No início de 2026, o arcebispo emérito Dom Itamar Vian publicou o artigo “O tempo e a vida”, no qual propõe uma reflexão espiritual e prática sobre o uso do tempo como dom de Deus, a responsabilidade pessoal diante do presente e a necessidade de orientar a vida cotidiana ao serviço do próximo. O texto, divulgado no começo do ano, articula fundamentos bíblicos, observações existenciais e exortações pastorais, convidando os fiéis a uma revisão consciente de prioridades e atitudes.
O tempo como dom e responsabilidade
No artigo “O tempo e a vida”, publicado em janeiro de 2026, Dom Itamar Vian parte de uma constatação simples e direta: o início de um novo ano costuma despertar reflexões mais profundas sobre a vida, o tempo e a forma como ambos são administrados. Para o autor, o tempo é apresentado como um “precioso presente que Deus nos dá”, cuja administração exige cuidado, atenção e discernimento.
Segundo o arcebispo emérito, o dia presente assume centralidade absoluta. Ele afirma que “o dia de hoje é o mais importante de nossa vida”, pois é no presente que se concentram as escolhas concretas que moldam a existência e, na perspectiva cristã, a própria eternidade. O texto enfatiza que o valor do tempo não reside em abstrações futuras, mas na forma como cada instante é vivido agora.
Serviço ao próximo e sentido do cotidiano
Ao desenvolver sua reflexão, Dom Itamar Vian associa diretamente o bom uso do tempo ao serviço ao próximo. Ele sustenta que empregar bem o tempo significa, antes de tudo, servir às pessoas, com atenção especial aos mais vulneráveis: doentes, crianças, idosos, pobres, pessoas com deficiência e dependentes químicos. Trata-se de uma concepção ética do tempo, em que cada minuto ganha sentido quando orientado para o cuidado e a solidariedade.
O autor evita uma abordagem meramente contemplativa e insiste em uma dimensão prática. Para ele, o tempo bem vivido é aquele que se traduz em ações concretas, capazes de aliviar o sofrimento alheio e fortalecer os vínculos humanos. Essa perspectiva reforça a ideia de que o cotidiano, muitas vezes marcado por tarefas simples, pode se tornar espaço de realização e transcendência.
O presente como tempo decisivo
Outro eixo central do artigo é o alerta contra o adiamento constante das decisões. Dom Itamar Vian adverte que “Deus oferece sempre e a todos o perdão, mas não garante a ninguém o dia de amanhã”, ressaltando que o tempo decisivo é o hoje. O passado, segundo ele, deve ser confiado à misericórdia divina, enquanto o futuro pertence à providência de Deus.
Nessa lógica, o ser humano é descrito como peregrino, sem garantia de chegada, mas portador de uma “preciosa moeda”: o tempo presente. A imagem reforça a urgência de escolhas responsáveis e conscientes, afastando a ilusão de que sempre haverá uma oportunidade futura para corrigir rumos ou reparar omissões.
A dimensão concreta e abstrata do tempo
Dom Itamar Vian também explora a natureza ambígua do tempo, ao mesmo tempo concreto e abstrato. No texto, ele observa que o tempo é manejado diariamente — fala-se em ganhar, perder ou recuperar tempo —, embora permaneça difícil de explicar em termos conceituais. Essa dualidade, segundo o autor, não diminui sua importância; ao contrário, torna ainda mais necessária uma atitude vigilante diante de seu uso.
Para ilustrar essa concretude, o arcebispo emérito apresenta dados objetivos: cada dia possui 24 horas, equivalentes a 1.440 minutos ou 86.400 segundos. O tempo concedido é igual para todos, argumenta, mas a diferença está na forma como cada pessoa o distribui. A falta de tempo para o essencial, nessa perspectiva, não decorre da escassez, mas do desperdício com o que é secundário.
Referências bíblicas e horizonte espiritual
O artigo recorre a referências bíblicas para reforçar sua mensagem. Dom Itamar Vian cita o Livro do Eclesiastes, ao lembrar que “cada coisa tem seu tempo neste mundo”, e evoca uma imagem atribuída a Jesus, segundo a qual o tempo se assemelha a uma nuvem que passa. As citações servem para sublinhar a transitoriedade da vida e a necessidade de atenção constante.
Ao final, o autor vincula o uso responsável do tempo à preparação para a eternidade. Ele afirma que é com o tempo que se vive, se realiza e se constrói o destino final, exortando os leitores a ocuparem bem todos os dias de 2026, à semelhança do exemplo de Jesus. O texto se encerra com votos de um ano novo abençoado, reafirmando seu caráter pastoral.
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