Inadimplência atinge quase 4,7 milhões de baianos em janeiro de 2026 e alcança mais de 44% da população adulta, aponta Serasa

Nesta sexta-feira, 23/01/2026, dados do Mapa da Inadimplência no Brasil, divulgados pela Serasa, revelam que cerca de 4,69 milhões de baianos iniciaram 2026 com dívidas em atraso, o que corresponde a 44,07% da população adulta da Bahia. Em apenas 12 meses, aproximadamente 369 mil pessoas passaram a integrar a lista de inadimplentes, evidenciando o agravamento da pressão financeira sobre as famílias do estado, em um contexto de aumento de despesas obrigatórias e crédito caro.

O número absoluto de inadimplentes ajuda a dimensionar a extensão do problema no estado. Considerando a população total da Bahia, estimada em cerca de 15 milhões de habitantes, os 4,69 milhões de negativados representam quase um terço de todos os baianos, incluindo crianças e adolescentes. Quando o recorte se restringe à população adulta, o impacto se torna ainda mais expressivo, com mais de quatro em cada dez adultos enfrentando restrições no CPF.

O avanço é significativo também na comparação anual. Em dezembro de 2024, o percentual de inadimplentes era de 40,6% da população adulta. A elevação para 44,07% em dezembro de 2025 indica uma deterioração contínua da capacidade de pagamento das famílias, pressionadas por inflação acumulada, juros elevados e perda de poder de compra.

A virada do ano agrava esse cenário. Despesas concentradas no início do exercício, como IPVA, IPTU, material escolar, matrículas e reajustes de serviços essenciais, ampliam o risco de atraso para consumidores que já operam no limite do orçamento mensal.

Perfil das dívidas revela peso do crédito e das contas básicas

O levantamento da Serasa detalha a composição das dívidas em atraso no estado. Bancos e cartões de crédito concentram 26,1% dos débitos, confirmando o peso do crédito rotativo e do parcelamento no desequilíbrio financeiro das famílias. Em seguida aparecem as contas básicas, como água, energia elétrica e gás, responsáveis por 22,1% das pendências, indicador sensível do impacto social da inadimplência.

As financeiras respondem por 19,6% das dívidas, reforçando o papel do crédito de curto prazo, frequentemente contratado com juros mais elevados. O valor médio de cada dívida, estimado em R$ 1.593,27, ajuda a explicar a dificuldade de regularização para consumidores sem margem financeira ou planejamento estruturado.

Esse perfil sugere que o endividamento não está restrito ao consumo supérfluo, mas atinge despesas essenciais e compromissos recorrentes, o que amplia os riscos de exclusão financeira e restrição ao crédito formal.

Bahia acompanha tendência nacional de alta da inadimplência

O cenário baiano reflete uma dinâmica observada em todo o país. Em dezembro de 2025, o Brasil alcançou 81,2 milhões de inadimplentes, o maior número já registrado na série histórica da Serasa, após 12 meses consecutivos de crescimento.

A maior concentração de negativados está na faixa etária entre 41 e 60 anos (35,6%), grupo que geralmente acumula responsabilidades familiares e financeiras mais elevadas. Em seguida aparecem os consumidores de 26 a 40 anos, os maiores de 60 anos e os jovens entre 18 e 25 anos, indicando que o problema atravessa diferentes gerações.

Orientações para reversão do endividamento

Para Erli Bandeira, consultor de negócios da Central Sicredi Nordeste, os números reforçam a necessidade de organização financeira como passo inicial para sair do ciclo de endividamento.

Segundo ele, o primeiro movimento deve ser o mapeamento completo da renda e das despesas. “Quando o consumidor entende exatamente quanto ganha, quanto gasta e onde estão os principais compromissos financeiros, passa a ter condições reais de tomar decisões mais equilibradas e evitar o acúmulo de novas dívidas”, afirma Erli Bandeira.

Outro ponto central é a definição de prioridades. A recomendação é atacar primeiro as dívidas com juros mais altos, renegociar prazos e valores e, paralelamente, iniciar a formação de uma reserva, ainda que com quantias reduzidas. A disciplina, segundo o especialista, tende a produzir resultados progressivos.

Planejamento orçamentário como estratégia de longo prazo

Bandeira sugere a adoção de uma divisão percentual da renda como referência prática de controle financeiro. Um modelo amplamente utilizado prevê a destinação de 30% da renda para despesas essenciais, como moradia, alimentação e contas básicas.

Outros 30% podem ser direcionados a compromissos financeiros e objetivos, incluindo pagamento de dívidas, educação e aquisição de bens. Os 40% restantes ficariam reservados para poupança, investimentos e despesas pessoais, estrutura que facilita a visualização dos limites de gasto e reduz a dependência do crédito.

Embora não seja uma fórmula rígida, o modelo oferece um ponto de partida para reorganizar o orçamento e recuperar gradualmente a capacidade de pagamento.


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