Obras no Centro de Cultura Amélio Amorim alcançam 70% de execução e entram na fase final em Feira de Santana, diz Governo Jerônimo

Vista das obras de requalificação do Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, em janeiro de 2026, com destaque para a reconstrução da estrutura da abóbora do Complexo Carro de Boi.

As obras de requalificação do Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, chegaram a 70% de execução ao final de 2025 e avançam para a etapa final, com previsão de entrega ainda no primeiro semestre de 2026. A intervenção é realizada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), e integra o projeto de requalificação do Complexo Carro de Boi, com investimento superior a R$ 6 milhões. Iniciada em fevereiro do ano passado, a obra tem como foco a preservação do patrimônio arquitetônico e a ampliação do uso cultural e comunitário do espaço.

Preservação histórica e valorização cultural

Segundo a Conder, o projeto vai além da modernização da infraestrutura urbana e busca resgatar a memória afetiva e cultural associada ao equipamento, que marcou gerações desde a década de 1970. Para o diretor-presidente da companhia, José Trindade, a intervenção representa um compromisso institucional com a identidade da cidade.

De acordo com ele, a requalificação devolve à população um espaço simbólico, pensado para fortalecer o acesso à cultura, ao lazer e à convivência comunitária. A proposta, conforme destaca a Conder, mantém o caráter original do complexo ao mesmo tempo em que o adapta às exigências técnicas e funcionais contemporâneas.

Trindade ressalta que um dos princípios centrais da obra é a preservação do valor histórico e arquitetônico do projeto idealizado pelo arquiteto Amélio Amorim. Nesse sentido, foram mantidas características essenciais da concepção original, com intervenções restritas às adequações necessárias às normas técnicas atuais e aos códigos de obras vigentes.

Reconstrução da abóbora e soluções técnicas

O elemento mais emblemático do projeto é a estrutura em formato de abóbora, considerada um dos principais ícones arquitetônicos do Complexo Carro de Boi. A reconstrução exigiu soluções técnicas específicas para garantir segurança estrutural sem descaracterizar o desenho original.

A engenheira da Conder e fiscal da obra, Jamile Bastos, explica que as dimensões da abóbora foram rigorosamente preservadas. A principal mudança está nos materiais utilizados: a antiga estrutura em madeira foi substituída por estrutura metálica em aço, enquanto a casca de concreto armado foi reproduzida conforme o projeto original.

Segundo Jamile, a modernização permitirá que o espaço funcione como um equipamento multiuso, climatizado e preparado para receber atividades culturais, artísticas e eventos de convivência, ampliando significativamente sua capacidade de uso ao longo do ano.

Novos equipamentos e ampliação do uso público

Além da recuperação dos elementos históricos, o projeto prevê a ampliação da infraestrutura do complexo. O novo Complexo Carro de Boi contará com restaurante, área administrativa, duas arenas — uma coberta e outra descoberta —, coreto e palco externo voltado a pequenas apresentações culturais.

Outro destaque é a implantação de uma fonte interativa em formato côncavo, equipamento que não fazia parte do projeto original e foi incorporado a partir de uma demanda da Secult-BA. A inclusão da fonte amplia as possibilidades de lazer e convivência, especialmente para o público infantil e famílias.

No estágio atual, a etapa estrutural da obra já foi concluída. O restaurante passa por serviços de pintura e ajustes finais, a abóbora avança para o fechamento da cobertura e início dos acabamentos, enquanto as arenas encontram-se parcialmente concluídas. A fonte interativa está na fase de execução da infraestrutura.

Retomada do papel simbólico na cidade

Com a conclusão prevista para os próximos meses, o Centro de Cultura Amélio Amorim se prepara para retomar seu papel histórico no cotidiano de Feira de Santana, agora com uma proposta mais ampla de uso e integração urbana. A expectativa é que o equipamento volte a funcionar como espaço democrático, voltado à produção cultural, à circulação de pessoas e ao fortalecimento da vida comunitária.

A requalificação do complexo se insere em um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas à valorização do patrimônio cultural e à reativação de espaços públicos, reafirmando a cultura como eixo estratégico para o desenvolvimento urbano e social.

Cultura, memória e política urbana

A requalificação do Centro de Cultura Amélio Amorim evidencia a importância da preservação do patrimônio arquitetônico como instrumento de identidade urbana e política cultural. Ao optar pela manutenção das características originais do projeto, o Estado sinaliza uma compreensão mais madura sobre a relação entre modernização e memória coletiva.

Ao mesmo tempo, a ampliação do uso do espaço, com novos equipamentos e funções, responde à necessidade de tornar os investimentos públicos socialmente mais eficientes e integrados à vida cotidiana da cidade. O desafio, após a entrega da obra, será garantir gestão continuada, programação cultural consistente e manutenção adequada, evitando que o equipamento volte a sofrer processos de degradação.

Por fim, a iniciativa reforça o papel da cultura como vetor de requalificação urbana, mas também expõe a dependência de políticas públicas estáveis para que projetos dessa natureza tenham impacto duradouro e efetivo na dinâmica social e cultural local.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.