O compromisso de fazer do Brasil um país mais desenvolvido e mais justo foi reafirmado pela Presidência da República na Mensagem enviada ao Congresso Nacional. O documento foi entregue aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, nesta segunda-feira (02/02/2026), durante a abertura dos trabalhos do Parlamento.
No texto de apresentação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembra que 2025 foi descrito como um ano de desafios e conquistas, marcado por um início de ceticismo e projeções negativas, mas encerrado, segundo a narrativa oficial, com “avanços e recordes”. A Mensagem se organiza como peça institucional: presta contas, estabelece prioridades e busca criar um terreno político favorável às votações consideradas estratégicas em 2026.
Ao longo do documento, o governo afirma que manterá a agenda de crescimento com estabilidade, combinando investimentos, políticas sociais e compromisso fiscal. A formulação central — “mais investimentos e menos desigualdades” — aparece como síntese do discurso de encerramento do texto de abertura.
Indicadores econômicos e argumento de recuperação em 2025
Para exemplificar a retomada, a apresentação reúne um conjunto de indicadores atribuídos a 2025: crescimento do PIB pelo terceiro ano consecutivo; queda do dólar no maior recuo em nove anos; valorização da Bolsa de Valores, que ultrapassou pela primeira vez a marca de 160 mil pontos; maior volume de investimentos estrangeiros dos últimos sete anos, estimado em US$ 77,7 bilhões; consolidação do Brasil como segundo destino mais atrativo para o capital externo; desemprego em 5,2%, a menor taxa da série histórica; renda média dos trabalhadores de R$ 3.574; e inflação de 4,26%, a menor em sete anos.
No campo externo, o documento associa o desempenho exportador à abertura e diversificação de mercados, citando a abertura de 521 novos mercados e um recorde de exportações de US$ 348,7 bilhões, mesmo sob o impacto de medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
O texto também conecta o discurso econômico à dimensão social, ao afirmar que o crescimento, a valorização real do salário mínimo, a queda da inflação e a maior oferta de empregos ampliaram a renda e reduziram a dependência de parte das famílias em relação a programas de transferência de renda.
Pobreza, Bolsa Família e saída do Mapa da Fome
A Mensagem sustenta que políticas de proteção social e geração de oportunidades contribuíram para reduzir a insegurança alimentar e a pobreza, com destaque para o redesenho do Bolsa Família e a aplicação da chamada regra de proteção. Segundo o texto, milhões de famílias deixaram o programa em 2025 por ampliação de renda, mantendo-se a cobertura para os núcleos mais vulneráveis.
O documento afirma ainda que o Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025 e atribui esse resultado à combinação de políticas de renda, segurança alimentar e articulação de programas sociais. A redução da pobreza e da desigualdade de renda é apresentada como uma das marcas do atual ciclo econômico e social.
Novos desafios para 2026: segurança, trabalho e proteção às mulheres
Reafirmando a importância da parceria entre Executivo e Legislativo, a Mensagem presidencial aponta novos desafios para 2026. No campo da segurança pública, o governo elenca como prioridades a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, voltada a ampliar a cooperação entre União e estados, e a aprovação do Projeto de Lei Antifacção, que endurece o combate ao crime organizado, com penas mais severas aos seus líderes e restrições à progressão de pena.
O texto inclui ainda na pauta a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, sem redução de salário, e a necessidade de regulação do trabalho por aplicativos, apresentada como resposta à precarização de novas categorias profissionais.
Outro eixo destacado é o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, descrito como uma ação conjunta entre os poderes, o setor produtivo e a sociedade civil, com foco na garantia do direito à vida e à integridade física, material e psicológica de meninas e mulheres brasileiras.
Alívio no orçamento das famílias
A Mensagem destaca medidas com impacto direto no orçamento doméstico, como a redução em 70% dos custos da Carteira Nacional de Habilitação, iniciativas de apoio ao consumo de energia e gás, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a redução gradual da carga tributária para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais.
Essas ações são apresentadas como parte de uma estratégia de estímulo ao consumo, melhoria do bem-estar e fortalecimento do poder de compra das famílias, especialmente da classe trabalhadora. , 3
Acordo Mercosul–União Europeia e resposta ao tarifaço
Na política comercial, o presidente sustenta que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia abre um novo ciclo de oportunidades para empresas brasileiras, amplia exportações e atrai investimentos de forma sustentável. O texto afirma expectativa de rápida internalização do acordo pelo Congresso Nacional.
Em relação ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, a Mensagem relata a adoção do Plano Brasil Soberano para socorrer empresas, preservar empregos e diversificar parcerias comerciais. Segundo o documento, a estratégia combinou diplomacia, abertura de mercados e diálogo bilateral, permitindo a retomada do acesso ao mercado norte-americano e a manutenção do crescimento das exportações.
Indústria, inovação e infraestrutura
O documento registra que 2025 foi marcado pela retomada dos investimentos industriais. Em dois anos, a política da Nova Indústria Brasil teria mobilizado R$ 588,4 bilhões para modernização do parque industrial, incorporação de novas tecnologias e ganhos de produtividade e competitividade.
Na infraestrutura, a Mensagem destaca o Novo Programa de Aceleração do Crescimento, com execução orçamentária de R$ 945 bilhões e 34,8 mil empreendimentos em 99% dos municípios. Entre os exemplos citados estão a retomada de investimentos em refinarias e fertilizantes, a entrada em operação do Linhão Manaus–Boa Vista, avanços no Projeto de Integração do Rio São Francisco e testes com carga comercial na Ferrovia Transnordestina.
Principais Dados
Economia e Indicadores Macroeconômicos
- PIB cresceu pelo terceiro ano consecutivo
- Crescimento econômico acima das projeções iniciais para 2025
- Inflação fechou 2025 em 4,26%, a menor em sete anos
- Projeção de inflação convergindo para a meta em 2026
- Dólar registrou a maior queda dos últimos nove anos
- Bolsa de Valores cresceu 34% em relação a 2024 e superou 160 mil pontos
- Brasil tornou-se o segundo destino mais atrativo para o capital externo
- Investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 77,7 bilhões em 2025
Emprego, Renda e Mercado de Trabalho
- Taxa de desemprego caiu para 5,2%, a menor da série histórica
- Renda média do trabalhador atingiu R$ 3.574, recorde histórico
- Redução da informalidade e aumento da massa salarial real
- Proposta de fim da escala 6×1, sem redução salarial
- Defesa da regulação do trabalho por aplicativos
Comércio Exterior e Inserção Internacional
- Exportações brasileiras atingiram US$ 348,7 bilhões, recorde histórico
- Abertura de 521 novos mercados internacionais
- Total acumulado de exportações em três anos: US$ 1,03 trilhão
- Enfrentamento do tarifaço dos Estados Unidos com diplomacia e diversificação
- Criação do Plano Brasil Soberano para proteger empresas e empregos
- Assinatura do acordo Mercosul–União Europeia
Indústria, Inovação e Reindustrialização
- Investimentos da Nova Indústria Brasil (NIB):
- R$ 588,4 bilhões em dois anos
- Modernização do parque industrial
- Introdução de novas tecnologias e aumento da produtividade
- Incentivo à inovação e à competitividade industrial
- Avanços em soberania tecnológica e uso de inteligência artificial
Infraestrutura e Investimentos Públicos
- Execução orçamentária do Novo PAC:
- R$ 945 bilhões
- 34,8 mil empreendimentos
- Presença em 99% dos municípios
- Destaques em infraestrutura:
- Retomada de investimentos em refinarias e fertilizantes
- Entrada em operação do Linhão Manaus–Boa Vista
- Avanços no Projeto de Integração do Rio São Francisco
- Primeira viagem com carga comercial da Ferrovia Transnordestina
- Mais de 2 milhões de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida
Políticas Sociais, Pobreza e Fome
- Brasil retirado do Mapa da Fome em 2025
- 17,4 milhões de brasileiros saíram da pobreza em dois anos
- Classe C passou a representar 61% da população
- Milhões de famílias deixaram o Bolsa Família por aumento de renda
- Manutenção da regra de proteção para beneficiários em transição
Orçamento das Famílias e Alívio Tributário
- Redução de 70% no custo da Carteira Nacional de Habilitação
- Programas de apoio:
- Gás do Povo
- Luz do Povo
- Isenção do Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil
- Redução gradual do IR para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350
Segurança Pública e Justiça
- Prioridade legislativa para:
- PEC da Segurança Pública
- Projeto de Lei Antifacção
- Ampliação da cooperação entre União e estados
- Endurecimento de penas contra líderes do crime organizado
- Restrição à progressão de pena para facções criminosas
Direitos Humanos e Proteção às Mulheres
- Lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio
- Ação conjunta entre poderes, setor produtivo e sociedade civil
- Foco em:
- Proteção à vida
- Integridade física, material e psicológica
- Medidas repressivas e estruturantes
Meio Ambiente e Agenda Climática
- Redução de 50% do desmatamento na Amazônia em relação a 2022
- Brasil como protagonista da agenda climática global
- Realização da COP30 no país
- Criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre
- Apoio internacional estimado em US$ 6,7 bilhões
Relação Institucional e Governabilidade
- Ênfase na parceria entre Executivo e Legislativo
- Prioridade para aprovação de reformas e projetos estruturantes
- Último ano da atual legislatura como fase de consolidação de políticas

Pronunciamento do presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Mesa:
ministro de Estado da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa;
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin;
presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP);
presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB);
primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, deputado Carlos Veras (PT-PE).
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado











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