A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, deflagrou na manhã desta quarta-feira (28/01/2026) a Operação Litiáse, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso de direcionamento de contratações e desvio de recursos públicos no município de Juazeiro, no norte da Bahia. As investigações apontam que os recursos desviados eram destinados ao financiamento de ações do Sistema Único de Saúde (SUS), especificamente na área de serviços médicos hospitalares.
Ao todo, seis mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos na cidade, com a mobilização de cerca de 30 policiais federais, com o propósito de robustecer as evidências relacionadas às fraudes e identificar outros possíveis envolvidos ainda não alcançados pela investigação.
Direcionamento de contratos durante a pandemia
De acordo com as apurações, o esquema investigado teve início no período da pandemia da Covid-19, quando teria ocorrido o direcionamento da locação de um imóvel para a suposta prestação de serviços de saúde. No entanto, a contratação foi realizada sem a devida indicação de como os atendimentos e internações seriam executados, o que comprometeu a transparência e a legalidade do contrato público.
Outro ponto considerado relevante pelos investigadores é que a localização do imóvel locado coincidia com a sede do instituto contratado para a prestação dos serviços médicos, elemento que reforça os indícios de direcionamento contratual e possível simulação administrativa.
Indícios de fraudes licitatórias e pagamentos sem comprovação
Além das irregularidades relacionadas à locação do imóvel, foram identificados fortes indícios de direcionamento nos procedimentos licitatórios, prática que compromete a concorrência e viola os princípios da administração pública.
As investigações também apontam para a realização de pagamentos sem a devida comprovação da execução dos serviços, incluindo a ausência de registros claros sobre quais atendimentos, exames ou procedimentos foram efetivamente realizados e em que quantidade, fragilizando os mecanismos de controle e fiscalização dos gastos públicos.
Mais de R$ 13 milhões pagos às empresas investigadas
Segundo os dados apurados, as contratações sob suspeita resultaram no pagamento de mais de R$ 13 milhões às empresas envolvidas no esquema. Desse total, aproximadamente R$ 7 milhões tiveram origem em recursos do SUS, o que amplia a gravidade do caso por envolver verbas federais destinadas diretamente à assistência à saúde da população.
As autoridades destacam que os contratos investigados não se limitaram ao período emergencial da pandemia, tendo se estendido até o ano de 2023, o que indica um padrão continuado de irregularidades, e não episódios pontuais.
Objetivos da operação e próximos passos
Com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Operação LITÍASE busca recolher documentos, mídias digitais e outros elementos probatórios capazes de aprofundar a investigação, delimitar responsabilidades individuais e mapear integralmente a estrutura do esquema criminoso.
A Polícia Federal informou que os trabalhos seguem em andamento e que novas medidas judiciais poderão ser adotadas, conforme o avanço da análise do material apreendido.











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