A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14/01/2026) a segunda fase da Operação Compliance Zero, mirando o empresário Nelson Tanure por suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro em operações financeiras que teriam utilizado fundos e corretoras ligadas ao Banco Master. A investigação, conduzida com base em denúncias encaminhadas ao Ministério Público Federal, apura indícios de controle oculto da instituição financeira, uso irregular de veículos de investimento e prejuízos a investidores. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens que superam R$ 5,7 bilhões, segundo a Polícia Federal.
A nova etapa da operação decorre de denúncias apresentadas pela gestora Esh Capital, que apontou indícios de que Tanure exerceria controle de fato sobre o Banco Master, apesar de a instituição informar oficialmente que o grupo controlador seria liderado por Daniel Vorcaro e pela 133 Investimentos. De acordo com o MPF, haveria sinais de gestão temerária e indução de investidores a erro, sustentados por uma arquitetura societária complexa.
No pedido de aprofundamento das apurações, o procurador Marcos Salati destacou que estruturas como Aventti, fundo Estocolmo e Banvox teriam sido utilizadas para ocultar a real influência de Tanure no banco. A legislação exige autorização prévia do Banco Central para o exercício de controle ou administração de instituições financeiras, o que intensificou a atenção das autoridades sobre a governança do Master.
Pessoas próximas ao empresário negam que ele tenha sido controlador de qualquer banco, sustentando que sua atuação se limita a investimentos em empresas de capital aberto. A defesa afirma inexistir justa causa para o inquérito e fala em instrumentalização do sistema de Justiça por disputas empresariais.
Relação com Daniel Vorcaro e o papel do Banco Master
A relação entre Tanure e Daniel Vorcaro é acompanhada de perto pelo mercado desde que o Banco Master captou mais de R$ 40 bilhões em CDBs em menos de cinco anos, tornando-se peça relevante em operações de financiamento associadas a companhias nas quais Tanure detém participação.
Em entrevistas públicas, Vorcaro descreveu Tanure como “parceiro de negócios”, o que reforçou a percepção de proximidade estratégica entre ambos. Para investigadores da Compliance Zero, o banco teria funcionado como plataforma financeira para viabilizar estruturas de fundos que, em tese, inflariam ativos e concentrariam participações acionárias.
A Polícia Federal sustenta que uma cadeia de fundos de investimento foi utilizada para desviar recursos e beneficiar aliados, hipótese que está no centro das medidas judiciais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Denúncia do MPF e o caso Gafisa–Upcon
Paralelamente à investigação sobre o Banco Master, Tanure enfrenta denúncia do MPF por uso de informação privilegiada (insider trading) em operações envolvendo a Gafisa e a aquisição da Upcon, entre 2019 e 2020. Segundo a acusação, aportes estratégicos teriam sido realizados pouco antes da avaliação da empresa adquirida, com o objetivo de inflar seu valor de mercado e ampliar a quantidade de ações recebidas como pagamento.
A defesa contesta a acusação e afirma que a operação foi amplamente divulgada, com publicação de fatos relevantes e aprovação pela maioria dos acionistas, além de não haver apontamento de irregularidades pela Comissão de Valores Mobiliários. Também sustenta que investigações anteriores da PF não identificaram indícios criminais.
Estrutura de fundos e apontamentos regulatórios
As apurações detalham a criação de uma sequência de fundos — como Bergamo e Panarea — que culminaram em investimentos no fundo imobiliário Brazil Realty. Entre os principais cotistas estavam empresas como Banco Máxima (posteriormente Master), Milo, Talent Construtora e Espaço Engenharia.
Apesar de CNPJs distintos, investigadores observaram sobreposição de dirigentes, incluindo Daniel Vorcaro e familiares, além de executivos comuns em empresas investidas. A CVM chegou a acusar alguns desses gestores por operações fraudulentas com cotas do fundo entre 2018 e 2020, o que reforçou o contexto das suspeitas atuais.
Perfil empresarial e investimentos de Tanure
Natural da Bahia e com mais de quatro décadas de atuação no mercado financeiro, Tanure construiu reputação como investidor especializado em empresas em dificuldades ou em disputas societárias complexas. Seu portfólio inclui participações em companhias como a petroleira Prio, a varejista Dia e a própria Gafisa.
Segundo as investigações, parte dessas participações teria sido administrada por meio de fundos e estruturas offshore, hipótese rejeitada pela defesa, que sustenta a legalidade das operações e a inexistência de condenações anteriores.
Ambipar e suspeitas de manipulação
Outro eixo sensível envolve operações relacionadas à Ambipar. Para o MPF, o Banco Master teria atuado como “braço financeiro e operacional” em transações que permitiriam concentração acionária e garantias artificiais, criando ambiente propício à manipulação de mercado. Os citados negam atuação conjunta ou qualquer prática destinada a elevar artificialmente a cotação das ações.
*Com informações da Agência Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja e Metrópoles.
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