O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta sexta-feira (06/02/2026), em Salvador, que o anúncio de novas ações do Novo PAC Saúde marca um movimento de retomada e ampliação da saúde pública com foco na capilaridade dos serviços e no apoio direto a municípios com baixa capacidade de investimento. Em discurso durante o evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rui citou números sobre obras paralisadas herdadas em 2023, pendências de credenciamento no Ministério da Saúde e a ampliação da estrutura hospitalar e de atendimento especializado na Bahia, defendendo que o novo ciclo de entregas busca reduzir deslocamentos e filas na rede pública. Participaram do evento ministro Eliseu Padilha, governador Jerônimo Rodrigues e os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar.
Retomada de obras e “números para comparação”, segundo Rui
Rui Costa afirmou que, ao assumir em janeiro de 2023, o governo encontrou mais de 6,5 mil obras paralisadas na saúde e mais de 4,5 mil na educação, e que a orientação foi incorporar essas demandas ao PAC, com atualização de valores e retomada de repasses para permitir a conclusão dos empreendimentos. Segundo o ministro, a retomada exigiu adesão de prefeitos e prefeitas, que “toparam o desafio” de concluir estruturas interrompidas.
O ministro também declarou que havia, no Ministério da Saúde, 4,2 mil convênios e processos pendentes para credenciar serviços já existentes — postos de saúde, UTIs e outras estruturas prontas — que, segundo ele, não operavam plenamente por falta de financiamento federal. Rui afirmou que a orientação foi habilitar e pagar esses serviços para que entrassem em funcionamento.
Municípios pobres e custo do atendimento na ponta
Rui Costa enfatizou o perfil socioeconômico da Bahia ao dizer que a maioria dos municípios tem arrecadação reduzida e enfrenta dificuldade para comprar itens básicos, como ônibus escolar e ambulância, além de sustentar o custeio da atenção básica. Ele argumentou que o novo pacote de entregas e equipamentos, ao “estender a mão” aos municípios, busca compensar a desigualdade federativa e dar condições para atendimento onde a população vive.
Nesse ponto, o ministro associou o esforço federal a uma lógica de reduzir o peso logístico do SUS em estados com grandes distâncias internas, citando deslocamentos de 200 km a 300 km para acesso a serviços regionais, o que ele classificou como custo elevado para prefeituras e famílias.
Expansão da rede estadual: hospitais, policlínicas e alta complexidade no interior
No trecho mais voltado à experiência baiana, Rui Costa afirmou que, antes do avanço da rede estadual para o interior, era comum ver, nas madrugadas, filas de ambulâncias na BR em direção a Salvador por falta de serviços de alta complexidade fora da capital. Ele citou que o grupo político no comando do estado teria ampliado a estrutura, chegando a 56 hospitais estaduais na Bahia, e sustentou que esse número não acompanha a posição do estado em arrecadação, indicando prioridade política na área.
O ministro citou ainda a expansão de procedimentos de cardiologia — mencionando a instalação de serviços de hemodinâmica em diferentes regiões — e relatou um caso de Irecê, no qual um médico teria retornado do exterior para atuar em unidade que utiliza equipamento equivalente ao usado em hospital de Boston, segundo o próprio ministro. A narrativa foi usada para reforçar a ideia de interiorização de tecnologia e de atendimento especializado.
Obras em curso e comparação com a estrutura municipal de Salvador
Rui Costa também mencionou obras hospitalares em execução no estado, citando a construção de unidades em Valença, Paulo Afonso, Alagoinhas, Jacobina e Serrinha, associando parte do esforço ao Novo PAC. No discurso, o ministro comparou essa expansão com a estrutura municipal de Salvador, afirmando que a capital não teria maternidade municipal, e apresentou o dado como exemplo de contraste entre responsabilidades e prioridades de gestão.
Ainda no campo de serviços, Rui citou a criação e o funcionamento de policlínicas, afirmando que a Bahia tem 26 policlínicas em operação e que duas unidades em Salvador seriam mantidas pelo governo estadual. O ministro afirmou que, quando prontas, teria oferecido a gestão dessas policlínicas ao município, que não teria assumido.
Entregas e logística: SAMU e atendimento perto da população
Ao reforçar o argumento de capilaridade, Rui Costa mencionou o programa de entregas do governo federal, citando que não teria havido compra de ambulâncias do SAMU por um período prolongado e que a retomada de aquisições e entregas amplia a capacidade de atendimento de urgência. O ministro relacionou as entregas ao objetivo de reduzir gargalos e acelerar o acesso, especialmente em municípios com menor capacidade de investimento.
Na mesma linha, Rui defendeu que equipamentos e ações anunciados no evento — como conectividade e atendimento remoto — podem diminuir deslocamentos e reduzir a pressão por vagas concentradas na capital.
VLT, macrodrenagem e pedido para Lula retornar a Salvador
No final de sua fala, Rui Costa ampliou o escopo para infraestrutura urbana e pediu que Lula retorne a Salvador até o fim de março para visitar obras de mobilidade e transformação urbana, citando a expansão do metrô e o avanço do VLT no Subúrbio, além de intervenções associadas. Ele descreveu a obra como vetor de valorização urbana e melhoria social, apresentando exemplos de impacto na vida de moradores.










Deixe um comentário