca de informações veiculadas em websites que associam, de forma indevida, a Campanha Natal Solidário 2025 a ilações que não condizem com a realidade dos fatos, tampouco com a atuação institucional do Sistema Comércio BA (Fecomércio, Sesc e Senac).

Desde o ano de 2022, a Campanha Natal Solidário, promovida pelo Sistema Comércio BA, conta com a cooperação e o apoio da Liga do Bem, exclusivamente no que se refere ao recebimento de doações, à logística de entrega, ao recrutamento de voluntários e à organização de eventos destinados à arrecadação de donativos. A entidade parceira presta contas das doações realizadas e dos valores arrecadados, inexistindo qualquer indício de irregularidade quanto à destinação dos recursos arrecadados no âmbito da campanha.

É absolutamente incorreta a insinuação de que o Sr. José Loyola de Andrade Neto exerça qualquer função de gestão de recursos da Liga do Bem. Sua atuação ocorre unicamente na condição de Conselheiro Fiscal da referida entidade, órgão de natureza estritamente fiscalizatória contábil e financeira, sem qualquer poder de administração, movimentação ou deliberação sobre recursos.

Da mesma forma, não procede a informação de que a Sra. Cássia Fernandes atue como coordenadora da Campanha Natal Solidário. Sua participação se dá tão somente na condição de Madrinha da Campanha, papel de caráter institucional e simbólico. A coordenação operacional e técnica da campanha é realizada pelo Sesc Mesa Brasil, programa amplamente reconhecido nacionalmente por sua reputação ilibada, credibilidade, excelência logística e rigor na prestação de contas, sendo referência em segurança alimentar e responsabilidade social em todo o país.

A Fecomércio-BA registra, ainda, sua preocupação com o viés adotado pela reportagem, cujo conteúdo revela nítida intenção de dissolver a reputação do Sistema Comércio BA, manchar o bom nome das entidades filiadas e ocasionar prejuízo reputacional às pessoas citadas, por meio de associações artificiais, omissões relevantes e conclusões desprovidas de lastro fático, circunstância absolutamente inaceitável, sobretudo quando direcionada a instituições e pessoas com histórico público de atuação ética, transparente e comprometida com o desenvolvimento social da Bahia.

Por fim, a Fecomércio-BA reafirma seu compromisso com a ética, a transparência, a boa governança e a responsabilidade social, bem como informa que já está adotando todas as medidas judiciais cabíveis, no âmbito cível e criminal, para a preservação da imagem institucional da entidade e das pessoas indevidamente atingidas por informações distorcidas ou descontextualizadas.

Salvador, 16 de dezembro de 2025.

Fecomércio-BA – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia”

Nota editorial do Jornal Grande Bahia

O Jornal Grande Bahia registra o recebimento e a publicação integral da nota, reafirmando seu compromisso histórico com o direito de resposta, a liberdade de imprensa, o rigor factual e a separação entre fatos comprovados, informações de interesse público e manifestações institucionais.

A reportagem original permanece fundamentada em informações verificáveis, documentos públicos e apuração jornalística própria, sem imputar culpa ou condenação judicial a qualquer pessoa citada, respeitando o princípio constitucional da presunção de inocência.

O jornal seguirá acompanhando os desdobramentos do caso, incluindo eventuais esclarecimentos adicionais, auditorias, prestações de contas públicas ou decisões judiciais que contribuam para o pleno esclarecimento dos fatos de interesse do empresariado baiano e da sociedade civil.

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